terça-feira, 14 de outubro de 2008

A essa hora?

Que tal sair do piloto automático e começar a sentir um pouco mais? As pessoas também existem quando não estão por perto, mesmo que você não se lembre disso. 
É, eu sei, eu também preciso aprender...
Mas eu tenho comido minha salada por partes: primeiro só o tomate, depois só a cenoura, depois só a batata... pra poder saber que gosto cada coisa tem. E descobri que a fumaça dos cigarros sempre dança no ritmo da música que está tocando. E quando eu olho o sangue no asfalto da menina que se jogou pela janela do prédio, sinto o calafrio da queda. 
Mas nada disso importa... A gente precisa correr pra pegar o ônibus e não se atrasar pro trabalho, e não dá tempo de parar pra descobrir porque o cachorro late tanto pro menino deitado no chão. E, mesmo que você grite na janela, o barulho do trânsito vai abafar a sua voz. No máximo, seu eco vai ser ouvido pelos loucos, mas esses nunca vão conseguir ser felizes de verdade.

Pra que viver então?

Eu posso não mudar o mundo, mas se conseguir mudar o jeito de uma única pessoa olhar pras coisas já tá bom. Nem que essa pessoa seja eu mesma.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Vê se pára de pensar bobagem!


Dá pra confundir o amor com o ódio?
Essa é a pergunta que a personagem da Maria Manoela faz pro seu agente, representado pelo Nilton Bicudo, no excelente espetáculo O Natimorto - Um Musical Silencioso, do Lourenço Mutarelli, dirigido e adaptado pelo Mário Bortolotto, que assisti domingo.
Eles estão falando sobre cartas de tarô, e ele responde que sim, porque as figuras que representam ambos os sentimentos são muito parecidas.
Na peça, o cara propõe a ela que fiquem trancados num quarto de hotel, vivendo sozinhos para que se protejam do mundo e protejam um ao outro. Acho que isso tem a ver com o ódio que nasce do amor. Às vezes a gente ama tanto alguém que queria poder ter essa pessoa só pra gente, fechados e protegidos o tempo todo, mas como isso é impossível, a gente se sente impotente e passa a odiar o amor que sente. E a odiar a outra pessoa e a odiar a gente mesmo por sentir aquilo. Porque às vezes, o que a gente sente é mais forte do que a nossa vontade. Há algum tempo escrevi sobre um cara por quem estava apaixonada: "Eu o odiei quando percebi que estava me fazendo perder o controle." E essa sensação é pior quando a gente não é correspondido. 
Hoje eu tive um dia ruim. Fiquei pensando que a gente sempre cria expectativas sobre outras pessoas e nem sempre elas estão prontas para supri-las. Na verdade, acho que quase nunca as pessoas atingem nossas expectativas. Por que a gente quer que elas façam o que a gente faria, só que nessas horas a gente não vê que também não faria aquilo se estivesse no lugar delas, se é que já não estivemos. Quantas pessoas a gente já não decepcionou simplesmente por estar olhando pra outro lado no momento em que ela estava olhando pra gente?
Quando o agente propõe que eles se isolem do mundo, a cantora diz: mas não é egoismo da sua parte, já que minha voz é tão maravilhosa, privar as outras pessoas de ouvi-la? E então o cara se tranca e ela continua saindo, investindo na carreira e querendo mostrar sua voz para o mundo. Mas será que ela também não está sendo egoísta? Em vez de dar o melhor de si para alguém que queria protegê-la, prefere ter uma platéia cheia de gente para aplaudi-la.
Isso me fez pensar nessa obra do artista plástico Iran do Espírito Santo, chamada Buraco de Fechadura. Feito de metal, em formato convexo, esse buraco de fechadura reflete a própria imagem de quem olha para ele. Se todo mundo tivesse um desse em casa, talvez as pessoas sofressem menos. E, talvez, a melhor solução seja não esperar nada de ninguém, pelo menos não antes de olhar pro nosso buraco de fechadura.

Ps: O espetáculo fica em cartaz até 2 de novembro, aos sábados e domingos, no Espaço dos Parlapatões. O texto do Mutarelli é excelente e a atuação do Nilton é sensacional. Imperdível mesmo. O mesmo texto também foi adaptado para o cinema, com a Simone Spoladori e o próprio Mutarelli atuando, mas não sei quando estréia. Aqui, só pra dar um gostinho.





sábado, 11 de outubro de 2008

Cada um na sua

Acreditar na verdade do que a gente pensa não implica querer impor nossas idéias a todos com zelo missionário. E aceitar que haja mais de uma verdade não significa ser cínico.
(Contardo Calligaris, na Ilustrada do dia 9 de outubro)

Folk this town


Foi na Folk This Town, há alguns meses, que eu conheci o Pedro Moreira, cantando sua música Faroleiro e Caçador, e me tornei fã dele. 

Agora ele volta, neste domingo, com um projeto solo, chamado Leão.

Leão é a estréia de Pedro Moreira em fase solo, com composições influenciadas por artistas como A silver mt. zion, Bill Callahan e Jards Macalé. Fazendo uma instrumentação simples e intuitiva para letras sarcásticas e/ou densas, Leão é um projeto aberto para a experimentação e o estranho. No repertório, canções originais e algumas covers, na formação, Pedro Moreira na guitarra elétrica e voz e Stan Molina (Os Telepatas) acompanhando com violão de náilon e vocais.

Aí vai uma das letras que ele acabou de me mandar e eu adorei.

minha criança você tem a febre dos leões
e eu que sou um deles também sei
da onde vem toda essa força
disfarçada de coragem

minha criança você é de uma inocência tão selvagem
me fez em partes sem notar
anota agora o que restou do meu orgulho  em seu caderno

ia servir de quê, te despertar para esta perda
que de tão minha virou mágoa
e de tão linda virou verso e de tão flúida virou água
que me moldou a paisagem
lavou o corpo e virou mar


Pra quem puder aparecer por lá neste domingo, vai valer a pena. Começa às 20h, no Bar B (Rua General Jardim, 43).



quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Quer a receita?

É, eu também sei cozinhar, tá? E essa sopinha que eu fiz agora ficou uma delícia. Muito boa mesmo. Huummmm
Ontem fiquei conversando com meu amigo João Gabriel sobre cozinhar, que também é uma forma de arte. Não é qualquer um que consegue combinar os sabores e as texturas de alimentos diferentes de um jeito que faça a gente ultrapassar o comer por necessidade e chegar ao verdadeiro prazer. Mas saber comer também é uma arte, tem que saber saborear. E isso, só quem gosta mesmo de comer sabe fazer. 
Eu adoro comer e adoro cozinhar. Mas nunca sigo receita. Às vezes uso alguma de base só pra ter uma idéia de que ingredientes combinar, mas medida nunca uso. No final acaba dando certo. Nessa sopa, que eu comentei com o João ontem e deu vontade de fazer, usei batata, calabresa, queijo parmesão ralado (mas tem que ser fresco, ralado na hora, não suporto esses de saquinho que têm cheiro de chulé), creme de leite, cebola e uns temperinhos que são a alma do negócio. Não me pergunte quanto de cada coisa porque nem eu sei...
Muito boa pra esse friozinho, principalmente acompanhada disso:

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Adoro!

O Dany Boy tirou essa foto de mim com o Peréio depois do show da banda Saco de Ratos Blues, no Teatro X, na terça-feira. Esse cara canta e dança muito!!
Aqui a banda tocando, ou melhor, se divertindo. Foi sensacional. Eles tocam toda terça-feira lá no Teatro X, ainda dá pra ir.
E aqui a Dri lendo os poemas do livro novo do Diniz, que o Mário "lançou" em cima dela.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Diniz

Ontem conheci um cara muito bacana. Um poeta e, segundo ele, um dos poucos homens românticos que ainda existem. :)
Ele acabou de publicar seu primeiro livro, Decalque. Aí embaixo dois dos poemas que mais gostei.

Margens de Vênus
equação dos sentidos 
conflui rios de si, silêncio
tai-chi na praça
do seu corpo

_

a cidade deserta 
lírica, imprecisa
um menino atrás do seu sonho
seu outubro
fugindo da maquinaria incessante 
de seus dias iguais

Diniz Gonçalves Júnior

Nossa, você é muito intensa

Foi  como um golpe de vento. Daqueles que arrepiam os pelos do braço e te fazem fechar os olhos. Passou de repente, mas foi tão forte que conseguiu levar embora meu coração.

Mas deixou o arrepio. Esse ficou, e ainda brinca no meu estômago toda vez que sinto sua voz falando meu nome.

Tá sendo mais difícil do que eu imaginava

Você fica aí tentando racionalizar as coisas, com essas suas teorias que nem você consegue aplicar. Pára com isso! 
Vai lá e grita, vomita tudo isso que tá aí preso no seu peito. Só assim essa dor de garganta vai passar. Pára de tentar se enganar, de falar que compreende. Não tem que entender nada, tem que sentir. Ninguém precisa ser forte o tempo todo. Eu sei que você não é tão segura quanto aparenta ser.
Olha bem pras suas fotos. Nelas dá pra ver que a felicidade é um véu quase transparente, tentando esconder o caos em que você se transformou. Só que agora é tarde demais pra voltar a ser o que era. Tudo o que você viu e fez transformou seu jeito de olhar pras coisas. Hoje tudo parece mais triste e, no fundo, você sabe que não há esperança. Então joga fora esse véu, porque ele está se transformando em um fardo que vai acabar te esmagando.
Usa as unhas pra rasgar o peito e os dedos pra arrancar o coração. Tá na hora de tomar uma atitude drástica. Quem sabe assim você consegue mostrar o que tem aí dentro? Quem sabe assim essas toneladas a mais que você carrega se desintegram e vão embora com o vento como dentes-de-leão?
 

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Tenho ouvido muito


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I tell you how I feel, but you dont care.
I say tell me the truth, but you dont dare.
You say love is a hell you cannot bare.
And I say gimme mine back and then go there - for all I care.

I got my feet on the ground and I dont go to sleep to dream.
You got your head in the clouds and youre not at all what you seem.
This mind, this body, and this voice cannot be stifled by your deviant ways.
So dont forget what I told you, dont come around, I got my own hell to raise.

I have never been insulted in all my life.
I could swallow the seas to wash down all this pride.
First you run like a fool just to be at my side.
And now you run like a fool, but you just run to hide, and I cant abide.

I got my feet on the ground and I dont go to sleep to dream.
You got this head in the clouds and youre not at all what you seem.
This mind, this body, and this voice cannot be stifled by your deviant ways.
So dont forget what I told you, dont come around, I got my own hell to raise.

Dont make it a big deal, dont be so sensitive.
Were not playing a game anymore, you dont have to be so defensive.
Dont you plead me your case, dont bother to explain.
Dont even show me your face, cuz its a crying shame.
Just go back to the rock from under which you came.
Take the sorrow you gave and all the stakes you claim -
And dont forget the blame.
I got my feet on the ground and I dont go to sleep to dream.
You got this head in the clouds and youre not at all what you seem.
This mind, this body, and this voice cannot be stifled by your deviant ways.
So dont forget what I told you, dont come around, I got my own hell to raise.

E não é?

Eu quero me molhar, mas você vem com o guarda-chuva

Eu quero andar pelos telhados 

E você olha pros dois lados antes de atravessar a rua

Eu gosto do sabor agridoce

Pra vocé, salgado é salgado

Quando a roda gigante pára e eu adoro a vista do alto

Vocé sente vertigem e precisa ter os pés no chão

Você já tem a viagem planejada, e eu só penso em sentir o vento no rosto

Eu quero que o mundo vá pro inferno

Você reza todas as noites antes de dormir

Eu saio sem vela, nem lanterna, nem farol

Tateando no escuro, sentindo a direção

Sua bússola mostra sempre o caminho certo

Me alimento das palavras, sensações e fluídos

Você toma um banho demorado

Seu bolo com receita sempre dá certo

Minha carne tem um gosto diferente a cada dia

Eu leio de trás pra frente, do meio pro fim, rabisco as páginas e rasgo

Suas revistas estão em ordem cronológica na estante

Eu me visto com a primeira fantasia amassada que sai do baú

Você escolhe a cor da camisa no arco-íris de brancos dos cabides

Eu vou voando

Você segue as placas

Eu sinto. Você pensa.

E assim a gente é feliz.

O menino está com sede e nós não temos laranjas

Ele não merece...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Rotina

A idéia é a rotina do papel
O céu é a rotina do edifício
O início é a rotina do final
A escolha é a rotina do gosto
A rotina do espelho é o oposto

A rotina do jornal é o fato
A celebridade é a rotina do boato
A rotina da mão é o toque
A rotina da garganta é rock

O coração é rotina da batida
A rotina do equilíbrio é a medida
O vento é a rotina do assobio
A rotina da pele é o arrepio

A rotina do perfume é a lembrança
O pé é a rotina da dança
Julieta é a rotina do queijo
A rotina da boca é o desejo

A rotina do caminho é a direção
A rotina do destino é a certeza
Toda rotina tem sua beleza


*Esse texto é de uma propaganda da Natura, copiei do blog da Priscila Nicolielo, que tá linkado aí do lado

Linha de Passe

Felizmente tenho a sorte de ter amigos que se preocupam comigo, não me deixam ficar jogada às traças em pleno domingo à noite e me convidam pra ir ao cinema. :)
Fui agora há pouco com meu amigo Luciano assistir Linha de Passe. Estava esperando a estréia há muito tempo, porque conheci o João quando eles estavam terminando as filmagens e fiquei curiosa pra vê-lo no cinema. No fim, acabei demorando para assistir, mas antes tarde do que nunca. Ainda estou pensando sobre o filme, acho que vou precisar assistir de novo. 
Sei que adorei a edição, a forma como foram montadas as cenas, relacionando referências dos universos dos cinco personagens. A Sandra está mesmo ótima, não preciso nem comentar, mas, pra mim, quem rouba a cena é o gracinha do Kaike Santos, que faz o irmão mais novo. Muito inteligente o menino, gente! Não sei de onde ele saiu, mas um menino novo daquele que consegue demonstrar com o olhar o que o personagem tá sentindo, não é qualquer coisa. Fora que é muito engraçado o jeito malandrinho e atrevido dele, desafiando os irmãos mais velhos. O José Geraldo, que faz o Dinho, o irmão evangélico, também está ótimo - surpreende quando vai do bonzinho ao louco de uma hora pra outra e consegue convencer muito bem nas cenas em que demonstra sua fé, também somente com o olhar. Sobre o João, eu prefiro não comentar, porque sou suspeita. 
Vários outros detalhes me chamaram a atenção, mas agora é muito tarde pra escrever sobre isso. Fica pra próxima. 
Aqui embaixo, uma foto que tirei sexta-feira com o "Denis", o motoboy canalha do filme, e meu querido amigo Albérico.

domingo, 5 de outubro de 2008

Que?

Eu não sou nada disso que você pensa...

Não chore por mim

Há algum tempo eu decidi que não iria chorar por ninguém nunca mais. Não iria mais sofrer por gostar de alguém. Acho que o amor tem que ser uma coisa boa e, à partir do momento que passa a não fazer bem, é melhor esquecer. 
Mas isso, de não chorar, não significa que eu decidi me proteger e não amar, ou que eu me recuse a sentir alguma coisa ou a arriscar. Na semana passada, dois amigos meus estavam conversando e um deles falou: "Eu já conheci alguns namorados da Vivian, todos muito bacanas, e o que eu acho legal é que ela sempre ama muito a pessoa. Pode ser que dure duas semanas, mas a gente percebe que naquele momento o que ela sente é verdadeiro, é real." Eu gostei de ouvir isso, porque realmente, quando eu estou com alguém, aquela pessoa passa a ser o motivo da minha vida. Nem que seja por uma hora, um dia, ou por anos. Já quebrei a cara várias vezes por isso, mas não me arrependo de nada. Adoro ser assim, não fico me resguardando, vivo a situação intensamente, me jogo de cabeça, e faço com que cada minuto em que eu estive com aquela pessoa seja valioso. Porque depois, se acabar, é a alegria e os momentos bons que tivemos que vão ajudar a me confortar. Se tem uma coisa que não suporto é ficar fazendo joguinho, do tipo: ah, não vou ligar porque ele que tem que me ligar primeiro, ou não vou sair com ele hoje porque ele não me ligou ontem ou porque vai achar que eu estou à disposição. Se eu estou com vontade, ligo, falo. Porque ninguém tem bola de cristal.
Mas esses dias uma imagem veio a minha cabeça. Imaginei que a cada decepção que a gente tem com o amor é feito um curativo no coração. Ele é enfaixado com uma espécie de tira de gaze. O natural seria tirar o curativo depois que tudo já estivesse cicatrizado. Mas tem gente que não consegue tirar nunca esse curativo e, a cada tristeza causada pelo amor, vai colocando mais uma faixa por cima. E, então, vai se formando uma camada tão espessa e dura, que fica cada vez mais difícil conseguir penetrar. Eu tenho medo que isso aconteça comigo um dia, porque geralmente a gente não percebe quando acontece. E aí a pessoa vai ficando amarga, triste, sem confiança nos outros e incapaz de se entregar.
Por falar em entrega, eu acho que isso é que é a essência do amor. Na quinta-feira, perguntei pro meu amigo Danny Boy qual era o segredo do amor, e ele me disse, entre outras coisas, que é quando alguém fala pro outro "eu sou seu". E esse eu sou seu significa essa entrega. Não existe cobrança, porque o que se sente é maior do que qualquer outra coisa que se possa esperar em troca. O amor de verdade é generoso, mas não é compreensivo. Porque compreensão exige um certo esforço e o amor verdadeiro não precisa de esforço, ele simplesmente aceita, existe e é. 
E acho que foi por isso que eu decidi não chorar mais. Porque se o que eu sinto me faz sofrer é porque eu estou esperando alguma coisa da outra pessoa que ela não está me dando ou não pode me dar. E se eu quero algo que ela não tem ou que ela não me dá por livre e espontânea vontade, não existe amor em algum dos lados e isso faz não valer a pena. Afinal, ninguém pode obrigar, forçar ou ensinar ninguém a amar. Porque o amor simplesmente é, ou não é.
Só pra dar um exemplo, esses dias assisti ao filme Os Desafinados. Uma história de amor, linda. As pessoas com quem conversei acharam um absurdo quando falei isso, talvez eu esteja muito errada mesmo, ou eu seja muito trouxa, mas o que achei lindo no filme é a história da Luiza (Alessandra Negrini), que é a mulher do Joaquim (Rodrigo Santoro). Ele é músico e, quando vai tocar com a banda nos EUA, deixa a mulher grávida no Brasil. Lá, ele se apaixona pela cantora Glória (Claudia Abreu) e eles começam a ter um caso. Só que o cara sofre, porque ele ama a mulher. Como assim? Ué, ele mesmo diz: "Eu amo a Luiza, mas eu estou apaixonado pela Glória." Acontece... A Luiza também ama muito o Joaquim, mas quando a banda volta pro Brasil ela percebe que rola alguma coisa entre ele e a cantora. Em uma cena eles estão gravando num estúdio, a Luiza está assistindo do lado de fora e vê o clima que rola entre o marido e a outra. E a Glória está cantando uma música que fala "Por isso mente pra mim, vai ser bem melhor saber que mentiu pra me salvar". Depois, o sofrimento do Joaquim com a situação aumenta, ele não quer mais enganar a mulher e vai contar tudo pra ela. Só que ela já sabe, e antes dele começar a falar ela interrompe e diz: eu te amo. E isso quer dizer: não precisa me falar nada, eu já sei de tudo, mas o que eu sinto por você é maior e mais importante que isso e eu vou continuar aqui do seu lado não importa o que aconteça. 
Tudo bem, traição é algo muito complicado, que envolve respeito, confiança, e muitas outras coisas. Não estou defendendo. Mas esse exemplo foi só pra dizer que o amor amor mesmo, supera qualquer coisa, sem cobranças. Pode não ser uma traição, pode ser algo que seria considerado um defeito, uma atitude que aos olhos dos outros, ou até aos nossos mesmos, se tomada por outra pessoa ou em outro momento, não seja considerada boa ou correta - desde apertar o tubo de pasta de dente no meio ou não levantar o assento da privada até sair, encher a cara e voltar bêbado de madrugada, sei lá. E se essa aceitação não acontece naturalmente, sem ser vista como um esforço, não vale a pena insistir, nem chorar. 
Mas se acontece, tem suas consequências e uma delas é a sinceridade. Se existe amor entre duas pessoas, existe confiança, porque já que existe aceitação mutua, não há necessidade de mentir. Já ouvi muito das minhas amigas e eu mesma já falei a frase "eu faço tudo por ele mas ele não enxerga isso e não faz nada por mim". Hoje eu acho que quando se ama, tudo o que se faz pelo outro não é considerado um sacrifício e nem é feito esperando uma retribuição ou reconhecimento.
Pode parecer tudo besteira e teoria, mas isso acontece e existe mesmo. Tá, eu sei que não é fácil... mas a gente tem que acreditar, dar chance pra acontecer e saber reconhecer... E parar de chorar quando não vale a pena.
  

Who loves the sun - The Velvet Underground

Who loves the sun? Who cares that it makes plants grow? Who cares what it does since you broke my heart?
Who loves the rain? Who cares that it makes flowers? Who cares that it makes showers since you broke my heart?

O problema é que vocês nunca conseguem entender o que a gente quer

"O problema é a hora do rush, o forno de microondas estragar quando você mais precisa dele, o problema é os caras que vendem carnês da felicidade, o problema é os filmes que saem de cartaz justamente quando eu decido assistir, o problema é o carro afogar no meio do trânsito, o problema, cara, é a gente nunca ter com quem dividir o guarda-chuva." 
Nossa vida não vale um chevrolet - Mário Bortolotto
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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Delicious II

Subject: Olá

Oi, tudo bem? Há quanto tempo, hein? Não queria incomodar, mas preciso te falar uma coisa. Na verdade, só estou escrevendo pra pedir pra você parar de invadir os meus sonhos como tem feito. Quem você pensa que é pra aparecer assim, sem avisar, de um jeito que você sabe que eu não tenho como impedir?
Eu respeitei, aceitei e até entendi quando a gente teve que se afastar, mas você voltar assim, agora, com essa frequência, enquanto eu estou dormindo, é covardia. Diria até que é de uma certa maldade da sua parte. Porque eu fico pensando que está tudo bem e que nada pode dar errado, mas aí acordo e vejo que você não está do meu lado. E isso me causa um segundo de dor, antes de voltar a enxergar a realidade e perceber que foi melhor assim. Porque depois o sofrimento seria maior, né?
Bom, era só isso que eu queria dizer. Se achar que deve, pode me ligar um dia. Mas um dia, uma noite não.
 

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Agora sim, tá!?

Vc é um pouco chata sim, pq vc sabe que você é interessantíssima...

E meu ego voltou ao normal! :)

Delicious!

Ninguém é de ferro...

No msn, de um amigo:
Uai q carencia toda é essa, dona Vivian? Vc sempre foi tão decidida, dona de si e etc etc etc...

Mais sobre Cão sem dono

Fiquei pensando em outras coisas sobre o filme e me dou vontade de escrever mais. Duas cenas me chamaram muito a atenção. Só pra dar pra entender, no começo um cão de rua começa a seguir Ciro até a casa dele e ele acaba adotando o bichinho. 

Em uma das cenas, Ciro está almoçando com os pais e a mãe pergunta se ele deixa o cachorro dele sozinho em casa quando sai. Ele diz que o cachorro fica na rua, porque é um cão de rua. E a mãe fala que quando um cachorro tem dono, o dono cuida dele. Ciro responde que não é dono do cão, é só um amigo. O cara se exime de qualquer responsabilidade quando diz isso. Quer dizer, o cachorro tá lá com ele porque quer, ele faz o que pode, mas é cada um por si. E aí está refletida também a relação que ele tem com Marcela. Se ela aparece na casa dele é porque ela quer. Ele não sabe nada da vida dela, e nunca demonstrou o menor interesse em saber, onde ela mora, onde ela trabalha, nunca telefonou. 

Em outra cena Marcela pede pra ele fazer uma poesia pra ela e ele começa a falar: Marcela, linda, gostosa, deliciosa. Então ela diz: Isso é óbvio, lê a minha alma. Raiva. Há tempos ela estava ali perto dele e tudo o que ele conseguia ver era como ela era bonita e gostosa. O cara não enxerga nada além do seu próprio umbigo mesmo. Mas, aqui se faz e aqui se paga. Depois ele percebe o quanto ela era importante na vida dele, só que é tarde demais e ele sofre. Sofre muito.  Mas nunca é tarde para aprender, né?
  

terça-feira, 30 de setembro de 2008

É assim que as pessoas chegam até aqui...

Essas são as frases que alguns infelizes procuraram no google para chegar até esse blog:

onde comprar rapadura barata
casamento sexo enjoa
o que é amargo?
pollyana – fiume
amigos rescente
significado eldo
objetivos para trabalhar com frutos em sala de aula
amor coisa mais romantica do mundo
poliana sao luis de montes belos

Só rindo, né?

Cão sem dono



Acabei de assistir Cão sem dono, dirigido pelo Beto Brant e pelo Renato Ciasca. Já queria assistir há algum tempo e hoje descobri sem querer que tinha conseguido baixar da internet e ele estava aqui guardado no meu computador, como que esperando a hora certa pra ser assistido. 
Há pouco tempo, li o livro que inspirou o filme, Até o dia em que o cão morreu, do Daniel Galera. Esses escritores gaúchos são muito bons (acho que já falei alguma coisa aqui sobre o Reginaldo Pujol Filho, que escreveu Azar do personagem, um excelente livro de contos). O Daniel já é reconhecido como um dos melhores escritores de sua geração, um dos que melhor retrata o pensamento e o modo de vida dos jovens de 20 e poucos a 30 anos. Daqui há cinqüenta anos, vão ler um livro dele e saber exatamente como a gente era, como vivia e quais eram as nossas expectativas. Ou falta de expectativas. É sobre isso que ele fala nesse livro. Um cara formado em letras, que se diz tradutor, mas não trabalha, mora sozinho em um apartamento sem móveis, é sustentado pelo pai e não tem a menor perspectiva de mudar de vida. Ele diz que seguiu sua vida na inércia – escola, cursinho, faculdade, trabalho – só que essa parte era mais difícil do que ele imaginava. Ou ele simplesmente não tinha vontade nem ânimo algum para continuar. A vidinha solitária, fechado no apartamento, era suficiente pra ele. Até que aparece a modelo Marcela, cheia de sonhos e expectativas, e ele subestima tudo o que ela deseja e tudo o que ela é e quer ser. Inclusive o que ela sente por ele. A indiferença dele perante a vida é a mesma que ele tem perante ela. Assim como o cão, que o segue até sua casa por espontânea vontade e ele o aceita, Marcela é tratada como se sua presença ali não fizesse a menor diferença. Até que as coisas mudam, muda a situação e ele também muda.
No filme senti falta de uma certa raiva de tudo isso que Marcela parece ter no livro. Ela é muito mais passiva no cinema. Por outro lado, o sofrimento do cara quando sente que pode perdê-la é muito mais presente no filme, e isso eu gostei. A gente só da valor depois que perde mesmo, né?
Mas, voltando a falta de perspectivas, acho que a gente sempre viveu essa inércia e sempre foi assim. Todo mundo já tem o seu destino traçado desde quando nasce e esse destino vai sendo incutido nas nossas cabecinhas desde crianças. As perspectivas que a gente tem não são realmente nossas, elas nos foram contadas em historinhas ao longo da vida e acabamos por absorvê-las. Será que existe alguém que seja realmente livre? Que tenha feito suas próprias escolhas, mesmo depois de passar por toda essa lavagem cerebral? Acho que existe sim, mas com certeza essa pessoa é considerada louca ou anormal.
Pra que enfrentar tudo isso se eu posso ficar trancado no meu apartamento vendo a vida passar da janela? Ou por que ficar vendo a vida passar da janela se eu posso ir lá e fazer alguma coisa acontecer do meu jeito? A escolha é minha. Será?

Tks

Às vezes, a gente não percebe como consegue iluminar o dia de outra pessoa apenas sendo a gente mesmo. Eu realmente tenho essa sorte, de estar rodeada por pessoas tão especiais, que aparecem de repente e, mesmo sem perceberem, conseguem transformar os dias chuvosos e as maiores tempestades em manhãs ensolaradas e tardes azuis, nas quais posso sentir o calor na pele e o vento batendo no rosto. E isso dá aquela sensação de que realmente vale a pena viver.

Boa Sorte - Vanessa da Mata

Tudo o que quer me dar é demais, é pesado, não há paz. Tudo o que quer de mim, irreais expectativas desleais. Mesmo, se segure, quero que se cure dessa pessoa que o aconselha. Há um desencontro, veja por esse ponto, há tantas pessoas especiais...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Reduce, reuse recycle



Eu pedi pra você não soltar a minha mão, e você soltou. Mas e daí? Tudo hoje em dia é descartável mesmo... e isso é tão mais prático, né? Dá até pra reciclar. 
Mas eu preferia o tempo em que as coisas eram vendidas a granel e os sacos de supermercado eram de papel kraft. Tão mais bonito e romântico!

2046 - Wong Kar Wai

Love is a matter of timing. You think it will work out, but it will often end up otherwise.

Hum?

Arte é aquilo que dá um arrepio e faz seu coração disparar, sem você saber exatamente o por quê. E prende seu olhar, e transforma o seu jeito de ver o mundo, mesmo quando você já não está mais olhando pra aquilo.

É assim?

Então essa é a sensação de se estar só? Olhar pros lados e não enxergar ninguém que se pareça com você? É querer falar, mas não ter ninguém por perto que entenda o que você quer dizer? Só que isso faz tanto tempo que você já esqueceu o que tinha que ser dito...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Tired

Putz, não respondeu nenhuma mensagem minha hoje, hein, cara! Enquanto faço café na cozinha, escuto o homem no hall do elevador, falando no celular. Não respondi mesmo... e nem atendi seus telefonemas, e nem respondi seus e-mails, e te ignorei no msn e te apaguei do meu orkut. E sei que você também já fez isso comigo, mas eu era outra pessoa, ou outras. Então quem você pensa que é pra me questionar? Eu não quero cobrar nada, sei que não tenho esse direito. Não espero nenhuma atitude. Só quero uma resposta, um sinal de vida. Sem jogos, sem disfarces, sem mentiras. Já sou bem grande pra saber lidar com a verdade. Mas e você? Agiu assim quando esperavam isso de você? Você também já omitiu, desligou o celular, fingiu que não tinha visto. Tá bom, eu sei que é difícil lidar com a verdade. Mas a dúvida é que nem uma lixa que fica raspando dentro do estômago, e às vezes dói, às vezes arde e às vezes faz cócegas e dá aquele frio na barriga quando o telefone toca e o seu nome aparece online. É, mas eu estou com outra pessoa. E é de propósito que eu escolho as respostas que sei que você não quer. Se você brincou comigo, agora eu também entrei no jogo. Vamos ver quem aguenta por mais tempo. Jogo? Eu não sei jogar. Não tenho sorte nessas coisas. Foi tudo um mal entendido. Não era isso que eu queria dizer. Não era isso que eu queria calar. Era o que eu queria dizer mas não disse. Achei que era isso que você esperava. Mas eu não sei medir minhas palavras. E eu não sabia medir o que eu sinto. Mas agora eu sei. E só vou dar isso pra quem merece e o quanto merece. E o quanto pode me dar em troca. Ou tudo, ou nada.

domingo, 21 de setembro de 2008

Senhora - José de Alencar

Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. 

Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. 

Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade. Era rica e formosa. 

Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante. 

Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da Corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira o seu -fulgor?