terça-feira, 28 de outubro de 2008

Amor, vontade e respeito

Ontem fui assistir a entrega do Prêmio Bravo! Prime de Cultura, na Sala São Paulo, que homenageia os melhores artistas e produtos culturais do ano, em várias categorias - literatura, artes plásticas, cinema, teatro, dança, música popular, música erudita - e ainda elege a instituição com a melhor programação cultural e a personalidade artística do ano.

Tudo muito chique, num lugar maravilhoso, um coquetel delicioso, proseco e um monte de gente desconhecida. Pedi socorro pro João Gabriel, que estava louco tendo que dar atenção a todos na festa, e ele me apresentou uma menina que começou a contar na roda com dois caras sobre a fantasia de vale-refeição que usou em uma festa e que era um vestido tomara que caia curtíssimo. Engraçado, mas no patience. Mas depois ele me apresentou a Nina Becker e um pessoal com uma conversa mais interessante. ;)

A premiação foi linda e emocionante. Lázaro Ramos foi o anfitrião e Nina e Catatau apresentaram músicas com arranjos que misturavam o pop e o erudito, seguindo o conceito da revista de que todo tipo de cultura deve ser disseminada e de que é possível que convivam lado a lado, nas páginas e nos palcos.

Gostei muito do prêmio de melhor espetáculo ter ido para Não Sobre o Amor, do Felipe Hirsch, que eu assisti e achei maravilhoso. E foi lindo ver a Arieta grávida indo receber o prêmio.

O bailarino Ivaldo Bertazzo, que entregou o prêmio de melhor espetáculo de dança, contou uma história que me tocou, também. Disse que um coreógrafo passava as noites em claro, aflito, pensando que não poderia criar mais nada, pois todos os movimentos de dança já tinham sido inventados. Então, foi abrir a garrafa de café e dali saiu um gênio, que disse que os movimentos são infinitos e sempre é possível criar algo novo. E assim ele retomou a coragem e a criatividade para criar. Acho que todas as artes são assim, infinitas e inesgotáveis, pois cada pessoa é única e cada artista tem um olhar diferente sobre o mundo. E é nessa individualidade, nas inúmeras e singulares formas de despertar algo em quem vê, é que está a beleza da arte.

O Wagner Moura, que hoje é visto como celebridade, mostrou em seu discurso de agradecimento pelo prêmio de artista Prime do ano, que é realmente um artista e não deixou de ser. Emocionado, agradeceu aos atores que dignificam a profissão, citando Paulo Autran, Raul Cortez, Fernando Torres, Derci Golçalves, mas sem esquecer dos artistas de teatro de rua, de teatro infantil, dos que ficam esperando para fazer testes de comercial, que ralam para conseguires sobreviver da arte que amam, e aos que estão no Retiro dos Artistas.

Também foi emocionante ver o violoncelista Dimos Goudaroulis receber o prêmio de melhor CD de música erudita. Ele disse que não esperava, pois é relativamente jovem (tem 38 anos), estava concorrendo com artistas mais experientes que admirava muito e gravou o CD meio que de improviso, na casa de um amigo produtor. Ele agradeceu aos seus professores, citando o nome de todos, demonstrando reconhecimento e gratidão. Eu pouco conheço de música erudita e não ouvi nenhum dos CDs que concorreram, mas tenho certeza de que o merecimento de Goudaroulis vem justamente do respeito e do amor que pareceu ter pelo que faz. Mesmo que gravado em três dias, como ele disse, o sentimento e a vontade de fazer que ele deve ter colocado nesse disco, valem por toda uma eternidade.

Foi uma honra poder me sentir entre pessoas que ainda acreditam que é possível fazer arte de forma respeitosa e séria, mesmo com tantas dificuldades e mesmo com a desvalorização que têm que enfrentar. Eu tenho convivido com artistas e vejo que não é nada, nada fácil. Acho muito triste ver que a maioria das pessoas vê a arte como algo supérfluo e de segundo plano, como se fosse um mero entretenimento. E que valorizam mais as imagens do que as idéias. Tentar mostrar o contrário é quase sempre dar soco em ponta de faca, mas ontem vi que ainda tem gente que não desiste, acredita e trabalha pra isso e senti o significado das palavras amor, vontade e respeito.

Ps: Tudo bem que o
Minczuk fez um lindo trabalho na OSB e já sofreu muito com polêmicas e historinhas, pelo que sei. Mas ainda acho que a personalidade do ano tinha que ser o Niemeyer, pois foi ele que nos ensinou que "A data não é importante. A idade não é importante. O tempo não é importante. A arquitetura não é importante. O que nós criamos não é importante. Somos muito insignificantes. O que é importante é ser tranqüilo e otimista." ;) Pra quem não sabia, essa frase sábia que eu vivo repetindo, é dele. Ah, também protesto pelo Santiago (o filme mais lindo do mundo) não ter sido escolhido como melhor filme no lugar de Tropa de Elite...

Estes foram os ganhadores:

Melhor exposição: Vik Muniz, com a obra The Beautiful Earth.
Melhor espetáculo: Não Sobre o Amor, dirigida por Felipe Hirsch.
Melhor livro: O Filho Eterno, de Cristovão Tezza.
Melhor espetáculo: Vi-Vidas, de Sônia Mota.
Melhor filme nacional: Tropa de Elite, de José Padilha.
Melhor CD erudito: CD Bach - 3 Suítes para Violoncelo Solo, de Dimos Goudaroulis.
Melhor CD popular: Conecta, de Marcos Valle.
Melhor show: Obra em Progresso, de Caetano Veloso.
Personalidade cultural do ano: Roberto Minczuk, pela revitalização da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB).
Melhor programação cultural: Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Artista Prime do ano: Wagner Moura, pelas atuações na novela Paraíso Tropical, como Olavo, e no filme Tropa de Elite, como Capitão Nascimento.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Só mais uma coisa

E ontem acabaram as Satyrianas. Não consegui ver tudo o que tinha programado, mas me diverti, conversei com muita gente e falei muita merda também.
Aconteceu uma coisa engraçada. Sábado fui assistir de novo Nossa vida não vale um Chevrolet. Dessa vez tive a cara de pau de pedir um convite, coisa que não gosto de fazer. Na fila encontrei o Edinho e um outro cara que eu não lembro o nome. Quando entramos, eu queria sentar na primeira fila, mas um cara mais velho tinha guardado um monte de lugar e só tinha poltrona vaga lá no cantinho. Eu nem aí, fui e sentei do lado dele. Aí aconteceu o seguinte:
- Moça, eu tô guardando esse lugar.
- Mas eu quero sentar aqui e eu cheguei antes.
- Mas minha amiga tá vindo e eu guardei pra ela.
- Mas eu quero sentar aqui na frente.
Aí o Edinho me chamou e eu mudei de lugar, contrariada, e ele disse:
- Aquele ali é o Neville, aquele cineasta.
- Ah, e daí, só porque ele é cineasta acha que pode reservar lugar. Eu quero sentar ali, aqui tá muito no canto, droga. Vai guardar lugar na casa da mãe Joana.
Ai o caa me chamou e disse:
- Minha amiga não vem mais, pode sentar aqui.
E eu sentei do lado dele. Eu já quase decorei as falas desse espetáculo, que eu adoro. Algumas situações são muito foda e de tão tristes são engraçadas. Ou são simplesmente engraçadas mesmo. E eu dou muita risada sempre que assisto. E dessa vez nao foi diferente. Só sei que quando acabou, o Neville veio falar comigo e disse que gostou da minha reação. E disse que queria que eu fosse assistir ao filme dele que ia passar na Mostra. Ontem ele me ligou, mas já tava muito em cima da hora pra conseguir pegar o filme. Uma pena, queria ter assistido mesmo, mas acho que terei outras oportunidades.
No fim, achei o cara bem bacana. Espero que ele me ligue mesmo quando voltar a São Paulo e que a gente se encontre de novo.
E fiquei pensando, por mais que eu tente, não consigo ser diferente do que eu sou.

Danger!

A melhor coisa a fazer para não decepcionar é tentar não criar expectativas.

O amor é foda

Eu não sei se eu acredito em amor. Tenho uma forte tendência a pensar que a gente geralmente precisa ficar com outra pessoa por se sentir inseguro sozinho, ou pra fortalecer nosso ego, pra se auto-afirmar, porque é bom saber que alguém precisa da gente. As relações normalmente são estabelecidas na base da dependência - eu preciso de você e você precisa de mim, sem isso somos incompletos.
Não sei se isso é saudável. É ótimo ter companhia e carinho, mas também é bom poder se sentir bem sozinho, não precisar do outro para ser feliz.
Acho que por causa desse negócio de auto-afirmação é que as pessoas sempre são atraídas pelo que é mais difícil. Como se pensassem: se eu não conquistar isso, não sou nada. E quando não dá certo ficam mal, sentindo que têm algum problema.
Há pouco tempo uma amiga minha foi em uma festa e ficou com um cara, depois tivemos mais ou menos essa conversa:


amiga: Ele é lindo, super gostoso, mas é um galinha e um cabeça oca. Foi só pra dar uns beijos mesmo.
eu: Ah, legal. Cara burro não dá mesmo.
5 minutos depois
amiga: Ai, Vi, entrei no orkut dele e vi que ele tem namorada! Cachorro! Filho da puta.
eu: Ah, mas você disse que não queria nada com ele mesmo, deixa pra lá.
amiga: Mas é que eu tava lembrando, foi tão gostoso ontem, acho que tô apaixonada por ele.

Não sei se isso é um tipo de masoquismo. Ou uma forma de defesa de alguém mal resolvido que tem medo de manter um relacionamento. Ou auto-afirmação mesmo - Qual é o problema comigo? Porque ele prefere a namorada e não eu?

Só sei que eu estou percebendo essa tendência em mim. Por mais que eu saiba que uma coisa não tem a mínima condição de dar certo, insisto. É uma obsessão. O que é mais difícil é mais gostoso, né?

E é difícil parar de pensar nele, lembrar do jeito que ele olha de soslaio, de como parece sempre estar sério, ou triste, ou mau-humorado. Talvez seja apenas um desafio... Mas tá difícil...

Enquanto isso, ouço:
Sai fora que encheu o saco, acha um panaca pra te dar um trato. Vai procurar tua tribo, nesse quarto tu corre perigo. (...) Não me beije mais, nem tente... eu te amo, sai da minha frente. (Tempo Instável - Maestro Amalfi e Mário Bortolotto / Tempo Instável)

domingo, 26 de outubro de 2008

Bons Fluidos


Escrevi uma matéria sobre a Beatriz Milhazes para a revista Bons Fluidos que foi publicada este mês.

Para ver, clique aqui.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Esse jazz é demais

Se você fica ou vai
Tanto faz...

(Jazz demais - Tempo Instável)

Borboletas

"Não há em mim infelizmente nem um sábio, nem um filósofo. Quer dizer, não sou um desses homens seguros e úteis, destinados por temperamento às análises secundárias que se chamam ciências e que consistem em reduzir uma multidão de fatos esparsos a tipos e leis particulares, por onde se explicam modalidades do universo” (Correspondência de Fradique Mendes, Obras Completas de Eça de Queiroz)

Reflexão

Meu amigo Lucas levantou em seu blog uma questão muito interessante sobre o público de teatro.
Leia aqui.

Não deixe isso vencer você

E, de repente, o medo tomou conta de mim. Um tombo na sala, sangue, uma garrafa estilhaçada no chão. Sangue no teclado. E ninguém por perto.
Não ouço vozes, só o barulho da torneira pingando. Nenhuma música. Ninguém por perto. E todo mundo ao mesmo tempo.
Não quero falar, mas eu sei. Arrepio.
Não era aqui que eu devia estar agora, mas eu sei que não devo.
No fundo, isso tudo é besteira... Quero acreditar... Não vou dormir.

domingo, 19 de outubro de 2008

Já que você tá dizendo...

Acho, até, que todas as pessoas são sempre fracassadas. Porque tudo é passageiro, ilusório, o fracasso está sempre ali. As pessoas gostam de pensar que estão fazendo algo com sentido para sua existência, mas tudo é muito acidental.

(Lourenço Mutarelli, em entrevista ao jornal O Globo, aqui)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Sabe uma dúvida que eu tenho?

Se eu gosto de rock porque já tava no meu dna ou se eu que resolvi gostar daquilo porque achei legal.

Melodrama blues

"Algumas pessoas acabam se encontrando. E é como se conhecessem desde sempre. Algumas pessoas desistiram de botar suas fichas na máquina e choram assistindo People and Arts de madrugada. E cultivam milhões de novidades pra dizer umas às outras. Algumas pessoas "jogaram fora o guardanapo pra comer com a mão". Fazer o quê. Algumas pessoas decidiram se sofisticar. E produzem coisas importantes. E detestam o trabalho solo do Frejat. Algumas pessoas espremem o cérebro e se divertem. E bolam apelidos engraçados pras pessoas. E nutrem idéias mirabolantes. E seus sonhos grisalhos. E seus blogs sangrando. Algumas pessoas são capazes de elogios desconcertantes. E nunca esquecem o final da piada. E citam cenas inteiras de seus filmes preferidos. E racham garrafas de conhaque só pra assistir ao show dos Bêbados Habilidosos. Que resolveram tocar suas ilíadas vagabundas quase clandestinamente. Assim. Apenas pra algumas pessoas. Que riem de si mesmas como se rezassem. Que insistem em recolher as peças só pra espalhá-las de novo. Algumas pessoas que construíram isso como operárias do próprio privilégio. Que custa caro. As coisas que importam. E as que não se explicam. Algumas pessoas se debatem pra não descuidar da defesa mas desde há muito descobriram que só sabem jogar no ataque. E permanecem saudavelmente inquietas mesmo se o time estiver ganhando. Algumas pessoas se emocionam. E deixam o melhor do seu abandono em cada abraço que fica. Algumas pessoas realmente direcionaram suas vidas. E subiram nos ombros dos seus ídolos e dos seus medos pra poder enxergar depois do muro. Só pra ver aonde a bola caiu. E continuar brincando. Desfrutar desse indescritível prazer que é chutá-la mais longe". 

(Marcelo Montenegro)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Delicadeza

A Priscila Nicolielo é uma jovem dramaturga que me conquistou pela sensibilidade e poesia do seu texto "Entulho", sobre o qual já escrevi aqui, e depois pelos posts de seu blog, sempre cheios de delicadeza, mas fazendo a gente pensar. 

No dia 25 de outubro, ela vai apresentar o texto "O rosto da vizinha da cama indiscreta", no DramaMix, das Satyrianas. Segundo ela diz no blog, "fala das relações superficiais que algumas pessoas escolhem levar" e será dirigido pelo Ruy Filho.

Eu tive a chance de presenciar uma primeira leitura informal no domingo, no Parlapatões, e digo que vai valer a pena assistir.

O ROSTO DA VIZINHA DA CAMA INDISCRETA - Sábado (25 de outubro), às 10h, na Praça Roosevelt

88 dicas para eles

Do blog da minha amiga Carol, ótimas dicas para os homens. 
Leiam, divirtam-se e façam bom proveito. Aqui.

A essa hora?

Que tal sair do piloto automático e começar a sentir um pouco mais? As pessoas também existem quando não estão por perto, mesmo que você não se lembre disso. 
É, eu sei, eu também preciso aprender...
Mas eu tenho comido minha salada por partes: primeiro só o tomate, depois só a cenoura, depois só a batata... pra poder saber que gosto cada coisa tem. E descobri que a fumaça dos cigarros sempre dança no ritmo da música que está tocando. E quando eu olho o sangue no asfalto da menina que se jogou pela janela do prédio, sinto o calafrio da queda. 
Mas nada disso importa... A gente precisa correr pra pegar o ônibus e não se atrasar pro trabalho, e não dá tempo de parar pra descobrir porque o cachorro late tanto pro menino deitado no chão. E, mesmo que você grite na janela, o barulho do trânsito vai abafar a sua voz. No máximo, seu eco vai ser ouvido pelos loucos, mas esses nunca vão conseguir ser felizes de verdade.

Pra que viver então?

Eu posso não mudar o mundo, mas se conseguir mudar o jeito de uma única pessoa olhar pras coisas já tá bom. Nem que essa pessoa seja eu mesma.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Vê se pára de pensar bobagem!


Dá pra confundir o amor com o ódio?
Essa é a pergunta que a personagem da Maria Manoela faz pro seu agente, representado pelo Nilton Bicudo, no excelente espetáculo O Natimorto - Um Musical Silencioso, do Lourenço Mutarelli, dirigido e adaptado pelo Mário Bortolotto, que assisti domingo.
Eles estão falando sobre cartas de tarô, e ele responde que sim, porque as figuras que representam ambos os sentimentos são muito parecidas.
Na peça, o cara propõe a ela que fiquem trancados num quarto de hotel, vivendo sozinhos para que se protejam do mundo e protejam um ao outro. Acho que isso tem a ver com o ódio que nasce do amor. Às vezes a gente ama tanto alguém que queria poder ter essa pessoa só pra gente, fechados e protegidos o tempo todo, mas como isso é impossível, a gente se sente impotente e passa a odiar o amor que sente. E a odiar a outra pessoa e a odiar a gente mesmo por sentir aquilo. Porque às vezes, o que a gente sente é mais forte do que a nossa vontade. Há algum tempo escrevi sobre um cara por quem estava apaixonada: "Eu o odiei quando percebi que estava me fazendo perder o controle." E essa sensação é pior quando a gente não é correspondido. 
Hoje eu tive um dia ruim. Fiquei pensando que a gente sempre cria expectativas sobre outras pessoas e nem sempre elas estão prontas para supri-las. Na verdade, acho que quase nunca as pessoas atingem nossas expectativas. Por que a gente quer que elas façam o que a gente faria, só que nessas horas a gente não vê que também não faria aquilo se estivesse no lugar delas, se é que já não estivemos. Quantas pessoas a gente já não decepcionou simplesmente por estar olhando pra outro lado no momento em que ela estava olhando pra gente?
Quando o agente propõe que eles se isolem do mundo, a cantora diz: mas não é egoismo da sua parte, já que minha voz é tão maravilhosa, privar as outras pessoas de ouvi-la? E então o cara se tranca e ela continua saindo, investindo na carreira e querendo mostrar sua voz para o mundo. Mas será que ela também não está sendo egoísta? Em vez de dar o melhor de si para alguém que queria protegê-la, prefere ter uma platéia cheia de gente para aplaudi-la.
Isso me fez pensar nessa obra do artista plástico Iran do Espírito Santo, chamada Buraco de Fechadura. Feito de metal, em formato convexo, esse buraco de fechadura reflete a própria imagem de quem olha para ele. Se todo mundo tivesse um desse em casa, talvez as pessoas sofressem menos. E, talvez, a melhor solução seja não esperar nada de ninguém, pelo menos não antes de olhar pro nosso buraco de fechadura.

Ps: O espetáculo fica em cartaz até 2 de novembro, aos sábados e domingos, no Espaço dos Parlapatões. O texto do Mutarelli é excelente e a atuação do Nilton é sensacional. Imperdível mesmo. O mesmo texto também foi adaptado para o cinema, com a Simone Spoladori e o próprio Mutarelli atuando, mas não sei quando estréia. Aqui, só pra dar um gostinho.





sábado, 11 de outubro de 2008

Cada um na sua

Acreditar na verdade do que a gente pensa não implica querer impor nossas idéias a todos com zelo missionário. E aceitar que haja mais de uma verdade não significa ser cínico.
(Contardo Calligaris, na Ilustrada do dia 9 de outubro)

Folk this town


Foi na Folk This Town, há alguns meses, que eu conheci o Pedro Moreira, cantando sua música Faroleiro e Caçador, e me tornei fã dele. 

Agora ele volta, neste domingo, com um projeto solo, chamado Leão.

Leão é a estréia de Pedro Moreira em fase solo, com composições influenciadas por artistas como A silver mt. zion, Bill Callahan e Jards Macalé. Fazendo uma instrumentação simples e intuitiva para letras sarcásticas e/ou densas, Leão é um projeto aberto para a experimentação e o estranho. No repertório, canções originais e algumas covers, na formação, Pedro Moreira na guitarra elétrica e voz e Stan Molina (Os Telepatas) acompanhando com violão de náilon e vocais.

Aí vai uma das letras que ele acabou de me mandar e eu adorei.

minha criança você tem a febre dos leões
e eu que sou um deles também sei
da onde vem toda essa força
disfarçada de coragem

minha criança você é de uma inocência tão selvagem
me fez em partes sem notar
anota agora o que restou do meu orgulho  em seu caderno

ia servir de quê, te despertar para esta perda
que de tão minha virou mágoa
e de tão linda virou verso e de tão flúida virou água
que me moldou a paisagem
lavou o corpo e virou mar


Pra quem puder aparecer por lá neste domingo, vai valer a pena. Começa às 20h, no Bar B (Rua General Jardim, 43).



quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Quer a receita?

É, eu também sei cozinhar, tá? E essa sopinha que eu fiz agora ficou uma delícia. Muito boa mesmo. Huummmm
Ontem fiquei conversando com meu amigo João Gabriel sobre cozinhar, que também é uma forma de arte. Não é qualquer um que consegue combinar os sabores e as texturas de alimentos diferentes de um jeito que faça a gente ultrapassar o comer por necessidade e chegar ao verdadeiro prazer. Mas saber comer também é uma arte, tem que saber saborear. E isso, só quem gosta mesmo de comer sabe fazer. 
Eu adoro comer e adoro cozinhar. Mas nunca sigo receita. Às vezes uso alguma de base só pra ter uma idéia de que ingredientes combinar, mas medida nunca uso. No final acaba dando certo. Nessa sopa, que eu comentei com o João ontem e deu vontade de fazer, usei batata, calabresa, queijo parmesão ralado (mas tem que ser fresco, ralado na hora, não suporto esses de saquinho que têm cheiro de chulé), creme de leite, cebola e uns temperinhos que são a alma do negócio. Não me pergunte quanto de cada coisa porque nem eu sei...
Muito boa pra esse friozinho, principalmente acompanhada disso:

MixwitMixwit make a mixtapeMixwit mixtapes


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Adoro!

O Dany Boy tirou essa foto de mim com o Peréio depois do show da banda Saco de Ratos Blues, no Teatro X, na terça-feira. Esse cara canta e dança muito!!
Aqui a banda tocando, ou melhor, se divertindo. Foi sensacional. Eles tocam toda terça-feira lá no Teatro X, ainda dá pra ir.
E aqui a Dri lendo os poemas do livro novo do Diniz, que o Mário "lançou" em cima dela.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Diniz

Ontem conheci um cara muito bacana. Um poeta e, segundo ele, um dos poucos homens românticos que ainda existem. :)
Ele acabou de publicar seu primeiro livro, Decalque. Aí embaixo dois dos poemas que mais gostei.

Margens de Vênus
equação dos sentidos 
conflui rios de si, silêncio
tai-chi na praça
do seu corpo

_

a cidade deserta 
lírica, imprecisa
um menino atrás do seu sonho
seu outubro
fugindo da maquinaria incessante 
de seus dias iguais

Diniz Gonçalves Júnior

Nossa, você é muito intensa

Foi  como um golpe de vento. Daqueles que arrepiam os pelos do braço e te fazem fechar os olhos. Passou de repente, mas foi tão forte que conseguiu levar embora meu coração.

Mas deixou o arrepio. Esse ficou, e ainda brinca no meu estômago toda vez que sinto sua voz falando meu nome.

Tá sendo mais difícil do que eu imaginava

Você fica aí tentando racionalizar as coisas, com essas suas teorias que nem você consegue aplicar. Pára com isso! 
Vai lá e grita, vomita tudo isso que tá aí preso no seu peito. Só assim essa dor de garganta vai passar. Pára de tentar se enganar, de falar que compreende. Não tem que entender nada, tem que sentir. Ninguém precisa ser forte o tempo todo. Eu sei que você não é tão segura quanto aparenta ser.
Olha bem pras suas fotos. Nelas dá pra ver que a felicidade é um véu quase transparente, tentando esconder o caos em que você se transformou. Só que agora é tarde demais pra voltar a ser o que era. Tudo o que você viu e fez transformou seu jeito de olhar pras coisas. Hoje tudo parece mais triste e, no fundo, você sabe que não há esperança. Então joga fora esse véu, porque ele está se transformando em um fardo que vai acabar te esmagando.
Usa as unhas pra rasgar o peito e os dedos pra arrancar o coração. Tá na hora de tomar uma atitude drástica. Quem sabe assim você consegue mostrar o que tem aí dentro? Quem sabe assim essas toneladas a mais que você carrega se desintegram e vão embora com o vento como dentes-de-leão?
 

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Tenho ouvido muito


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I tell you how I feel, but you dont care.
I say tell me the truth, but you dont dare.
You say love is a hell you cannot bare.
And I say gimme mine back and then go there - for all I care.

I got my feet on the ground and I dont go to sleep to dream.
You got your head in the clouds and youre not at all what you seem.
This mind, this body, and this voice cannot be stifled by your deviant ways.
So dont forget what I told you, dont come around, I got my own hell to raise.

I have never been insulted in all my life.
I could swallow the seas to wash down all this pride.
First you run like a fool just to be at my side.
And now you run like a fool, but you just run to hide, and I cant abide.

I got my feet on the ground and I dont go to sleep to dream.
You got this head in the clouds and youre not at all what you seem.
This mind, this body, and this voice cannot be stifled by your deviant ways.
So dont forget what I told you, dont come around, I got my own hell to raise.

Dont make it a big deal, dont be so sensitive.
Were not playing a game anymore, you dont have to be so defensive.
Dont you plead me your case, dont bother to explain.
Dont even show me your face, cuz its a crying shame.
Just go back to the rock from under which you came.
Take the sorrow you gave and all the stakes you claim -
And dont forget the blame.
I got my feet on the ground and I dont go to sleep to dream.
You got this head in the clouds and youre not at all what you seem.
This mind, this body, and this voice cannot be stifled by your deviant ways.
So dont forget what I told you, dont come around, I got my own hell to raise.

E não é?

Eu quero me molhar, mas você vem com o guarda-chuva

Eu quero andar pelos telhados 

E você olha pros dois lados antes de atravessar a rua

Eu gosto do sabor agridoce

Pra vocé, salgado é salgado

Quando a roda gigante pára e eu adoro a vista do alto

Vocé sente vertigem e precisa ter os pés no chão

Você já tem a viagem planejada, e eu só penso em sentir o vento no rosto

Eu quero que o mundo vá pro inferno

Você reza todas as noites antes de dormir

Eu saio sem vela, nem lanterna, nem farol

Tateando no escuro, sentindo a direção

Sua bússola mostra sempre o caminho certo

Me alimento das palavras, sensações e fluídos

Você toma um banho demorado

Seu bolo com receita sempre dá certo

Minha carne tem um gosto diferente a cada dia

Eu leio de trás pra frente, do meio pro fim, rabisco as páginas e rasgo

Suas revistas estão em ordem cronológica na estante

Eu me visto com a primeira fantasia amassada que sai do baú

Você escolhe a cor da camisa no arco-íris de brancos dos cabides

Eu vou voando

Você segue as placas

Eu sinto. Você pensa.

E assim a gente é feliz.

O menino está com sede e nós não temos laranjas

Ele não merece...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Rotina

A idéia é a rotina do papel
O céu é a rotina do edifício
O início é a rotina do final
A escolha é a rotina do gosto
A rotina do espelho é o oposto

A rotina do jornal é o fato
A celebridade é a rotina do boato
A rotina da mão é o toque
A rotina da garganta é rock

O coração é rotina da batida
A rotina do equilíbrio é a medida
O vento é a rotina do assobio
A rotina da pele é o arrepio

A rotina do perfume é a lembrança
O pé é a rotina da dança
Julieta é a rotina do queijo
A rotina da boca é o desejo

A rotina do caminho é a direção
A rotina do destino é a certeza
Toda rotina tem sua beleza


*Esse texto é de uma propaganda da Natura, copiei do blog da Priscila Nicolielo, que tá linkado aí do lado

Linha de Passe

Felizmente tenho a sorte de ter amigos que se preocupam comigo, não me deixam ficar jogada às traças em pleno domingo à noite e me convidam pra ir ao cinema. :)
Fui agora há pouco com meu amigo Luciano assistir Linha de Passe. Estava esperando a estréia há muito tempo, porque conheci o João quando eles estavam terminando as filmagens e fiquei curiosa pra vê-lo no cinema. No fim, acabei demorando para assistir, mas antes tarde do que nunca. Ainda estou pensando sobre o filme, acho que vou precisar assistir de novo. 
Sei que adorei a edição, a forma como foram montadas as cenas, relacionando referências dos universos dos cinco personagens. A Sandra está mesmo ótima, não preciso nem comentar, mas, pra mim, quem rouba a cena é o gracinha do Kaike Santos, que faz o irmão mais novo. Muito inteligente o menino, gente! Não sei de onde ele saiu, mas um menino novo daquele que consegue demonstrar com o olhar o que o personagem tá sentindo, não é qualquer coisa. Fora que é muito engraçado o jeito malandrinho e atrevido dele, desafiando os irmãos mais velhos. O José Geraldo, que faz o Dinho, o irmão evangélico, também está ótimo - surpreende quando vai do bonzinho ao louco de uma hora pra outra e consegue convencer muito bem nas cenas em que demonstra sua fé, também somente com o olhar. Sobre o João, eu prefiro não comentar, porque sou suspeita. 
Vários outros detalhes me chamaram a atenção, mas agora é muito tarde pra escrever sobre isso. Fica pra próxima. 
Aqui embaixo, uma foto que tirei sexta-feira com o "Denis", o motoboy canalha do filme, e meu querido amigo Albérico.

domingo, 5 de outubro de 2008

Que?

Eu não sou nada disso que você pensa...

Não chore por mim

Há algum tempo eu decidi que não iria chorar por ninguém nunca mais. Não iria mais sofrer por gostar de alguém. Acho que o amor tem que ser uma coisa boa e, à partir do momento que passa a não fazer bem, é melhor esquecer. 
Mas isso, de não chorar, não significa que eu decidi me proteger e não amar, ou que eu me recuse a sentir alguma coisa ou a arriscar. Na semana passada, dois amigos meus estavam conversando e um deles falou: "Eu já conheci alguns namorados da Vivian, todos muito bacanas, e o que eu acho legal é que ela sempre ama muito a pessoa. Pode ser que dure duas semanas, mas a gente percebe que naquele momento o que ela sente é verdadeiro, é real." Eu gostei de ouvir isso, porque realmente, quando eu estou com alguém, aquela pessoa passa a ser o motivo da minha vida. Nem que seja por uma hora, um dia, ou por anos. Já quebrei a cara várias vezes por isso, mas não me arrependo de nada. Adoro ser assim, não fico me resguardando, vivo a situação intensamente, me jogo de cabeça, e faço com que cada minuto em que eu estive com aquela pessoa seja valioso. Porque depois, se acabar, é a alegria e os momentos bons que tivemos que vão ajudar a me confortar. Se tem uma coisa que não suporto é ficar fazendo joguinho, do tipo: ah, não vou ligar porque ele que tem que me ligar primeiro, ou não vou sair com ele hoje porque ele não me ligou ontem ou porque vai achar que eu estou à disposição. Se eu estou com vontade, ligo, falo. Porque ninguém tem bola de cristal.
Mas esses dias uma imagem veio a minha cabeça. Imaginei que a cada decepção que a gente tem com o amor é feito um curativo no coração. Ele é enfaixado com uma espécie de tira de gaze. O natural seria tirar o curativo depois que tudo já estivesse cicatrizado. Mas tem gente que não consegue tirar nunca esse curativo e, a cada tristeza causada pelo amor, vai colocando mais uma faixa por cima. E, então, vai se formando uma camada tão espessa e dura, que fica cada vez mais difícil conseguir penetrar. Eu tenho medo que isso aconteça comigo um dia, porque geralmente a gente não percebe quando acontece. E aí a pessoa vai ficando amarga, triste, sem confiança nos outros e incapaz de se entregar.
Por falar em entrega, eu acho que isso é que é a essência do amor. Na quinta-feira, perguntei pro meu amigo Danny Boy qual era o segredo do amor, e ele me disse, entre outras coisas, que é quando alguém fala pro outro "eu sou seu". E esse eu sou seu significa essa entrega. Não existe cobrança, porque o que se sente é maior do que qualquer outra coisa que se possa esperar em troca. O amor de verdade é generoso, mas não é compreensivo. Porque compreensão exige um certo esforço e o amor verdadeiro não precisa de esforço, ele simplesmente aceita, existe e é. 
E acho que foi por isso que eu decidi não chorar mais. Porque se o que eu sinto me faz sofrer é porque eu estou esperando alguma coisa da outra pessoa que ela não está me dando ou não pode me dar. E se eu quero algo que ela não tem ou que ela não me dá por livre e espontânea vontade, não existe amor em algum dos lados e isso faz não valer a pena. Afinal, ninguém pode obrigar, forçar ou ensinar ninguém a amar. Porque o amor simplesmente é, ou não é.
Só pra dar um exemplo, esses dias assisti ao filme Os Desafinados. Uma história de amor, linda. As pessoas com quem conversei acharam um absurdo quando falei isso, talvez eu esteja muito errada mesmo, ou eu seja muito trouxa, mas o que achei lindo no filme é a história da Luiza (Alessandra Negrini), que é a mulher do Joaquim (Rodrigo Santoro). Ele é músico e, quando vai tocar com a banda nos EUA, deixa a mulher grávida no Brasil. Lá, ele se apaixona pela cantora Glória (Claudia Abreu) e eles começam a ter um caso. Só que o cara sofre, porque ele ama a mulher. Como assim? Ué, ele mesmo diz: "Eu amo a Luiza, mas eu estou apaixonado pela Glória." Acontece... A Luiza também ama muito o Joaquim, mas quando a banda volta pro Brasil ela percebe que rola alguma coisa entre ele e a cantora. Em uma cena eles estão gravando num estúdio, a Luiza está assistindo do lado de fora e vê o clima que rola entre o marido e a outra. E a Glória está cantando uma música que fala "Por isso mente pra mim, vai ser bem melhor saber que mentiu pra me salvar". Depois, o sofrimento do Joaquim com a situação aumenta, ele não quer mais enganar a mulher e vai contar tudo pra ela. Só que ela já sabe, e antes dele começar a falar ela interrompe e diz: eu te amo. E isso quer dizer: não precisa me falar nada, eu já sei de tudo, mas o que eu sinto por você é maior e mais importante que isso e eu vou continuar aqui do seu lado não importa o que aconteça. 
Tudo bem, traição é algo muito complicado, que envolve respeito, confiança, e muitas outras coisas. Não estou defendendo. Mas esse exemplo foi só pra dizer que o amor amor mesmo, supera qualquer coisa, sem cobranças. Pode não ser uma traição, pode ser algo que seria considerado um defeito, uma atitude que aos olhos dos outros, ou até aos nossos mesmos, se tomada por outra pessoa ou em outro momento, não seja considerada boa ou correta - desde apertar o tubo de pasta de dente no meio ou não levantar o assento da privada até sair, encher a cara e voltar bêbado de madrugada, sei lá. E se essa aceitação não acontece naturalmente, sem ser vista como um esforço, não vale a pena insistir, nem chorar. 
Mas se acontece, tem suas consequências e uma delas é a sinceridade. Se existe amor entre duas pessoas, existe confiança, porque já que existe aceitação mutua, não há necessidade de mentir. Já ouvi muito das minhas amigas e eu mesma já falei a frase "eu faço tudo por ele mas ele não enxerga isso e não faz nada por mim". Hoje eu acho que quando se ama, tudo o que se faz pelo outro não é considerado um sacrifício e nem é feito esperando uma retribuição ou reconhecimento.
Pode parecer tudo besteira e teoria, mas isso acontece e existe mesmo. Tá, eu sei que não é fácil... mas a gente tem que acreditar, dar chance pra acontecer e saber reconhecer... E parar de chorar quando não vale a pena.
  

Who loves the sun - The Velvet Underground

Who loves the sun? Who cares that it makes plants grow? Who cares what it does since you broke my heart?
Who loves the rain? Who cares that it makes flowers? Who cares that it makes showers since you broke my heart?

O problema é que vocês nunca conseguem entender o que a gente quer

"O problema é a hora do rush, o forno de microondas estragar quando você mais precisa dele, o problema é os caras que vendem carnês da felicidade, o problema é os filmes que saem de cartaz justamente quando eu decido assistir, o problema é o carro afogar no meio do trânsito, o problema, cara, é a gente nunca ter com quem dividir o guarda-chuva." 
Nossa vida não vale um chevrolet - Mário Bortolotto
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