segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Nossa!

Hoje o Mário Bortolotto citou uma coisa que eu escrevi há alguns dias sobre a peça dele, Uma Pilha de Pratos na Cozinha (http://atirenodramaturgo.zip.net/). Uma honra pra mim, pois admiro muito o trabalho dele e também ele como pessoa. Nunca pensei que as besteiras que eu escrevo aqui pudessem interessar a ele. Aliás, não me sinto digna de ser lida por muita gente que eu sei que entra aqui sempre. Escrevo porque sinto vontade e sei que quase nada é relevante. Mas saber que tem gente que se interessa me faz bem. Algumas coisas que eu escrevo até me dão vergonha quando volto a ler, mas eu decidi nunca apagar nada, porque se eu escrevi aquilo é porque é o que eu estava pensando ou sentindo naquela hora.

A primeira vez que vi o Mário, acho qeu ele nem sabe disso, foi na frente do bar das Amistosas, na Augusta, há pouco mais de um ano, agosto de 2007. Aquele sujeito encostado na parede de fora do bar, com um copo na mão e fones nos ouvidos, calça larga, camiseta largada com uma camisa por cima e coturnos velhos com os cadarços desamarrados (como eu disse no post anterior, nossa memória nem sempre é fiel aos fatos, mas foi assim que eu guardei a imagem dele) me pareceu um personagem de algum filme ou história em quadrinhos. Ouvi alguém dizer que ele era dramaturgo, mas na época eu nem sabia direito o que era teatro, tinha assistido no máximo uns dois ou três espetáculos. Foi depois de um tempo que comecei a conhecer a obra dele, li muita coisa do que ele escreveu e assisti algumas peças. Gostei muito, me identifiquei e virei uma admiradora. Mas uma admiradora que tem medo dele, porque ele está sempre num canto do bar só com os amigos de sempre, com uma cara meio fechada que não deixa a gente saber nunca o que está pensando, se está ou não pra conversa. Então, prefiro ficar longe e não puxar muita conversa. Mas quem vê aquele cara todo durão, com cara de mal, não imagina como ele consegue fazer a gente se emocionar tanto com o que escreve.

Sempre que posso assisto suas peças e leio o seu blog. Só a Nossa vida não vale um Chevrolet assisti umas cinco vezes, e todas me tocaram de maneira diferente. Estava ansiosa pra ver Pilha de Pratos, pois todo mundo falava que é o melhor texto dele e sei que também é um dos que ele mesmo mais gosta, junto com Homens Santos e Desertores.

Na verdade, eu tinha muito mais coisas pra falar sobre o espetáculo, alguns amigos tinham falado pra eu escrever, mas eu disse que estava esperando pra ver o Homens Santos e escrever sobre as duas juntas. Fui assistir essa mas acabou passando, perdi o timing por causa de várias coisas que aconteceram na última semana. Só queria deixar aqui mais uma coisa que me chamou muito a atenção e que é o que pega todo mundo que assiste. É incrível o jeito como ele grita um monte de coisas de uma maneira quase violenta e depois faz a gente ficar ali só olhando enquanto tudo aquilo que foi dito borbulha dentro da gente. Acho que é o momento de silêncio mais expressivo que já vi. E não tem quem não saia de lá dando mais valor pra vida, ou pra o que a gente pode fazer dela enquanto tem.

Valeu Mário. E vai se foder... ;)


Quem ainda não foi, aproveita, porque são poucas apresentações e só Deus sabe quando vamos ter outra oportunidade.


Ah! E as músicas... Ah, as músicas...

domingo, 30 de novembro de 2008

Sábado de chuva

1 - Infelizmente (ou felizmente), ninguém tem memória cinematográfica, no sentido de lembrar pra sempre exatamente de uma cena com imagens e sons nítidos. Na maioria das vezes, mesmo dos momentos inesquecíveis, ficam apenas as sensações que tivemos. Tudo o que foi capturado por nossos sentidos fica misturado e a gente reproduz uma imagem criada pela nossa mente, que nem sempre é identica ao que realmente aconteceu. Pode ser melhor ou pior.
2 - A maior beleza está nos momentos mais simples, para quem consegue ver. Como uma tarde chuvosa de sábado, quando dois caras se juntam para tocar e cantar sentados na escadaria de uma praça. Só quem teve a sorte de presenciar sabe o que é isso. E o que fez a gente sentir...
A imagem embaçada pode não parecer boa, nem o som, nem o tempo, nem o lugar. Mas a sensação que ficou é muito, muito boa. Uma vontade de agradecer por estar viva e poder ver aquilo acontecer.


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

...

O que será que todo mundo tá fazendo agora?
Sinto falta de vocês, mas, por outro lado, até que tá sendo bom ficar um pouco sozinha.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Respostas

O que acontece que a gente sempre acerta sem querer e erra toda vez que quer acertar?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Até logo

Depois de um final de semana inusitado e surpreendente, estou longe e pretendo demorar algum tempo... É incrível o que acontece quando a gente é pego de surpresa.

domingo, 23 de novembro de 2008

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Stay hungry, stay foolish

Barbarella

Primeiro eu conheci a banda e o clipe, assistindo MTV nos anos 90. Ela mais parece uma Barbie prostituta revoltada. (Duran Duran - Electric Barbarella)



Depois eu descobri quem eram Duran Duran e Barbarella, que já existiam muito antes disso. Na verdade, eles sairam dos quadrinhos e viraram filme nos anos 60, dirigido por Roger Vadim e estrelado pela Jane Fonda. Ela é uma heroína intergalática hedonista cuja principal arma é o amor e que sai da terra com a missão de resgatar o cientista Duran Duran em outro planeta. Adoro! O clima, os diálogos, a fantasia, as tiradas, a trilha e especialmente o figurino, inspirado nas idéias futuristas do Paco Rabanne, que usava materias inusitados, como metal e plástico. Uma revolução! Ela troca de roupa incontáveis vezes e todos os modelos são lindos!
Ela tem uma sensualidade meio inocente, mas que sabe usar na hora certa pra conseguir o que quer. Imagina uma cena em que várias mulheres estão deitadas em almofadas fumando em um tipo de narguille gigante, cheia de água e um homem boiando. Quando oferecem a Barbarella e ela pergunta o que é, uma delas responde: "É essencia de homem". Ainda tem a
"Excess Machine", que causa por meio de uma sinfonia um prazer tão intenso que leva à morte, as pílulas que servem pra fazer sexo com o contato apenas das mãos e a câmara de tortura cheia de passarinhos que a atacam, onde ela é colocada para morrer, e diz calmamente algo como: "Que coisa mais poética, morrer com esses lindos pássaros".
Bom, tem muito mais. Achei no blog Philos + Hipos a descrição de alguns outros detalhes sensacionais do filme. Olha lá.

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa

Eu adoro o Antonio Prata. Quer dizer, na verdade, adoro as coisas que ele escreve, porque não o conheço. Li no blog dele esse texto que fala sobre a crise de um jeito bem diferente. O texto todo é muito engraçado (Olha isso!: "Era isso: seu Arlindo estava abrindo um mercado.) e a conclusão é genial. Aliás, esse cara genial. Bom, aí vai.

SORVETE DE CHEESECAKE

(PUBLICADO NO ESTADÃO)

Diz a lenda que Joe Kennedy, pai do presidente, pressentiu o crash de 29 ao receber dicas de investimento do garoto que lustrava seus sapatos. Se até o engraxate estava especulando -- especulou o especulador -- era porque a especulação já tinha ido muito mais longe do que qualquer especulador poderia ter especulado.
Eu, modéstia à parte, também farejei que algo ia mal na economia alguns meses atrás, ao entrar numa grande vídeo-locadora e dar de cara com um jogo de panelas (linha Firenze, revestimento de teflon), seis pares de meias brancas (made in China, dez reais) e uma seção inteira dedicada às lingeries. Quando você acha calcinhas onde buscava Hitchcock, só pode concluir que o mercado está completamente desregulado, não?
Na verdade, eu suspeitava que as coisas andavam confusas desde uma remota tarde no século XX em que a banca do seu Arlindo passou a vender água de coco. Em pouco tempo o jornaleiro comprou um freezer vertical e começou a oferecer também cervejas, refrigerantes e bebidas isotônicas, onde antes havia apenas jornais e revistas, abalando assim um dos pilares de meu pensamento infantil -- a crença de que uma coisa era uma coisa, outra coisa era outra coisa.
Preocupado com a quebra de meus paradigmas, comecei a buscar alguma explicação no papo dos adultos. Falavam sobre a globalização, o fim das fronteiras e a abertura dos mercados. Era isso: seu Arlindo estava abrindo um mercado. E não só ele, percebi, ao reparar no que acontecia com os postos de gasolina: ali, naquela casinha onde antes funcionava uma borracharia, com uma banheira de água imunda e um pôster da Maria Zilda arrancado de uma Playboy de 85, passaram a vender lasanhas congeladas, papel higiênico, canetas hidrocor e outros itens de primeira, segunda ou terceira necessidade.
O que era o tal fim das fronteiras só entendi nos anos 90, não com desmantelo da Iugoslávia, mas ao deparar-me com um saco de batatas-fritas sabor churrasco. Depois vieram o sorvete de cheesecake, o chocolate de cookies e a pizza de cachorro-quente (e ainda crêem que o mercado se regula?!), mas nem me abalei: já estava claro que uma coisa poderia ser outra coisa e, como vimos nos últimos meses, era possível todas as coisas transformarem-se em coisa nenhuma.
Quando entrei na locadora, portanto, e deparei-me com panelas, meias e calcinhas, entendi que aquele era o apogeu do movimento iniciado lá atrás com os cocos do seu Arlindo e que logo viria a débâcle. O pai do Kennedy, em 29, vendeu as ações e comprou terras e imóveis. Eu, dentro de minhas limitações, apenas aluguei um filme e levei um daqueles pacotes com seis meias, pela incrível bagatela de dez reais. Meias brancas, médias e lisas, como convém. Afinal, em momentos de incerteza, temos que nos refugiar na tradição.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Hummm

Queria agora assistir um filme em casa, comer uma pizza com bastante queijo derretido e tomar um copão de coca-cola.

Com o celular

Isso foi domingo...

E isso foi um dia aí...

Eu sou muito tonta

Ontem eu fiz uma coisa que não fazia há muito tempo, nem lembro quanto. Passei a tarde inteira num shopping, andando e olhando as vitrines. Um shopping muito chique, bonito e com coisas caras. Mais caras do que as mesmas coisas em outros shoppings. Mas eu não fui fazer compras, fui trabalhar. É, tô fazendo uma revista.
Foi um pouco sofrido olhar tantas coisas bonitas e não comprar nada. Lembro de um tempo atrás, quando eu não resistia a uma vitrine e pensava: "Ah, vou só ver e experimentar, não custa nada...". E acabava saindo da loja com várias sacolas cheias e a carteira vazia. Lembro também do professor de um curso que eu fiz, sobre marketing, que só se vestia de preto e com roupas sem marcas. Na verdade, ele era muito elegante e estiloso, devia usar roupas caras, mas dizia que por ter trabalhado tanto tempo vendendo produtos, tinha aprendido a não se render à propaganda. Contou até uma história sobre a ocasião em que presenciou uma criança chorando na fila do supermercado por querer um tipo de queijo só por causa da embalagem que tinha mudado e ficado mais bonita (e que ele havia desenhado), enquanto a mãe falava: "Mas você não gosta disso!". E ele ficou com peso na consciência.
Sorte minha que, depois de terminar a Viagem do Elefante, meti na bolsa o primeiro L&PM que achei na prateleira: Sêneca, Aprendendo a Viver. E ele me disse: "A comida deve acalmar a fome, o beber, a sede, as roupas devem proteger do frio, a casa, ser abrigo contra o mau tempo. Não importa se foi construída com taipa ou com mármore importado: saiba que um teto de palha abriga um homem tão bem quanto o de ouro. Despreza tudo o que um trabalho supérfluo estabelece como enfeite e requinte; pensa que nada é extraordinário a não ser a alma e que, para uma alma grande, nada é grande".
E vi que
, por volta das 16h, aquele shopping se enche de senhoras muito bem arrumadas e maquiadas, que se reunem para tomar o café da tarde, em cafeterias refinadas. Enquanto isso, nos bancos lá fora, duas amigas de uns 20 anos, também maquiadas e com roupas da moda, conversam, uma morena e uma loirinha com uma sacola de uma loja cara no colo. A morena diz: "Vamos até a Paulista comigo, é só pegar o metrô aqui do lado". E a outra responde: "Mas eu só tenho dinheiro pra voltar pra casa. Dois e quarenta pro metrô e dois e sessenta do ônibus". E, do outro lado das trinta e duas palmeiras enfeitadas com luzinhas de Natal, uma senhora senta ao lado de uma moça com uniforme de uma loja de óculos, que escuta música com fones de ouvido, e diz: "Moça, se eu fosse você chegava mais pra lá porque eu vou fumar". E ela diz: "Não tem problema". Aí, a velha começa a falar do feriado da próxima quinta e a moça desata a falar coisas como: "É uma droga esse feriado, eu vou trabalhar de qualquer jeito, das 10 às 10 e a única coisa que ganho a mais é 20 reais, pelo menos dá pro lanche, se bem que esse shopping é tão caro que nem pro lanche dá, e eles nem dão vale alimentação. Esses negros são preconceituosos contra eles mesmos, porque não tem dia da consciência branca? Se alguém me chama de branquela, pra quem eu vou reclamar? Foi a Marta que fez esse feriado pra ganhar voto, mas não adianta nada. Eu só trabalho nesse shopping pra pagar a faculdade, porque sou sozinha aqui em São Paulo. Mas esse é o último ano. Não suporto esses judeus mal educados que não olham nem pro lado e tratam a gente com grosseria. Na loja que eu trabalho todo mundo tem que ter tatuagem, piercing, por causa do estilo da marca, né? Mas aqui a gente não pode mostrar nada porque os judeus olham feio. E sábado então, que eles nem pegam em dinheiro! Mas eu tô em horário de almoço, deixa eu voltar pra loja. Passa lá depois pra comprar um óculos comigo". Ah, e teve também a gerente de uma loja suuuper chique de decoração que chamou a funcionária lá fora pra conversar: "A gente vai te efetivar, eu preenchi esse formulário com a sua avaliação. Coloquei excelente em tudo, menos em produtividade e interesse, porque você é nova e acho que pode fuçar mais no sistema pra aprender. Agora você assina e a gente manda pra eles. Você tá gostando? Vai querer ficar mesmo? Ótimo. Esse papel já tava aqui comigo há um tempão pra preencher e mandar, sabe? Mas é que nunca dá tempo. Assina aí e a gente manda logo." E a moça "Ficou bonita a decoração de Natal que a loja fez, né?". E a gerente: "É, vamos?".
Depois, a noite, fui assistir Uma pilha de pratos na cozinha, texto do Bortolotto, no Satyros 1. Enquanto esperava minha amiga Priscila tomando um café no bar do Parlapatões, vi passar um homem maltrapilho, provavelmente um morador de rua, que, por cima das roupas velhas e sujas, usava um chambre (que palavrinha!) com losangos azuis e vermelhos, limpo, quase brilhante, que chegava a dar um ar elegante a ele. E me fez sorrir.
Assisti o espetáculo, senti o estômago contraído e gelado nos minutos finais e vi gente chorando. Quando saí só senti vontade de falar uma coisa: "Vai se foder!". Por que você acha que tem o direito de jogar essas cosias assim na nossa cara? E por que você faz isso tão bem? E sem rodeios, sem vergonha, sem nem disfarçar...
Saí e lembrei de novo do que tinha lido de manhã: "Discordo daqueles que se jogam no meio das ondas e que, atraídos por uma vida tumultuosa, lutam, cotidianamente, com grande ânimo, contra as dificuldades das coisas. O sábio o suporta, não o escolhe, prefere a paz à luta; não é muito útil abandonar-se aos próprios vícios se é preciso lutar contra os alheios. (...) Alguns se vangloriam dos seus vícios; e tu pensas que busca remédio quem enumera os seus vícios como se fossem virtudes?"
E cheguei em casa antes da meia-noite, pensando e rindo sozinha...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sabe aqueles dias...

Em que o cabelo não obedece, nenhuma roupa do guarda-roupas fica boa, parece que todo mundo te olha de um jeito estranho, você não consegue ficar a vontade e não tem paciência com nada?

Tô assim hoje.

Tô carente.

Quero colo.

Buá!

:(

Carta a um jovem ator

O homem foi feito para sonhar e criar ilusões. Por isso os artistas são, em geral, mais felizes que os outros. Criam mais. Por isso tem tanta gente aqui querendo faze teatro. Em que grau de ilusão você prefere viver? Essa é a sua única escolha. e, a partir daí, tome toda a responsabilidade pelos seus atos. Você só faz o que quer. Senão faria outra coisa. Papai e mamãe foram dormir, estão, talvez, engendrando outro neném. Você está sozinho e isto não é mal. Nem Deus teve pai e mãe.
Abaixo, conselhos práticos para ser feliz. Sempre lembrando que o bom conselho é aquele que a gente não tem que seguir.
1. Viver cada dia como se fosse o último. Já fizeram um ótimo filme sobre esse assunto. Um filme de jovens, A Sociedade dos Poetas Mortos. Carpe Diem. Sim, porque cada dia pode ser o último. Por exemplo, cada filme que faço pode ser o último. As produtoras pdoem não querer mais botar dinheiro, eu posso não ter mais vontade de fazer filmes e posso, naturalmente, morrer antes das filmagens. Viver cada dia como se fosse o último é, na verdade, viver bem enquanto se pode. Tirar de cada momento o máximo que tiver para dar. Como eu estou fazendo com este momento aqui. Viver cada dia como se fosse o último não é ficar pensando na morte. É prezar a vida. Saber de todos os prazeres que ela pode dar e aproveitá-los. Avidamente.
2. Respeitar os seus desejos. a máquina de desejar do homem é muito frágil. Enguiça com muita facilidade. Se você me convida para tomar um sorvete e eu digo "Ah, não quero não", é capaz de você desistir de tomar o sorvete. E este será um sorvete a menos na sua vida. Porque desejar é viver. O desejo é a fonte de toda saúde, de toda produtividade. Ele tem que ser cuidado, respeitado. O menor desejo de um homem deve ser atendido o mais depressa possível. Se contrariamos muito alguém, por exemplo, obrigando-o a acordar todos os dias às 6h da manhã para ir trabalhar naquilo que não gosta, a máquina quebra. Depois de algum tempo, esse homem não deseja mais nada. E, não desejando, deseja o mal. Não deixe isso acontecer com você. Todo mundo tem que fazer o que gosta. Todo mundo tem que ganhar dinheiro no final do mês para pagar suas contas. O Herói Moderno, o sábio, o gênio moderno, é aquele que consegue unir essas duas coisas. Esse deveria ter as suas mãos beijadas nas ruas.
3. Mas seja humilde. Com o grau elevado de auto-estima, porém humildade. Humildade é sinônimo de inteligência. O homem que sabe, sabe que não sabe. Já o burro ignora sua burrice. Cuidado com os burros.
4. Melhor se arrepender de ter feito do que de não ter feito. Exemplo simples: garota ao seu lado. Você tem vontade de agarrá-la. O máximo que pode acontecer é ela te dar um tapa, se você agarrá-la. Se não, o mínimo que pode acontecer é você ficar batendo com sua cabeça na parede de arrependimento. Diante da dúvida, não fazer é uma atitude antiga, do século 20. Chama-se a cautela. Uma atitude careta, por assim dizer. Uma coisa boa para as crianças.
5. Você deve terminar tudo aquilo que começa. Um curso um namoro, nem de sair do filme no meio eu gosto. Terminar aquilo que se começa é o segredo, que ninguém nos ouça, da produtividade e, portanto, da riqueza. Somente terminando aquilo que você começou é que você vê se era um lixo ou uma maravilha. Começar sem acabar é depressão. Você deve ir até o fim. Até a vida.
6. Tudo é sexo. Gente, essa eu não preciso explicar. Sexo é a força da qual emana tudo. Talvez seja o sexo que une os átomos, tornando a matéria coesa. Até hoje acho que, quando um homem e uma mulher enfiam-se um dentro do outro, a Terra treme. Os jovens de hoje dão menos importância ao sexo do que os de minha geração. Não vamos analisar isso. Mas vamos acabar com isso. Sexo é uma forma de conhecimento absolutamente notável. Somente na cama as pessoas revelam como realmente são, é curiosíssimo, deslumbrante. Muito educativo. O amor é o efeito colateral do sexo. E também a paixão, embora esta tenha maior transcendência. Se existe algo na vida que desperta sentimentos modificadores, isto é o sexo.

Pelo cineasta Domingos de Oliveira, na Bravo! desse mês



Sabe o que eu fiz hoje?

Terminei de ler A viagem do elefante, o livro novo do Saramago. Engraçadíssimo.

Mas acho que eu estou precisando mesmo é fazer umas compras...

Só você mesmo...

pra conseguir me fazer rir nesse dia chuvoso.




Isso é muito ruim, né?

Mas eu adorei.

Nossa!

De repente me deu vontade de escrever uma história linda que passou inteirinha na minha cabeça em apenas um segundo.

domingo, 16 de novembro de 2008

sábado, 15 de novembro de 2008

Climas



Também assisti Climas, do cineasta turco Nuri Bilge Ceylan, que, ao contrário do passado em Barcelona, dá vontade de passar longe da Turquia, apesar das paisagens serem maravilhosas. O filme todo tem um clima tenso e melancólico. Mostra a dificuldade de comunicação entre as pessoas, contando a história do final do amor entre uma jovem e um homem mais velho e machista. É angustiante, porque ele e a mulher querem falar, conversar um com o outro, mas não conseguem expressar o que estão sentindo. Por não terem coragem ou por não terem palavras. Triste e real. A beleza do filme está na forma como a relação entre os dois é expressa mais por meio do silêncio do que por meio das palavras, dando peso à imagem, às expressões e, principalmente, aos olhares. Bela fotografia.

Eu não sei o que quero, mas sei o que eu não quero



Que vontade que me deu de ir pra Barcelona, depois de assistir o novo filme do Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, ontem! Ele mostra uma cidade onde a arte e a cultura borbulham, onde as pessoas são passionais e as paixões se concretizam, onde existe calor, música, as paisagens e a arquitetura são belíssimas, onde se almoça no jardim e se passeia no campo de bicicleta para apanhar amoras, os homens são sedutores, as mulheres sensuais e se embriagam com vinho, enquanto degustam pratos deliciosos...

Fora o cenário perfeito, imagine um personagem que é poeta, cria obras maravilhosas e nunca as publica por vontade própria. Mas por quê? Para vingar-se do mundo. Ele tem raiva das pessoas e por isso as priva do contato com a beleza de sua arte. Mas, de novo, por que tanta raiva? Porque, mesmo depois de séculos de civilização, as pessoas ainda não aprenderam a amar.

E esse homem, pai de Juan Antonio (Javier Bardem), é o contraponto do principal assunto do filme: a busca pelo amor como forma de atingir a completude. A busca pelo amor racional, identificável e inteligível, que nos faça sentir que não precisamos de mais nada. E esse ´não precisar de mais nada´ tem a ver com a sensação de certeza de que estamos no lugar certo e fizemos as melhores escolhas. Só aí encontraremos a paz. Mas, essa semana, ouvi uma frase ótima (e foi em uma novela da Globo que passa a tarde). A Suzana Vieira falou pro Tony Ramos: "Você procura a paz? Pois eu sei quem quer paz e tem muita paz. Os mortos."

Isso é muito engraçado. E rir foi o que eu mais fiz durante esse filme. A gente nunca vai encontrar durante a vida a plenitude, a satisfação completa. Porque, como acontece no filme com Cristina, sempre vai ter uma coisa fazendo nossas pernas tremerem e quererem mudar de direção. Ou, como acontece com Vicky, sempre vai haver uma pontinha de dúvida se aquela era a escolha certa a fazer. Só que isso acaba sendo um motivo de sofrimento pra todo mundo, enquanto que deveria ser uma razão pra dar risada mesmo, porque a gente está preso à condição humana e isso faz parte de nós. A eterna insatisfação e a eterna dúvida. Não é divertido, no final?

No filme, os personagens que encontraram a paz, a estabilidade, são mostrados como pessoas que levam uma vida monótona e tediosa. E o próprio amor só é visto como algo estimulante enquanto não se torna parte constante da vida das pessoas. Quando ele se concretiza e se estabiliza, perde a graça. É o caso do casal que hospeda as duas turistas. A mulher diz: "Preciso sair da situação em que me encontro. Eu o amo, mas não sou apaixonada por ele." São os desafios e as emoções que movem o ser humano. É aquele frio na barriga que nos faz sentir vivos.

Cristina, a personagem de Scarlett Johansson, é incrível. Não tem medo, quer viver, se encontrar e é motivada por aventuras. Se entrega e experimenta, para saber o que não quer e, quem sabe um dia, descobrir o que quer. E a Scarlett arrasa. A expressão dela quando o pintor faz a proposta de irem para Oviedo, enquanto a amiga está negando o convite é demais. Mas sensacional mesmo é Vicky (Rebecca Hall). Coitada! Essa não sabe mesmo o que quer. E sempre acha que sabe. Ela é a contradição em pessoa. Quer fazer o que é certo, de acordo com suas convicções, mas sempre hesita e acaba cedendo - ao tirar uma foto, aceitar um doce, uma bebida, um convite ou fazer amor. Escolhe uma coisa, mas fica desejando outra, seja qual for sua decisão. Conforme escreveu o João Gabriel, na matéria de capa da Bravo! desse mês, se o filme fosse rock, seria o refrão de Satisfaction, do Rolling Stones - "Eu não consigo ter prazer, mas tento, tento e tento".

O problema é que esse prazer que se tenta ter é um prazer supremo, ideal. Por isso, ele nunca é atingido. O único que parece ter essa consciência é Juan Antonio, que sabe o que quer, sabe o que fazer para conseguir o que quer, conhece e aceita suas limitações e as limitações impostas por cada situação. E vive. Intensamente, mas conscientemente...

O calor maior fica por conta de Maria Elena, interpretada por Penelope Cruz, completamente sem limites, intensa e passional, segue todos os seus instintos sem pensar duas vezes. O oposto de Vicky. É o sangue latino fervente mostrado em seu extremo, beirando a irracionalidade (quase insanidade).

No final, a resposta para tudo parece estar na fala de Juan Antonio, que diz: "Eu e Maria Elena fomos feitos um para o outro, mas ao mesmo tempo, não fomos feitos um para o outro. É uma contradição". Mas, a vida é uma contradição, e nem Woody Allen, nem ninguém, tem uma solução definitiva pra isso.

Oh, pobres humanos!

E vai ser assim: a menina que já tinha tudo planejado, e sabia exatamente o que ia acontecer, vai ser surpreendida e suas certezas vão se transformar em dúvidas. E a outra, a louquinha e impulsiva, que procurava uma certeza, vai encontrar o que buscava, mas, de repente, vai ver que não era nada daquilo que queria e vai voltar atrás. Só que essa mudança vai afetar a estabilidade que outras pessoas procuravam e conseguiram encontrar nela. E aí tudo volta pra onde começou. Oh, pobres humanos! Sempre insatisfeitos, sempre incompletos, sempre indecisos, sempre buscando alguma coisa que nunca vão encontrar...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Não dá pra negar...

Inteligência, cultura e experiência me atraem.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

E é nessas horas...

que a gente vê quem gosta mesmo da gente...

Essa veio em boa hora

Sorte de hoje no Orkut: O pessimista vê a dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê a oportunidade em cada dificuldade.

É, Gabriel, você tem razão...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Alguém me explica

O que significa quando uma pessoa que nunca acreditou no mal e nunca teve o azar de levar nem uma picada de pernilongo ao longo de quase toda a vida começa a sofrer uma série de acidentes seguidos em menos de um mês?
Eu nunca caí (pelo menos não depois que completei 10 anos de idade), nunca quebrei nenhum osso, nunca fui atropelada, nunca fui assaltada, nenhum passarinho nunca fez cocô na minha cabeça, nunca sujei minha roupa de macarrão na hora do almoço antes de uma reunião de trabalho, nunca fui atacada por cachorro, nem gato, nunca ganhei presente que não gostei, nunca tropecei na rua, nunca uma manicure tirou bife do meu dedo, e quase nem fico doente, nem gripe costuma passar perto de mim.
Mas tudo começou depois de um dos posts que escrevi há um tempo, no qual dizia que era uma pessoa de muita sorte, porque nada dava errado pra mim nunca. Eu estava trabalhando em uma editora que ficava em um lugar muito bonito e com pessoas muito bacanas. Um tempo depois disso, os caras chamaram a equipe e disseram que não tinham dinheiro pra pagar ninguém, que era pra gente aguentar trabalhando enquanto pudesse, pois nem dinheiro para pagar o nosso deslocamento até lá eles teriam. Resultado, tudo mundo abandonou a revista. E até agora nem o cheiro do pagamento pelos meus dois meses de trabalho. Depois, o dono da editora ainda nos chamou para conversar e insinuou algumas ameaças para que ninguém pensasse em processar a empresa.
Na mesma época, ainda tomei um perdido de um cara por quem estava apaixonada...
Mas o mais grave começou há umas três semanas e meia. Primeiro foi meu computador, meu Macbook novinho, que queimou, porque eu fiz a idiotice de derramar líquido em cima dele. Perdi tudo, minha vida...
Depois, foram dois tombos feios na sala de casa (um deles hoje), em uma semana e meia, uma garrafa de chapagne estilhaçada no chão e um acidente de carro. Um capotamento a 30 km por hora às 8h da manhã, na frente do meu prédio, cuja rua é uma subida. Poucos conseguiriam essa proeza.
Dois galos na cabeça, torcicolo, ombro ferrado, um corte no cotovelo, um corte na canela, alguns hematomas...
E eu juro que nunca desejei mal pra ninguém, pelo contrário, quem me conhece sabe que o que eu mais quero é ver todo mundo bem e feliz.
Acho que vou me benzer, tomar um banho de sal grosso, tomar um passe, acender uma vela, um incenso, sei lá... Tô até com medo de sair na rua - apesar de que nem minha casa parece mais segura...
Parece brincadeira, mas não é...

Preciso...

... de um trabalho. Não aguento mais isso...
Se alguém souber de alguma coisa, me avisa.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

domingo, 9 de novembro de 2008

Nossa vida não vale um Chevrolet


























E quando eu vi, tava de ponta cabeça, presa pelo cinto de segurança... Mas só ralei o joelho...

sábado, 8 de novembro de 2008

Eu sou fácil de agradar

Gosto de sorvete de creme com bolo de chocolate
e banana assada com canela e açúcar
de passear no parque domingo de manhã e andar de bicicleta
de mamão com mel e aveia no café da manhã
de cerveja no boteco sábado a tarde, acompanhada de uma conversa gostosa
de um bom vinho tinto a noite, acompanhado de um prato feito a quatro mãos
assistir um filme no sofá de casa
comprar sapatos, roupas e livros
de reunir amigos e agregar pessoas
de cozinhar
e de comer
de ir para o campo ou para a praia e passar o dia lendo ao sol, sentindo o vento no rosto
de cafuné e mimo
de fazer cafuné, coçar as costas e mimar
de levar café da manhã na cama
e receber telefonemas e mensagens carinhosas durante o dia ou durante a noite
de ser tratada como princesa
mas ser levada a sério
de piadas bobas e comentários idiotas ou irônicos
de ouvir histórias de vida
e também idéias mirabolantes
de epifanias e teorias
de gentileza e educação
de decisão na hora de escolher o programa, o lugar, o filme e o prato
de entusiasmo e empolgação
de gente que se diverte a qualquer hora em qualquer lugar
e gente que não tem preconceito
e gente que ama o que faz
e gente que procura soluções e não fica remoendo os problemas
de tranquilidade
de receber flores, ou ganhar uma flor (é diferente)
de bilhetes escritos em guardanapos e de cartões em papel vergê
de demonstrações de carinho em público ou entre quatro paredes
mas mais ainda de demontrações de admiração
de dançar junto e descalço no tapete da sala
e se jogar junto em uma pista de dança
de dormir abraçadinho e acordar com beijos e sorrisos
de lençois brancos, edredons fofos e travesseiros macios, tudo com cheirinho de amaciante
de ler na cama
de ver uma exposição e ouvir comentários sobre as obras
de gengibre, curry e alho poró
de pêra cozida com vinho
de suco de maçã
de deitar na grama
de andar descalça
de tomar chuva
de surpresas
de ir ao mercado e comprar coisas gostosas
de restaurantes sofisticados e botecos genuínos
de brindar com champagne e tomar café na padaria
de andar pela cidade
e viajar de carro ouvindo música
ficar de mãos dadas
beijo na nuca
de proteção

acho que é isso...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Era isso que eu queria dizer

Precisei copiar isso do blog da Fabi.
Exatamente o que eu queria dizer, mas não disse (ou disse de outro jeito, ou talvez devesse ter tentado mais).

DO SIM E DO NÃO

Acho que você percebeu que eu fui embora.
Vê meus olhos vazios, me sente fingindo um interesse que não faz mais parte de mim.
Me desculpa, me perdoa, ou tenta.
Não queria te magoar, meu anjo, não queria mesmo.
Mas não tô mais por aí.
Tô tomando outro rumo, querendo outras coisas que nem sei quais são.
Preenchi alguns espaços incômodos, mas novos espaços, cruéis, sádicos, apareceram.
Os vazios se revezam pra me mostrar que a felicidade é impossível.
Não me telefone, por favor. Não me peça pra dizer mais um não. Ele é insuportável pra mim.
Espero ansiosa um sim de outro lugar, mas sei que isso não vai acontecer.
Se isso serve de consolo, a dor que a falta desse sim me causa é quase insuportável.
Espero por um sim de quem só tem nãos pra me dar.
Mas saiba que a falta desse sim não é responsável pelo meu não.
E, por favor, não passe esse não pra frente.
A gente precisa de sim, de muitos sins, pra deixar o maior número possível de espaços ocupados,
pra deixar a cabeça ocupada, os braços ocupados.
Diga sim, mas não pra mim.
E se possível, me perdoe.



quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Eu vou

Amanhã vou assistir o espetáculo Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade. Nome complexo, mas bonito, né? Parece ser um texto bem denso. Se seguir a mesma linha da peça que o grupo Antro Exposto apresentou no começo do ano, Entulho, é pra fazer refletir, mas com muita sensibilidade. O novo texto foi escrito pelo Ruy Filho (o anterior era da Priscila Nicolielo), não conheço o trabalho dele como dramaturgo, mas pelo que sei estuda muito e tem gosto por despertar as pessoas para o pensamento. Adoro!
Depois escrevo aqui como foi.

Pra ver maior, é só clicar em cima da figura.


terça-feira, 4 de novembro de 2008

E vc?

*
Pensando muito no asfalto
na bota surrada
nas palavras

no cabelo grisalho
nos guarda-chuvas
na cerveja da Márcia?
*

Da Priscila Nicolielo, depois de me contar o que se passa em São Paulo. Adorei!

E eu tostei na praia...

Tudo culpa do João Moreira Salles! Não, ele não estava comigo (infelizmente, porque eu pago um pau pra esse cara. Foi ele quem fez o filme mais lindo do mundo, na minha opinião, o documentário Santiago, sobre o qual já escrevi aqui).
O que aconteceu foi que comecei a ler uma matéria que ele fez para a revista Piauí (outro genial projeto dele), sobre o caseiro Francenildo dos Santos Costa, peça chave na queda do Pallocci, em 2006. João não é jornalista, é documentarista, e, pelo pouco que sei sobre ele, imagino que a excelência que conseguiu atingir na narrativa escrita deva-se em grande parte à experiência na construção de documentários.
João sabe falar como poucos sobre pessoas. E, como bom documentarista - que não deixa de ser uma forma de jornalismo - mas como raros jornalistas sabem fazer, investiga, pesquisa, cava informações por todos os lados, para construir uma história da forma mais fidedigna possível. Ler sua matéria dá a impressão de que ele é onisciente e onipresente, testemunha ocular de tudo o que conta, pois narra os acontecimentos de diversos pontos de vista e fatos que aconteceram simultaneamente em lugares e com pessoas distintos. Isso, ele consegue com suas entrevistas, que parecem ter sido feitas com todas as pessoas que possívelmente tenham informações valiosas sobre história, desde um porteiro, ou um motorista, ou uma copeira, até o ministro, o presidente.
Mas, ao mesmo tempo em que é essencialmente jornalistico, denso, completo e recheado de informações importantes, o texto de João consegue ser agradável, leve e prende a atenção de quem lê. Como um daqueles romances que você começa a ler antes de dormir e, mesmo morrendo de sono, não consegue largar.
Resultado: 11 páginas da Piauí lidas de uma vez só, debaixo do sol das 14h. Imaginem a cor que eu fiquei, depois de mais de um ano sem tomar sol.
Por coincidência (ou não), estou lendo também o livro Fama e Anonimato, de Gay Talese. Esse sim jornalista, mas de um olhar clínico para perceber o que está além da aparência e um faro apurado para investigação. Assim, ele construiu perfis que retratavam seus personagens - como Frank Sinatra, mas também homens comuns, operários que construiram uma ponte em Nova York - com tantas minúcias, a ponto de em alguns momentos conseguir dizer até mesmo o que estavam pensando. O cara se infiltrava nos ambinetes e ficava observando, conversando com as pessoas e, como se não quisesse nada, conseguia informações importantes. Ele chegou a trabalhar na construção da ponte, junto com os operários, dormindo e comendo com eles por meses, só para ter a idéia exata do que seria aquilo, como eles eram, viviam e pensavam.
Esses são caras que me servem de exemplo, e ao mesmo tempo me intimidam. Mas eu sou corajosa e sei que um dia vou conseguir.

Ps: Para completar, ontem, antes de dormir, liguei a TV e estava passando Capote. Dormi no meio, mas deu pra relembrar como o cara era deliciosamente manipulador. Adoro!

Dá pra ler a matéria O Caseiro aqui ó.

É bom saber...

que tem gente que quer a gente de volta. Mesmo depois de falar todas as besteiras, barbaridades, insanidades, absurdos e incoerências do mundo, e tudo isso ser, no fim, o que a gente é de verdade.

Estréia na quinta


domingo, 2 de novembro de 2008

Um dia...

eu quero aprender a ser menos dramática e menos intensa.

sábado, 1 de novembro de 2008

Irerê

Vou-me embora pra Irerê
Pois lá sou amiga do rei da ralé

Porque...

meu nome deveria ser Madre Tereza de Calcutá...
Mas fico mentalizando: o importante é ser tranquilo e otimista.... Vaca!!!

Tu m´ennuie parce que je t´aime!!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mapa dos teatros em São Paulo

Meu amigo Lucas Pretti, que escreve no caderno Link do Estadão, tem o blog Cubo Mágico, estuda teatro e adora a arte, é além de tudo uma pessoa muito pró-ativa. Ele teve a idéia de criar no Google Maps um mapa com os endereços de teatros na cidade de São Paulo. Nas palavras dele:

"Coloquei de início 58 pontos, entre salas tradicionais como o Theatro Municipal, na Praça Ramos, e marginais como o Teatro do Ator, na Praça Roosevelt. Óbvio que está incompleto — e este é um convite: ajude a melhorá-lo.

O mapa está aberto para edição de qualquer usuário. Basta clicar neste link, fazer login no Google e incluir novos endereços ou modificar eventuais erros. A idéia é, com o tempo, também ter endereços de companhias, telefone, fotos e espetáculos em cartaz. Mas isso só será possível se mais e mais gente estiver a fim."

Legal, né? Se você souber de algum que está faltando, ajude a completar...

Quem precisa disso?

Como diz meu amigo Thiago Ariki, dormir é para os fracos!

Porque a vida também é feita de coisas supérfluas

Brisa de verão

Peças leves em tons claros estão entre as maiores tendências para o verão 2009, valorizando o frescor e o conforto

Por Eu Mema

Descomplicada, leve e confortável. Essa será a cara da moda no verão 2009. Depois da onda de exagero, inspirada pelos anos 80, shapes mais soltos e peças fáceis de usar garantem frescor às produções da estação, que chegam clean e minimalistas. Os anos 50, 60 e 70, voltam a influenciar a moda atual, seja na modelagem, nas estampas ou nos acessórios. Do estilo bonequinha de luxo ao punk, o importante é estar confortável.

Novas silhuetas, inspiradas em formas geométricas e dobraduras, prometem destacar quadris e ombros, dando um toque de sofisticação ao visual, com ombreiras – resquício da influência 80´s -, cortes assimétricos e tomara-que-caia. As peças mais requisitadas devem ser as com decotes de um ombro só, sejam blusas, vestidos, maiôs ou macacões. O resgate de modelagens do passado, com cintura marcada e saias amplas, aumentam o volume das curvas femininas. Para quem não abre mão da classe, peças em alfaiataria continuam sendo a pedida.

Natural

Artesanato e tapeçaria inspiram peças produzidas a partir de tecidos naturais, como o algodão e o linho, super adequados ao clima quente, garantindo conforto e frescor. Peças em couro recortado e trabalhado apimentam os looks com um toque de sensualidade. Nos acessórios, materiais sustentáveis e fibras, como a palha, bambu e curauá, são as sensações do momento. Tecidos tecnológicos, com tratamento anti-chama, antialérgico, anti-odor, antimicrobiano, secagem rápida, anti UV, além dos bi-stretch (elasticidade nos dois sentidos) também continuam em alta, em modelos urbanos e pop.

Os vestidos vêm em todos os comprimentos, mas as estrelas continuam sendo o curto e o micro, com destaque para os de corte fluido, em seda ou viscose, que parecem desabar sobre o corpo, valorizando as formas. Calças largas e soltas, como os modelos saruel e pantalona, tomam o lugar das skinnies. Mais curtas, na altura do tornozelo, prometem ser o hit do verão, no lugar de shorts e bermudas. Os macacões vão continuar arrasando, de dia e de noite.

Tons suavizados e o branco – que é o preto da estação - em texturas variadas clareiam e dão um toque delicado e fresco às peças. Pastéis puros, como o bege e o cinza, devem conviver lado a lado com cores radiantes e quentes, como amarelos, lilases e violetas. Entre as estampas, vigoram listras, xadrezes, tie-die, animal prints, padrões psicodélicos e étnicos.

Na moda praia, o destaque fica para os cortes assimétricos, que criam a imagem de verdadeiras musas do verão. A roupa de banho vem com um pouco mais te tecido e ganha recortes elegantes, em peças para serem usadas embaixo do guarda-sol.

Da cabeça aos pés

O chapéu promete voltar às ruas, em diversos formatos - do cloche modernizado, ao charmoso panamá - proporcionando estilo e proteção contra o sol. Nos pés, não podem faltar as sandálias estilo gladiador, amarrações no tornozelo e os saltos pesados. Bolsas grandes continuam em alta, mas as pequenas começam a reconquistar seu espaço. Para incrementar o visual clean, as bijuterias, principalmente colares e pulseiras, chegam grandes e coloridas, em resina e acrílico, ou dourado e prateado.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Da Cara de Pau

Eu sempre fui tímida, até meio anti-social. Nunca gostei de incomodar ninguém, prefiro observar do que me meter. Ficar na minha e dar opinião só quando ela for solicitada. Essa sou eu.
Mas eu tenho meu Eu Lírico, que geralmente é despertado com altas doses etílicas. Esse é impulsivo, inconsequente, decidido e auto-confiante. Fala bastante, até demais, e geralmente coisas que não interessam pra ninguém.
O meu Eu Lírico, às vezes me atrapalha, mas às vezes me ajuda a fazer coisas que eu não teria coragem de fazer sozinha. É que um dos príncipios que regem sua forma de agir é o de que "o não a gente já tem". Se eu já tenho o não, o que tenho a perder? Nada! A única alternativa à condição atual é receber o sim, o que seria algo bom. O pior que pode acontecer, que nem seria tão ruim, é continuar seguindo a vida do jeito que está.
Só que de vez em quando ele me põe em situações complicadas. Mas eu tenho que aguentar, ir lá e enfrentar. Porque se eu falar que foi ele, e não eu, que fez aquilo, ninguém vai acreditar... E, no fundo, eu queria mesmo fazer...

Inspirado no blog da Fabiana

Vendo os videos, já deu saudade

Criaturas

Bebes e comes e ris
Farta-te em quanto puderes
Pratica os teus atos vis
Mas lembra que são mulheres
São pobres almas
São seres humanos
Tristes criaturas
Ah, pra que perveteres irmãs
Com brutais loucuras
E bebes e comes e ris
Farta-te em quanto puderes
Pratica os teus atos vis
Mas lembra que são mulheres
Lembra aquela menininha flor
Que do galho arrancaste
Numa prostitutazinha doutor
A transformaste
E bebes e comes e ris
Farta-te em quanto puderes
Pratica os teus atos vis
Mas lembra que são mulheres

Walter Franco

Mais uma da série aventuras culinárias

Lombo com gengibre, arroz e abóbora

Ele canta...

E a gente dança...
- Mas ele era um cantor de jazz, eu sei que nem chego aos seus pés. Sou só mais um na estrada...

Fotos do Luiz Filipe

É que o neon...

esconde um inferno escuro e triste... Você pode entrar, mas precisava saber disso antes pra depois não se sentir enganado.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Foi daqui que eu vim...

E cheguei nesse lugar por livre e espontânea vontade. Agora eu sei que o que me atraiu foi essa mistura de alegria e melancolia. Essa consciência de que não há esperança, mas que nem por isso tira a vontade de viver. Ao contrário, dá ao viver um significado pleno. Uma certa urgência despreocupada com a busca.
Foto do Dany Boy

Como evitar a dor

O homem sábio, que em todas as infelicidades que lhe acontecem só vê golpes da fatalidade cega, não tem essas agitações insensatas; grita na sua dor, mas sem exaltação, sem cólera; do mal que o atinge só sente os ataques materiais, e os golpes que recebe podem ferir a sua pessoa, mas nenhum atinge o seu coração.
(Jean-Jacques Rousseau, 'Os Devaneios do Caminhante Solitário')

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Do book

Adorei essas fotos que o Dany Boy tirou...


Saco de Ratos no X

Isso é uma banda ou é uma gangue? Não sei, só sei que as últimas terças-feiras no Teatro X têm sido uma festa, como nunca vi igual.
A Saco de Ratos Blues tem cinco integrantes, mas passa a ser composta por 10, 20, 30, 120... de acordo com o passar da noite e das semanas. E o que eles têm feito Teatro X não são shows, são encontros de amigos que querem colocar na prática o verdadeiro significado de diversão.
É para soltar os demônios, os anjos, os cachorros e tudo de melhor e de pior que tem dentro da gente.
Hoje é a última apresentação. Infelizmente, vou perder... Mas quem puder ir, vai confirmar tudo isso.


Rua Rui Barbosa, 399 - Bela Vista - às 21h30 - Ingresso R$ 5,00

Adorei o Poke que a Priscila me mandou hoje:
- Nossa vida não vale, não vale um Chevrolet...


Amor, vontade e respeito

Ontem fui assistir a entrega do Prêmio Bravo! Prime de Cultura, na Sala São Paulo, que homenageia os melhores artistas e produtos culturais do ano, em várias categorias - literatura, artes plásticas, cinema, teatro, dança, música popular, música erudita - e ainda elege a instituição com a melhor programação cultural e a personalidade artística do ano.

Tudo muito chique, num lugar maravilhoso, um coquetel delicioso, proseco e um monte de gente desconhecida. Pedi socorro pro João Gabriel, que estava louco tendo que dar atenção a todos na festa, e ele me apresentou uma menina que começou a contar na roda com dois caras sobre a fantasia de vale-refeição que usou em uma festa e que era um vestido tomara que caia curtíssimo. Engraçado, mas no patience. Mas depois ele me apresentou a Nina Becker e um pessoal com uma conversa mais interessante. ;)

A premiação foi linda e emocionante. Lázaro Ramos foi o anfitrião e Nina e Catatau apresentaram músicas com arranjos que misturavam o pop e o erudito, seguindo o conceito da revista de que todo tipo de cultura deve ser disseminada e de que é possível que convivam lado a lado, nas páginas e nos palcos.

Gostei muito do prêmio de melhor espetáculo ter ido para Não Sobre o Amor, do Felipe Hirsch, que eu assisti e achei maravilhoso. E foi lindo ver a Arieta grávida indo receber o prêmio.

O bailarino Ivaldo Bertazzo, que entregou o prêmio de melhor espetáculo de dança, contou uma história que me tocou, também. Disse que um coreógrafo passava as noites em claro, aflito, pensando que não poderia criar mais nada, pois todos os movimentos de dança já tinham sido inventados. Então, foi abrir a garrafa de café e dali saiu um gênio, que disse que os movimentos são infinitos e sempre é possível criar algo novo. E assim ele retomou a coragem e a criatividade para criar. Acho que todas as artes são assim, infinitas e inesgotáveis, pois cada pessoa é única e cada artista tem um olhar diferente sobre o mundo. E é nessa individualidade, nas inúmeras e singulares formas de despertar algo em quem vê, é que está a beleza da arte.

O Wagner Moura, que hoje é visto como celebridade, mostrou em seu discurso de agradecimento pelo prêmio de artista Prime do ano, que é realmente um artista e não deixou de ser. Emocionado, agradeceu aos atores que dignificam a profissão, citando Paulo Autran, Raul Cortez, Fernando Torres, Derci Golçalves, mas sem esquecer dos artistas de teatro de rua, de teatro infantil, dos que ficam esperando para fazer testes de comercial, que ralam para conseguires sobreviver da arte que amam, e aos que estão no Retiro dos Artistas.

Também foi emocionante ver o violoncelista Dimos Goudaroulis receber o prêmio de melhor CD de música erudita. Ele disse que não esperava, pois é relativamente jovem (tem 38 anos), estava concorrendo com artistas mais experientes que admirava muito e gravou o CD meio que de improviso, na casa de um amigo produtor. Ele agradeceu aos seus professores, citando o nome de todos, demonstrando reconhecimento e gratidão. Eu pouco conheço de música erudita e não ouvi nenhum dos CDs que concorreram, mas tenho certeza de que o merecimento de Goudaroulis vem justamente do respeito e do amor que pareceu ter pelo que faz. Mesmo que gravado em três dias, como ele disse, o sentimento e a vontade de fazer que ele deve ter colocado nesse disco, valem por toda uma eternidade.

Foi uma honra poder me sentir entre pessoas que ainda acreditam que é possível fazer arte de forma respeitosa e séria, mesmo com tantas dificuldades e mesmo com a desvalorização que têm que enfrentar. Eu tenho convivido com artistas e vejo que não é nada, nada fácil. Acho muito triste ver que a maioria das pessoas vê a arte como algo supérfluo e de segundo plano, como se fosse um mero entretenimento. E que valorizam mais as imagens do que as idéias. Tentar mostrar o contrário é quase sempre dar soco em ponta de faca, mas ontem vi que ainda tem gente que não desiste, acredita e trabalha pra isso e senti o significado das palavras amor, vontade e respeito.

Ps: Tudo bem que o
Minczuk fez um lindo trabalho na OSB e já sofreu muito com polêmicas e historinhas, pelo que sei. Mas ainda acho que a personalidade do ano tinha que ser o Niemeyer, pois foi ele que nos ensinou que "A data não é importante. A idade não é importante. O tempo não é importante. A arquitetura não é importante. O que nós criamos não é importante. Somos muito insignificantes. O que é importante é ser tranqüilo e otimista." ;) Pra quem não sabia, essa frase sábia que eu vivo repetindo, é dele. Ah, também protesto pelo Santiago (o filme mais lindo do mundo) não ter sido escolhido como melhor filme no lugar de Tropa de Elite...

Estes foram os ganhadores:

Melhor exposição: Vik Muniz, com a obra The Beautiful Earth.
Melhor espetáculo: Não Sobre o Amor, dirigida por Felipe Hirsch.
Melhor livro: O Filho Eterno, de Cristovão Tezza.
Melhor espetáculo: Vi-Vidas, de Sônia Mota.
Melhor filme nacional: Tropa de Elite, de José Padilha.
Melhor CD erudito: CD Bach - 3 Suítes para Violoncelo Solo, de Dimos Goudaroulis.
Melhor CD popular: Conecta, de Marcos Valle.
Melhor show: Obra em Progresso, de Caetano Veloso.
Personalidade cultural do ano: Roberto Minczuk, pela revitalização da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB).
Melhor programação cultural: Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Artista Prime do ano: Wagner Moura, pelas atuações na novela Paraíso Tropical, como Olavo, e no filme Tropa de Elite, como Capitão Nascimento.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Só mais uma coisa

E ontem acabaram as Satyrianas. Não consegui ver tudo o que tinha programado, mas me diverti, conversei com muita gente e falei muita merda também.
Aconteceu uma coisa engraçada. Sábado fui assistir de novo Nossa vida não vale um Chevrolet. Dessa vez tive a cara de pau de pedir um convite, coisa que não gosto de fazer. Na fila encontrei o Edinho e um outro cara que eu não lembro o nome. Quando entramos, eu queria sentar na primeira fila, mas um cara mais velho tinha guardado um monte de lugar e só tinha poltrona vaga lá no cantinho. Eu nem aí, fui e sentei do lado dele. Aí aconteceu o seguinte:
- Moça, eu tô guardando esse lugar.
- Mas eu quero sentar aqui e eu cheguei antes.
- Mas minha amiga tá vindo e eu guardei pra ela.
- Mas eu quero sentar aqui na frente.
Aí o Edinho me chamou e eu mudei de lugar, contrariada, e ele disse:
- Aquele ali é o Neville, aquele cineasta.
- Ah, e daí, só porque ele é cineasta acha que pode reservar lugar. Eu quero sentar ali, aqui tá muito no canto, droga. Vai guardar lugar na casa da mãe Joana.
Ai o caa me chamou e disse:
- Minha amiga não vem mais, pode sentar aqui.
E eu sentei do lado dele. Eu já quase decorei as falas desse espetáculo, que eu adoro. Algumas situações são muito foda e de tão tristes são engraçadas. Ou são simplesmente engraçadas mesmo. E eu dou muita risada sempre que assisto. E dessa vez nao foi diferente. Só sei que quando acabou, o Neville veio falar comigo e disse que gostou da minha reação. E disse que queria que eu fosse assistir ao filme dele que ia passar na Mostra. Ontem ele me ligou, mas já tava muito em cima da hora pra conseguir pegar o filme. Uma pena, queria ter assistido mesmo, mas acho que terei outras oportunidades.
No fim, achei o cara bem bacana. Espero que ele me ligue mesmo quando voltar a São Paulo e que a gente se encontre de novo.
E fiquei pensando, por mais que eu tente, não consigo ser diferente do que eu sou.

Danger!

A melhor coisa a fazer para não decepcionar é tentar não criar expectativas.

O amor é foda

Eu não sei se eu acredito em amor. Tenho uma forte tendência a pensar que a gente geralmente precisa ficar com outra pessoa por se sentir inseguro sozinho, ou pra fortalecer nosso ego, pra se auto-afirmar, porque é bom saber que alguém precisa da gente. As relações normalmente são estabelecidas na base da dependência - eu preciso de você e você precisa de mim, sem isso somos incompletos.
Não sei se isso é saudável. É ótimo ter companhia e carinho, mas também é bom poder se sentir bem sozinho, não precisar do outro para ser feliz.
Acho que por causa desse negócio de auto-afirmação é que as pessoas sempre são atraídas pelo que é mais difícil. Como se pensassem: se eu não conquistar isso, não sou nada. E quando não dá certo ficam mal, sentindo que têm algum problema.
Há pouco tempo uma amiga minha foi em uma festa e ficou com um cara, depois tivemos mais ou menos essa conversa:


amiga: Ele é lindo, super gostoso, mas é um galinha e um cabeça oca. Foi só pra dar uns beijos mesmo.
eu: Ah, legal. Cara burro não dá mesmo.
5 minutos depois
amiga: Ai, Vi, entrei no orkut dele e vi que ele tem namorada! Cachorro! Filho da puta.
eu: Ah, mas você disse que não queria nada com ele mesmo, deixa pra lá.
amiga: Mas é que eu tava lembrando, foi tão gostoso ontem, acho que tô apaixonada por ele.

Não sei se isso é um tipo de masoquismo. Ou uma forma de defesa de alguém mal resolvido que tem medo de manter um relacionamento. Ou auto-afirmação mesmo - Qual é o problema comigo? Porque ele prefere a namorada e não eu?

Só sei que eu estou percebendo essa tendência em mim. Por mais que eu saiba que uma coisa não tem a mínima condição de dar certo, insisto. É uma obsessão. O que é mais difícil é mais gostoso, né?

E é difícil parar de pensar nele, lembrar do jeito que ele olha de soslaio, de como parece sempre estar sério, ou triste, ou mau-humorado. Talvez seja apenas um desafio... Mas tá difícil...

Enquanto isso, ouço:
Sai fora que encheu o saco, acha um panaca pra te dar um trato. Vai procurar tua tribo, nesse quarto tu corre perigo. (...) Não me beije mais, nem tente... eu te amo, sai da minha frente. (Tempo Instável - Maestro Amalfi e Mário Bortolotto / Tempo Instável)

domingo, 26 de outubro de 2008

Bons Fluidos


Escrevi uma matéria sobre a Beatriz Milhazes para a revista Bons Fluidos que foi publicada este mês.

Para ver, clique aqui.