quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ninguém é de ferro...

No msn, de um amigo:
Uai q carencia toda é essa, dona Vivian? Vc sempre foi tão decidida, dona de si e etc etc etc...

Mais sobre Cão sem dono

Fiquei pensando em outras coisas sobre o filme e me dou vontade de escrever mais. Duas cenas me chamaram muito a atenção. Só pra dar pra entender, no começo um cão de rua começa a seguir Ciro até a casa dele e ele acaba adotando o bichinho. 

Em uma das cenas, Ciro está almoçando com os pais e a mãe pergunta se ele deixa o cachorro dele sozinho em casa quando sai. Ele diz que o cachorro fica na rua, porque é um cão de rua. E a mãe fala que quando um cachorro tem dono, o dono cuida dele. Ciro responde que não é dono do cão, é só um amigo. O cara se exime de qualquer responsabilidade quando diz isso. Quer dizer, o cachorro tá lá com ele porque quer, ele faz o que pode, mas é cada um por si. E aí está refletida também a relação que ele tem com Marcela. Se ela aparece na casa dele é porque ela quer. Ele não sabe nada da vida dela, e nunca demonstrou o menor interesse em saber, onde ela mora, onde ela trabalha, nunca telefonou. 

Em outra cena Marcela pede pra ele fazer uma poesia pra ela e ele começa a falar: Marcela, linda, gostosa, deliciosa. Então ela diz: Isso é óbvio, lê a minha alma. Raiva. Há tempos ela estava ali perto dele e tudo o que ele conseguia ver era como ela era bonita e gostosa. O cara não enxerga nada além do seu próprio umbigo mesmo. Mas, aqui se faz e aqui se paga. Depois ele percebe o quanto ela era importante na vida dele, só que é tarde demais e ele sofre. Sofre muito.  Mas nunca é tarde para aprender, né?
  

terça-feira, 30 de setembro de 2008

É assim que as pessoas chegam até aqui...

Essas são as frases que alguns infelizes procuraram no google para chegar até esse blog:

onde comprar rapadura barata
casamento sexo enjoa
o que é amargo?
pollyana – fiume
amigos rescente
significado eldo
objetivos para trabalhar com frutos em sala de aula
amor coisa mais romantica do mundo
poliana sao luis de montes belos

Só rindo, né?

Cão sem dono



Acabei de assistir Cão sem dono, dirigido pelo Beto Brant e pelo Renato Ciasca. Já queria assistir há algum tempo e hoje descobri sem querer que tinha conseguido baixar da internet e ele estava aqui guardado no meu computador, como que esperando a hora certa pra ser assistido. 
Há pouco tempo, li o livro que inspirou o filme, Até o dia em que o cão morreu, do Daniel Galera. Esses escritores gaúchos são muito bons (acho que já falei alguma coisa aqui sobre o Reginaldo Pujol Filho, que escreveu Azar do personagem, um excelente livro de contos). O Daniel já é reconhecido como um dos melhores escritores de sua geração, um dos que melhor retrata o pensamento e o modo de vida dos jovens de 20 e poucos a 30 anos. Daqui há cinqüenta anos, vão ler um livro dele e saber exatamente como a gente era, como vivia e quais eram as nossas expectativas. Ou falta de expectativas. É sobre isso que ele fala nesse livro. Um cara formado em letras, que se diz tradutor, mas não trabalha, mora sozinho em um apartamento sem móveis, é sustentado pelo pai e não tem a menor perspectiva de mudar de vida. Ele diz que seguiu sua vida na inércia – escola, cursinho, faculdade, trabalho – só que essa parte era mais difícil do que ele imaginava. Ou ele simplesmente não tinha vontade nem ânimo algum para continuar. A vidinha solitária, fechado no apartamento, era suficiente pra ele. Até que aparece a modelo Marcela, cheia de sonhos e expectativas, e ele subestima tudo o que ela deseja e tudo o que ela é e quer ser. Inclusive o que ela sente por ele. A indiferença dele perante a vida é a mesma que ele tem perante ela. Assim como o cão, que o segue até sua casa por espontânea vontade e ele o aceita, Marcela é tratada como se sua presença ali não fizesse a menor diferença. Até que as coisas mudam, muda a situação e ele também muda.
No filme senti falta de uma certa raiva de tudo isso que Marcela parece ter no livro. Ela é muito mais passiva no cinema. Por outro lado, o sofrimento do cara quando sente que pode perdê-la é muito mais presente no filme, e isso eu gostei. A gente só da valor depois que perde mesmo, né?
Mas, voltando a falta de perspectivas, acho que a gente sempre viveu essa inércia e sempre foi assim. Todo mundo já tem o seu destino traçado desde quando nasce e esse destino vai sendo incutido nas nossas cabecinhas desde crianças. As perspectivas que a gente tem não são realmente nossas, elas nos foram contadas em historinhas ao longo da vida e acabamos por absorvê-las. Será que existe alguém que seja realmente livre? Que tenha feito suas próprias escolhas, mesmo depois de passar por toda essa lavagem cerebral? Acho que existe sim, mas com certeza essa pessoa é considerada louca ou anormal.
Pra que enfrentar tudo isso se eu posso ficar trancado no meu apartamento vendo a vida passar da janela? Ou por que ficar vendo a vida passar da janela se eu posso ir lá e fazer alguma coisa acontecer do meu jeito? A escolha é minha. Será?

Tks

Às vezes, a gente não percebe como consegue iluminar o dia de outra pessoa apenas sendo a gente mesmo. Eu realmente tenho essa sorte, de estar rodeada por pessoas tão especiais, que aparecem de repente e, mesmo sem perceberem, conseguem transformar os dias chuvosos e as maiores tempestades em manhãs ensolaradas e tardes azuis, nas quais posso sentir o calor na pele e o vento batendo no rosto. E isso dá aquela sensação de que realmente vale a pena viver.

Boa Sorte - Vanessa da Mata

Tudo o que quer me dar é demais, é pesado, não há paz. Tudo o que quer de mim, irreais expectativas desleais. Mesmo, se segure, quero que se cure dessa pessoa que o aconselha. Há um desencontro, veja por esse ponto, há tantas pessoas especiais...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Reduce, reuse recycle



Eu pedi pra você não soltar a minha mão, e você soltou. Mas e daí? Tudo hoje em dia é descartável mesmo... e isso é tão mais prático, né? Dá até pra reciclar. 
Mas eu preferia o tempo em que as coisas eram vendidas a granel e os sacos de supermercado eram de papel kraft. Tão mais bonito e romântico!

2046 - Wong Kar Wai

Love is a matter of timing. You think it will work out, but it will often end up otherwise.

Hum?

Arte é aquilo que dá um arrepio e faz seu coração disparar, sem você saber exatamente o por quê. E prende seu olhar, e transforma o seu jeito de ver o mundo, mesmo quando você já não está mais olhando pra aquilo.

É assim?

Então essa é a sensação de se estar só? Olhar pros lados e não enxergar ninguém que se pareça com você? É querer falar, mas não ter ninguém por perto que entenda o que você quer dizer? Só que isso faz tanto tempo que você já esqueceu o que tinha que ser dito...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Tired

Putz, não respondeu nenhuma mensagem minha hoje, hein, cara! Enquanto faço café na cozinha, escuto o homem no hall do elevador, falando no celular. Não respondi mesmo... e nem atendi seus telefonemas, e nem respondi seus e-mails, e te ignorei no msn e te apaguei do meu orkut. E sei que você também já fez isso comigo, mas eu era outra pessoa, ou outras. Então quem você pensa que é pra me questionar? Eu não quero cobrar nada, sei que não tenho esse direito. Não espero nenhuma atitude. Só quero uma resposta, um sinal de vida. Sem jogos, sem disfarces, sem mentiras. Já sou bem grande pra saber lidar com a verdade. Mas e você? Agiu assim quando esperavam isso de você? Você também já omitiu, desligou o celular, fingiu que não tinha visto. Tá bom, eu sei que é difícil lidar com a verdade. Mas a dúvida é que nem uma lixa que fica raspando dentro do estômago, e às vezes dói, às vezes arde e às vezes faz cócegas e dá aquele frio na barriga quando o telefone toca e o seu nome aparece online. É, mas eu estou com outra pessoa. E é de propósito que eu escolho as respostas que sei que você não quer. Se você brincou comigo, agora eu também entrei no jogo. Vamos ver quem aguenta por mais tempo. Jogo? Eu não sei jogar. Não tenho sorte nessas coisas. Foi tudo um mal entendido. Não era isso que eu queria dizer. Não era isso que eu queria calar. Era o que eu queria dizer mas não disse. Achei que era isso que você esperava. Mas eu não sei medir minhas palavras. E eu não sabia medir o que eu sinto. Mas agora eu sei. E só vou dar isso pra quem merece e o quanto merece. E o quanto pode me dar em troca. Ou tudo, ou nada.

domingo, 21 de setembro de 2008

Senhora - José de Alencar

Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. 

Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. 

Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade. Era rica e formosa. 

Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante. 

Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da Corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira o seu -fulgor? 

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Por Srta. Fava

"E a vida vale a pena por isso: porque não dá pra ser feliz o tempo todo, mas quando somos intensos, sofremos tudo o que temos que sofrer de uma vez só. Uma avalanche que parece não ter fim de tanta tristeza... Mas quando estamos passando por algo gostoso, é gostoso e faz bem até o último fio de cabelo. E essa felicidade e plenitude invadem a gente... nos fazem sentir completas, felizes e otimistas! E isso é uma sorte imensa mesmo."

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

terça-feira, 12 de agosto de 2008

É isso...

Hoje quero escrever só para registrar que eu sou uma pessoa de muita sorte. Trabalho em um lugar lindo. Venho de carona com duas pessoas muito bacanas, que conheci recentemente. Aliás, também tenho a sorte de sempre conhecer pessoas bacanas e, ultimamente isso tem acontecido muito. A gente vem ouvindo rádio no carro e eles têm muito bom gosto musical. No caminho, ouvindo aquelas músicas na estrada e conversando, me dá vontade de viajar e me imagino naqueles road movies em que as pessoas pegam uma estrada sem destino. Se eu fizesse isso, me desculpem os preconceituosos, mas uma das músicas que eu iria ouvir é Someday I´ll be saturday night, do Bom Jovi. Essa música me lembra minha adolescência e dá aquela sensação animante, apesar da letra ser meio triste, mas esperançosa.
Quando a gente chega no trabalho, pega um café e fica na varanda conversando um pouco antes de começar o dia. É uma casa com um jardim enorme, no meio do verde, com uma piscina e muitos passarinhos cantando. E aquele friozinho, mas com o sol da manhã esquentando e a luz no ar ainda meio branco da neblina da noite.
O meu trabalho também é uma delícia. Eu ajudo a editar uma revista feminina e também escrevo algumas matérias e faço entrevistas. Os assuntos são leves e gostosos de falar. Adoro pesquisar, descobrir coisas novas e conversar com as pessoas.
E a noite, depois que saio da editora, geralmente vou encontrar com meus amigos e amigas. Minhas amigas queridas que conheci na primeira assessoria de imprensa em que trabalhei em São Paulo. Outro lugar muito bacana, um ambiente agradável e descontraído, um lugar para fazer amigos mesmo. E eu adorava meus clientes. Esse é outro ponto em que tenho muita sorte, sempre trabalhei com pessoas legais, com quem aprendi bastante coisa. Nunca fiquei em luares que não me dessem prazer em trabalhar. Porque eu sou assim, preciso me sentir produtiva e aprendendo sempre, gosto de estar perto de pessoas que possam acrescentar alguma coisa na minha vida. E isso eu tenho conseguido. Já saí de lugares que não me proporcionavam tudo isso e, por sorte de novo, nunca fiquei mais de duas semanas sem trabalho.
Voltando aos amigos, como já disse, tenho a sorte de sempre conhecer gente muito bacana. Minhas amigas, por mais diferentes que sejam de mim, tentam entender minhas loucuras momentâneas e nunca me deixam de lado. Elas me agüentam quando, nas mesas dos bares, começo a ler os trechos de livros e poesias e até algumas coisas que eu mesma escrevi. E dão risada quando eu falo que eu vou fazer saraus na minha casa, para as pessoas lerem seus trechos preferidos de livros e poesias. E elas às vezes até me acompanham nos meus programas culturais. E também me chamam para ir ao samba, ao samba-rock e em lugares que eu nem gosto muito, com pessoas que não fazem meu estilo, mas eu vou e adoro, porque estou com as minhas amigas lindas, por isso me divirto.
Também tem as pessoas que conheci há pouco tempo, mas que têm me proporcionado momentos únicos, com conversas que me renovam. E eu já amo essas pessoas. Elas falam às vezes sobre coisas que eu não sei, que eu não entendo, que não fazem parte da minha vida, e eu fico viajando na conversa, mas adoro, porque depois quero descobrir o que é tudo aquilo que elas falam e leio, e ouço músicas, e vejo filmes, e aprendo...
Alguns outros amigos eu não vejo e não converso com muita freqüência, mas só de saber que eles estão lá, e às vezes falam um oi no msn, ou mandam um e-mail, ou aparecem na fotinho do orkut, e me fazem lembrar das coisas boas que já fizemos juntos, me fazem um bem danado.
Acho que amor não tem distância nem tempo, e os maiores amores, os verdadeiros, são tão óbvios que nem precisam de palavras ou de explicações. Não têm obrigação, eles simplesmente existem e a gente sabe que eles estão lá. E só de saber que eles existem a gente se sente seguro e profundamente feliz. Isso é amor de amigo, amor de querer bem, amor de irmão, amor de família. É aquele amor que faz você saber que pode ligar a qualquer hora do dia e da noite só pra falar oi ou pra pedir socorro, e pode não ligar, mas nem por isso ele deixa de existir. Mas isso é só o que eu acho, cada um ama a sua maneira.
Tá bom, acho que esse clima bucólico me deu uma síndrome de Pollyanna. Já que é assim, aproveito para agradecer ao vinho que eu tomo às vezes sozinha em casa, num momento só meu, que me dá um prazer solitário e único. Ao primeiro gole de cerveja e aos amigos que me acompanham nesse ritual. Ao frio na barriga que dá quando as luzes do cinema se apagam. E ao pensamento vazio cheio de vozes antes das luzes do palco se acenderem no teatro. Aos começos de manhãs brancas alegres e aos finais de tarde ansiosos e alaranjados. Ao Reginaldo Pujol Filho, que escreveu o livro que eu estou lendo e adorando. E ao cheiro dos livros que são abertos pela primeira vez. A Sade, a Schopenhauer, a Rilke, a Kerouac, a José de Alencar, a Garcia Marques, a Borges. Ao João Gabriel, que foi quem fez o maior elogio que já recebi na vida. Ao cara que na sexta-feira passou a mão no meu cabelo na hora que eu estava indo ao banheiro e falou sorrindo “Olha a Vivian aí”.
E às pessoas que tentam ver o lado bom das coisas, não ficam justificando e dando explicações. Porque a vida é assim e pronto.
Como disse Niemeyer, a data não é importante. A idade não é importante. O tempo não é importante. A arquitetura não é importante. O que nós criamos não é importante. Somos muito insignificantes. O que é importante é ser tranqüilo e otimista.
É isso...

...

Se não sabe fazer melhor, não critica
Se não veio ajudar, não atrapalha

domingo, 10 de agosto de 2008