sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Reduce, reuse recycle



Eu pedi pra você não soltar a minha mão, e você soltou. Mas e daí? Tudo hoje em dia é descartável mesmo... e isso é tão mais prático, né? Dá até pra reciclar. 
Mas eu preferia o tempo em que as coisas eram vendidas a granel e os sacos de supermercado eram de papel kraft. Tão mais bonito e romântico!

2046 - Wong Kar Wai

Love is a matter of timing. You think it will work out, but it will often end up otherwise.

Hum?

Arte é aquilo que dá um arrepio e faz seu coração disparar, sem você saber exatamente o por quê. E prende seu olhar, e transforma o seu jeito de ver o mundo, mesmo quando você já não está mais olhando pra aquilo.

É assim?

Então essa é a sensação de se estar só? Olhar pros lados e não enxergar ninguém que se pareça com você? É querer falar, mas não ter ninguém por perto que entenda o que você quer dizer? Só que isso faz tanto tempo que você já esqueceu o que tinha que ser dito...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Tired

Putz, não respondeu nenhuma mensagem minha hoje, hein, cara! Enquanto faço café na cozinha, escuto o homem no hall do elevador, falando no celular. Não respondi mesmo... e nem atendi seus telefonemas, e nem respondi seus e-mails, e te ignorei no msn e te apaguei do meu orkut. E sei que você também já fez isso comigo, mas eu era outra pessoa, ou outras. Então quem você pensa que é pra me questionar? Eu não quero cobrar nada, sei que não tenho esse direito. Não espero nenhuma atitude. Só quero uma resposta, um sinal de vida. Sem jogos, sem disfarces, sem mentiras. Já sou bem grande pra saber lidar com a verdade. Mas e você? Agiu assim quando esperavam isso de você? Você também já omitiu, desligou o celular, fingiu que não tinha visto. Tá bom, eu sei que é difícil lidar com a verdade. Mas a dúvida é que nem uma lixa que fica raspando dentro do estômago, e às vezes dói, às vezes arde e às vezes faz cócegas e dá aquele frio na barriga quando o telefone toca e o seu nome aparece online. É, mas eu estou com outra pessoa. E é de propósito que eu escolho as respostas que sei que você não quer. Se você brincou comigo, agora eu também entrei no jogo. Vamos ver quem aguenta por mais tempo. Jogo? Eu não sei jogar. Não tenho sorte nessas coisas. Foi tudo um mal entendido. Não era isso que eu queria dizer. Não era isso que eu queria calar. Era o que eu queria dizer mas não disse. Achei que era isso que você esperava. Mas eu não sei medir minhas palavras. E eu não sabia medir o que eu sinto. Mas agora eu sei. E só vou dar isso pra quem merece e o quanto merece. E o quanto pode me dar em troca. Ou tudo, ou nada.

domingo, 21 de setembro de 2008

Senhora - José de Alencar

Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. 

Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. 

Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade. Era rica e formosa. 

Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante. 

Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da Corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira o seu -fulgor? 

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Por Srta. Fava

"E a vida vale a pena por isso: porque não dá pra ser feliz o tempo todo, mas quando somos intensos, sofremos tudo o que temos que sofrer de uma vez só. Uma avalanche que parece não ter fim de tanta tristeza... Mas quando estamos passando por algo gostoso, é gostoso e faz bem até o último fio de cabelo. E essa felicidade e plenitude invadem a gente... nos fazem sentir completas, felizes e otimistas! E isso é uma sorte imensa mesmo."

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

terça-feira, 12 de agosto de 2008

É isso...

Hoje quero escrever só para registrar que eu sou uma pessoa de muita sorte. Trabalho em um lugar lindo. Venho de carona com duas pessoas muito bacanas, que conheci recentemente. Aliás, também tenho a sorte de sempre conhecer pessoas bacanas e, ultimamente isso tem acontecido muito. A gente vem ouvindo rádio no carro e eles têm muito bom gosto musical. No caminho, ouvindo aquelas músicas na estrada e conversando, me dá vontade de viajar e me imagino naqueles road movies em que as pessoas pegam uma estrada sem destino. Se eu fizesse isso, me desculpem os preconceituosos, mas uma das músicas que eu iria ouvir é Someday I´ll be saturday night, do Bom Jovi. Essa música me lembra minha adolescência e dá aquela sensação animante, apesar da letra ser meio triste, mas esperançosa.
Quando a gente chega no trabalho, pega um café e fica na varanda conversando um pouco antes de começar o dia. É uma casa com um jardim enorme, no meio do verde, com uma piscina e muitos passarinhos cantando. E aquele friozinho, mas com o sol da manhã esquentando e a luz no ar ainda meio branco da neblina da noite.
O meu trabalho também é uma delícia. Eu ajudo a editar uma revista feminina e também escrevo algumas matérias e faço entrevistas. Os assuntos são leves e gostosos de falar. Adoro pesquisar, descobrir coisas novas e conversar com as pessoas.
E a noite, depois que saio da editora, geralmente vou encontrar com meus amigos e amigas. Minhas amigas queridas que conheci na primeira assessoria de imprensa em que trabalhei em São Paulo. Outro lugar muito bacana, um ambiente agradável e descontraído, um lugar para fazer amigos mesmo. E eu adorava meus clientes. Esse é outro ponto em que tenho muita sorte, sempre trabalhei com pessoas legais, com quem aprendi bastante coisa. Nunca fiquei em luares que não me dessem prazer em trabalhar. Porque eu sou assim, preciso me sentir produtiva e aprendendo sempre, gosto de estar perto de pessoas que possam acrescentar alguma coisa na minha vida. E isso eu tenho conseguido. Já saí de lugares que não me proporcionavam tudo isso e, por sorte de novo, nunca fiquei mais de duas semanas sem trabalho.
Voltando aos amigos, como já disse, tenho a sorte de sempre conhecer gente muito bacana. Minhas amigas, por mais diferentes que sejam de mim, tentam entender minhas loucuras momentâneas e nunca me deixam de lado. Elas me agüentam quando, nas mesas dos bares, começo a ler os trechos de livros e poesias e até algumas coisas que eu mesma escrevi. E dão risada quando eu falo que eu vou fazer saraus na minha casa, para as pessoas lerem seus trechos preferidos de livros e poesias. E elas às vezes até me acompanham nos meus programas culturais. E também me chamam para ir ao samba, ao samba-rock e em lugares que eu nem gosto muito, com pessoas que não fazem meu estilo, mas eu vou e adoro, porque estou com as minhas amigas lindas, por isso me divirto.
Também tem as pessoas que conheci há pouco tempo, mas que têm me proporcionado momentos únicos, com conversas que me renovam. E eu já amo essas pessoas. Elas falam às vezes sobre coisas que eu não sei, que eu não entendo, que não fazem parte da minha vida, e eu fico viajando na conversa, mas adoro, porque depois quero descobrir o que é tudo aquilo que elas falam e leio, e ouço músicas, e vejo filmes, e aprendo...
Alguns outros amigos eu não vejo e não converso com muita freqüência, mas só de saber que eles estão lá, e às vezes falam um oi no msn, ou mandam um e-mail, ou aparecem na fotinho do orkut, e me fazem lembrar das coisas boas que já fizemos juntos, me fazem um bem danado.
Acho que amor não tem distância nem tempo, e os maiores amores, os verdadeiros, são tão óbvios que nem precisam de palavras ou de explicações. Não têm obrigação, eles simplesmente existem e a gente sabe que eles estão lá. E só de saber que eles existem a gente se sente seguro e profundamente feliz. Isso é amor de amigo, amor de querer bem, amor de irmão, amor de família. É aquele amor que faz você saber que pode ligar a qualquer hora do dia e da noite só pra falar oi ou pra pedir socorro, e pode não ligar, mas nem por isso ele deixa de existir. Mas isso é só o que eu acho, cada um ama a sua maneira.
Tá bom, acho que esse clima bucólico me deu uma síndrome de Pollyanna. Já que é assim, aproveito para agradecer ao vinho que eu tomo às vezes sozinha em casa, num momento só meu, que me dá um prazer solitário e único. Ao primeiro gole de cerveja e aos amigos que me acompanham nesse ritual. Ao frio na barriga que dá quando as luzes do cinema se apagam. E ao pensamento vazio cheio de vozes antes das luzes do palco se acenderem no teatro. Aos começos de manhãs brancas alegres e aos finais de tarde ansiosos e alaranjados. Ao Reginaldo Pujol Filho, que escreveu o livro que eu estou lendo e adorando. E ao cheiro dos livros que são abertos pela primeira vez. A Sade, a Schopenhauer, a Rilke, a Kerouac, a José de Alencar, a Garcia Marques, a Borges. Ao João Gabriel, que foi quem fez o maior elogio que já recebi na vida. Ao cara que na sexta-feira passou a mão no meu cabelo na hora que eu estava indo ao banheiro e falou sorrindo “Olha a Vivian aí”.
E às pessoas que tentam ver o lado bom das coisas, não ficam justificando e dando explicações. Porque a vida é assim e pronto.
Como disse Niemeyer, a data não é importante. A idade não é importante. O tempo não é importante. A arquitetura não é importante. O que nós criamos não é importante. Somos muito insignificantes. O que é importante é ser tranqüilo e otimista.
É isso...

...

Se não sabe fazer melhor, não critica
Se não veio ajudar, não atrapalha

domingo, 10 de agosto de 2008

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Significados

As mesmas palavras podem transmitir idéias completamente diferentes, dependendo do contexto e da forma como são ditas, mesmo que pela mesma pessoa.
Na ultima sexta-feira, assisti ao espetáculo Nossa vida não vale um Chevrolet. Eu já tinha lido o texto original do Mário Bortolotto e visto o filme Nossa vida não cabe num Opala, que é a adaptação da peça para o cinema. Apesar de toda a força da história estar do texto, as palavras apenas impressas não tem tanta vida quanto as faladas pelos atores, por mais imaginação que se tenha. Afinal, é teatro e foi escrito para ser interpretado, e não lido. O ritmo, a entonação, os gestos e trejeitos, os olhares, a movimentação, determinam o clima do que é contado. Até mesmo os espaços são definidos pelos atores, já que no palco nu o cenário é criado na nossa imaginação.
A peça tem um tom mordaz e intercala cenas que chegam a ser cômicas com momentos mais sérios e pesados, principalmente do meio para o final. Lembro que quando meu irmão era bem pequeno, perguntou pra minha mãe o que era irônico e ela respondeu que é quem ri sem ter vontade. Acho que é isso, aquela sensação de “rir para não chorar”, uma vontade de dar risada da desgraça alheia, mas sabendo que no fundo o “alheio” sou eu. No final, fica o vazio que, assim como o palco sem ornamentos, é o espaço pra gente pensar (se é que dá pra fazer isso quando se está desnorteado).
Já o filme, tem uma pegada mais dramática, não é tão sarcástico, mas nem por isso menos incisivo. Pra mim, a grande diferença é que o filme é mais direto e a peça exige um olhar mais apurado - sem ele pode parecer simples e até boba em alguns momentos. Essa diferença fica bem clara na ótima atuação do Gabriel Pinheiro, que faz o mesmo papel no cinema e no palco, em boa parte com o mesmo texto, as mesmas palavras, e consegue dar contornos diferentes ao personagem, de forma muito coerente com o todo.
Bom, quem quiser conferir com os próprios olhos, ainda tem mais três sextas-feiras para ver a peça. O filme estréia no próximo dia 15 e vale muito a pena, tanto por tudo o que já falei, quanto pelo trabalho dos atores Leonardo Medeiros, Maria Luiza Mendonça, Milhem Cortaz e Maria Manuela. E tem a Dercy, em uma participação rápida como... Dercy, sua última atuação no cinema. Ah, a trilha sonora também é de delirar, assim como a da peça, ambas de responsabilidade do Bortolotto.

Nossa vida não vale um Chevrolet

Onde: Espaço dos Parlapatões - Praça Roosevelt, 158

Quando: Estréia dia 01 de agosto, a meia-noite

Quanto: R$ 20,00


Texto, Direção, Sonoplastia e Iluminação: Mário Bortolotto

Elenco: Fernanda D´Umbra, Laerte Mello (Nelson Peres), Mário Bortolotto, Gabriel Pinheiro, Francisco Eldo Mendes, Paulo Jordão, Thiago Pinheiro e Helena Cerello

Operação Técnica: Marcelo Montenegro

Direção Técnica: Régis Santos

Produção: Dani Angelotti


Nossa vida não cabe num Opala


Direção: Reinaldo Pinheiro

Elenco: Leonardo Medeiros, Milhem Cortaz, Gabriel Pinheiro, Maria Manoella, Jonas Bloch, Maria Luiza Mendonça, Paulo César Peréio

Participação: Marília Pêra, Derci Gonçalves e Maguila

Estréia: 15 de agosto


segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Escapamento

O carniceiro em foco

Columba picazurus

Eu não troco uma boa conversa por nada (quase) nunca. Ficar algumas horas conversando com alguém (dependendo da pessoa) pode ser muito mais enriquecedor do que ler um livro, por exemplo. Isso porque na conversa a informação corre em mão dupla. Raramente se tem a chance de discutir as idéias de uma obra com o autor. O que ele criou é aquilo e pronto, não dá pra questionar nada ali, na hora em que se lê. Em uma conversa o feed back é imediato, e não só com palavras. Por meio de todos os sentidos é possível perceber o outro, sentir a pessoa. Uma risada, o agito dos pés, o suor nas mãos, um olhar ou um piscar de olhos revelam coisas muitas vezes não ditas.
Mas o que mais me atrai em uma boa conversa com gente interessante é o embate que se trava entre pontos de vista diferentes. Não, eu não gosto de briga, gosto de desafio. Ser questionado estimula o pensamento e acaba proporcionando descobertas de coisas que às vezes nem nós sabemos sobre nós mesmos. Do mesmo jeito, questionar o outro permite entendê-lo e entender o outro amplia nossa visão do mundo.
Pra mim, não existe melhor sensação do que me sentir alimentada depois de uma conversa. Mas com um detalhe: esse alimento nunca satisfaz. Posso ficar horas, virar uma noite conversando que, se o papo for bom, não vou sair satisfeita, saciada. É como um vício.
Já me criticaram por isso, dizendo que não devia questionar tanto, que devia tentar pensar menos, perguntar menos e olhar a vida de um jeito mais simples. Mas eu gosto!
O Kings of Convenience tem uma música que diz assim: “She'll talk to you, with no one else around, but only if you're able to entertain her, the moment conversation stops she's gone, again”. É isso, entende?
E agradeço pelas conversas interessantíssimas com biólogos sarcásticos de riso estranho e contagiante, regadas à água, que seguem ao longo da madrugada, até a aurora boreal nos expulsar para casa.

domingo, 3 de agosto de 2008

Sobre o direito de ter opinião (e o dever de pensar sobre ela)

Estava conversando esses dias com uma amiga, a mesma que me pediu para escrever sobre ciúmes. Ela estudou comigo na faculdade, é uma menina super inteligente e escreve muito bem. Estávamos falando alguma coisa sobre escrever, eu disse que ela deveria escrever mais, já que é boa nisso, quem sabe começar um blog. Ela disse que não se sentia segura, pois provavelmente ia escrever besteiras.

Foi aí que começou nossa conversa sobre opinião. Repito aqui o que disse pra ela. Todo mundo tem direito de ter sua própria opinião e sua própria visão sobre qualquer assunto. A opinião de alguém depende da vivência e do repertório da pessoa. Por isso aquela famosa frase: "é próprio das pessoas inteligentes mudar de opinião". Isso não significa ser volúvel, indeciso ou inseguro. Errado, pra mim, é alguém que se agarra às suas concepções e se fecha para o resto do mundo. É importante manter a abertura do olhar e do pensamento para coisas novas e diferentes pontos de vista. Daí vem a mudança de opinião, conhecer outras coisas proporciona um embasamento maior para avaliar o que se vê.

Uma pessoa de 50 anos, por exemplo, possivelmente tem mais ferramentas para analisar um livro do que eu, que tenho 26. Ela provavelmente já leu muito mais do que eu e pode comparar uma obra com muitas outras mais. Mas nem por isso minha opinião sobre o livro pode ser considerada errada. Posso não ter um olhar tão profundo, mas tenho o direito de ter o meu olhar, de acordo com aquilo que já vi e vivi.

Penso mais ou menos assim sobre julgar a obra de alguém, seja um livro, uma música, um filme ou uma peça. Antes de dizer simplesmente se aquilo é bom ou ruim, é preciso saber qual é a proposta do autor. O ponto é: ele é coerente com o que se propõe a fazer? Entender o pensamento do outro e olhar para outras coisas que ele fez é importante para não ter um julgamento preconceituoso. Da mesma forma funciona o entendimento da opinião de alguém. Por que ele achou aquilo bom ou ruim? Em que ele se baseou? Quais são os conceitos que ele usou para formular sua opinião?

Às vezes, isso pode valer até pra gente mesmo. Vale a pena pensar porque eu cheguei àquela conclusão sobre alguma coisa - nem sempre a gente faz isso, né? - em vez de simplesmente fazer um julgamento simplista. Desde que você consiga achar essas respostas para si mesmo, pode dar sua opinião sobre qualquer coisa para quem quiser. Desde que saiba defendê-la. 

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Dulcinéia na Mercearia

Unir arte, boemia e integração social. Lindo e delicioso, né?

Um exemplo disso é o projeto Dulcinéia Catadora, que até sábado, dia 2, estará na Mercearia São Pedro, na Vila Madalena, fazendo as capas para a nova edição do livro Antologia Bêbada. Oraganizada por Joca Reinera Terron, a publicação traz 17 contos que se passam na mesa do bar, de autores (e boêmios) como Xico Sá, Marcelino Freire, Antonio Prata, Andréa Del Fuego, André SantÁnna, Bruno Zeni, Chico Mattoso, Clarah Averbuck, Índigo, Ivana Arruda Leite, José Alberto Bombig, Matthew Shirts, Nelson de Oliveira e Ronaldo Bressane, entre outros.
O livro foi dividido em três partes e cada uma pode ser comprada por R$ 5,00. Segundo o blog da Ivana, também dá pra comprar na Galeria Vermelho (R. Minas Gerais), no Sebo do Bac (Pça. Roosevelt), na tenda d´O Autor na Praça (feira da Benedito Calixto) e na Livraria Realejo (em Santos).

Acesse a página do projeto:
Dulcinéia Catadora

Vá a Mercearia:
Rua Rodésia, 34 - Tel 11 3815-7200

Ps: A foto é da Antologia do meu amigo Lucas Pretti, que foi comigo ao lançamento na terça-feira, em uma noite muito divertida e agradável.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Sobre o que queremos (e podemos) ser

Uma criança nasce. Ela pode ser como uma bola de argila, pronta para começar a ser moldada aos poucos, forma por forma, relevos e depressões, até gerar algo antes indefinido. Mesmo depois de pronta a imagem e seco o barro, ela não permanece intacta, pois um esbarrão, uma queda, ou o próprio tempo, poderão criar novas marcas e desgastes imprevistos, que passarão a fazer parte dela.


Ou então o bebê pode ser como um balão de gás. Pequeno e aparentemente flexível, aos poucos, com o ar inflado em seu interior, adquire sua forma, que já estava pré-definida. Por mais que se aperte, torça ou puxe, seu formato final é aquele e não irá mudar.


Imagine agora uma família que vive na periferia. São quatro filhos, três homens e uma mulher, a mãe é ausente e o pai um ladrão de carros. Esses quatro filhos são como a bola de argila ou como o balão de gás? Será que o destino dos quatro já está previsto e eles não poderão mudar, como o balão, que muda de forma quando apertado, mas depois volta ao original? Eles cresceram vendo o pai roubar carros, em um lar desfeito e com valores fora dos padrões. Isso torna a degradação um caminho sem volta para os quatro?


Ou será que é possível que tenham perspectivas além daquele mundo em que vivem e consigam se moldar de formas diferentes, como a argila? Quão fortes eles são para ultrapassar os paradigmas que os cercaram durante toda a vida? E, mais importante, será que eles querem mesmo mudar alguma coisa?


Até onde essas pessoas conseguem chegar você descobre no espetáculo Nossa Vida não vale um Chevrolet, com texto e direção do Mário Bortolotto, que estréia sexta-feira, dia 2, à meia-noite no Espaço dos Parlapatões, em uma curtíssima temporada de quatro apresentações.


Olhar para uma família de criminosos da periferia parece distante e chega a comover. Coitados, né!? Mas essa não é uma história sobre problemas sociais. Tão longe, mas tão perto... Muito mais do que você imagina... E não espere um final feliz.

Onde: Espaço dos Parlapatões - Praça Roosevelt, 158

Quando: Estréia dia 01 de agosto, a meia-noite

Quanto: R$ 20,00


Texto, Direção, Sonoplastia e Iluminação: Mário Bortolotto

Elenco: Fernanda D´Umbra, Laerte Mello (Nelson Peres), Mário Bortolotto, Gabriel Pinheiro, Francisco Eldo Mendes, Paulo Jordão, Thiago Pinheiro e Helena Cerello

Operação Técnica: Marcelo Montenegro

Direção Técnica: Régis Santos

Produção: Dani Angelotti