quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Stay hungry, stay foolish

Barbarella

Primeiro eu conheci a banda e o clipe, assistindo MTV nos anos 90. Ela mais parece uma Barbie prostituta revoltada. (Duran Duran - Electric Barbarella)



Depois eu descobri quem eram Duran Duran e Barbarella, que já existiam muito antes disso. Na verdade, eles sairam dos quadrinhos e viraram filme nos anos 60, dirigido por Roger Vadim e estrelado pela Jane Fonda. Ela é uma heroína intergalática hedonista cuja principal arma é o amor e que sai da terra com a missão de resgatar o cientista Duran Duran em outro planeta. Adoro! O clima, os diálogos, a fantasia, as tiradas, a trilha e especialmente o figurino, inspirado nas idéias futuristas do Paco Rabanne, que usava materias inusitados, como metal e plástico. Uma revolução! Ela troca de roupa incontáveis vezes e todos os modelos são lindos!
Ela tem uma sensualidade meio inocente, mas que sabe usar na hora certa pra conseguir o que quer. Imagina uma cena em que várias mulheres estão deitadas em almofadas fumando em um tipo de narguille gigante, cheia de água e um homem boiando. Quando oferecem a Barbarella e ela pergunta o que é, uma delas responde: "É essencia de homem". Ainda tem a
"Excess Machine", que causa por meio de uma sinfonia um prazer tão intenso que leva à morte, as pílulas que servem pra fazer sexo com o contato apenas das mãos e a câmara de tortura cheia de passarinhos que a atacam, onde ela é colocada para morrer, e diz calmamente algo como: "Que coisa mais poética, morrer com esses lindos pássaros".
Bom, tem muito mais. Achei no blog Philos + Hipos a descrição de alguns outros detalhes sensacionais do filme. Olha lá.

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa

Eu adoro o Antonio Prata. Quer dizer, na verdade, adoro as coisas que ele escreve, porque não o conheço. Li no blog dele esse texto que fala sobre a crise de um jeito bem diferente. O texto todo é muito engraçado (Olha isso!: "Era isso: seu Arlindo estava abrindo um mercado.) e a conclusão é genial. Aliás, esse cara genial. Bom, aí vai.

SORVETE DE CHEESECAKE

(PUBLICADO NO ESTADÃO)

Diz a lenda que Joe Kennedy, pai do presidente, pressentiu o crash de 29 ao receber dicas de investimento do garoto que lustrava seus sapatos. Se até o engraxate estava especulando -- especulou o especulador -- era porque a especulação já tinha ido muito mais longe do que qualquer especulador poderia ter especulado.
Eu, modéstia à parte, também farejei que algo ia mal na economia alguns meses atrás, ao entrar numa grande vídeo-locadora e dar de cara com um jogo de panelas (linha Firenze, revestimento de teflon), seis pares de meias brancas (made in China, dez reais) e uma seção inteira dedicada às lingeries. Quando você acha calcinhas onde buscava Hitchcock, só pode concluir que o mercado está completamente desregulado, não?
Na verdade, eu suspeitava que as coisas andavam confusas desde uma remota tarde no século XX em que a banca do seu Arlindo passou a vender água de coco. Em pouco tempo o jornaleiro comprou um freezer vertical e começou a oferecer também cervejas, refrigerantes e bebidas isotônicas, onde antes havia apenas jornais e revistas, abalando assim um dos pilares de meu pensamento infantil -- a crença de que uma coisa era uma coisa, outra coisa era outra coisa.
Preocupado com a quebra de meus paradigmas, comecei a buscar alguma explicação no papo dos adultos. Falavam sobre a globalização, o fim das fronteiras e a abertura dos mercados. Era isso: seu Arlindo estava abrindo um mercado. E não só ele, percebi, ao reparar no que acontecia com os postos de gasolina: ali, naquela casinha onde antes funcionava uma borracharia, com uma banheira de água imunda e um pôster da Maria Zilda arrancado de uma Playboy de 85, passaram a vender lasanhas congeladas, papel higiênico, canetas hidrocor e outros itens de primeira, segunda ou terceira necessidade.
O que era o tal fim das fronteiras só entendi nos anos 90, não com desmantelo da Iugoslávia, mas ao deparar-me com um saco de batatas-fritas sabor churrasco. Depois vieram o sorvete de cheesecake, o chocolate de cookies e a pizza de cachorro-quente (e ainda crêem que o mercado se regula?!), mas nem me abalei: já estava claro que uma coisa poderia ser outra coisa e, como vimos nos últimos meses, era possível todas as coisas transformarem-se em coisa nenhuma.
Quando entrei na locadora, portanto, e deparei-me com panelas, meias e calcinhas, entendi que aquele era o apogeu do movimento iniciado lá atrás com os cocos do seu Arlindo e que logo viria a débâcle. O pai do Kennedy, em 29, vendeu as ações e comprou terras e imóveis. Eu, dentro de minhas limitações, apenas aluguei um filme e levei um daqueles pacotes com seis meias, pela incrível bagatela de dez reais. Meias brancas, médias e lisas, como convém. Afinal, em momentos de incerteza, temos que nos refugiar na tradição.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Hummm

Queria agora assistir um filme em casa, comer uma pizza com bastante queijo derretido e tomar um copão de coca-cola.

Com o celular

Isso foi domingo...

E isso foi um dia aí...

Eu sou muito tonta

Ontem eu fiz uma coisa que não fazia há muito tempo, nem lembro quanto. Passei a tarde inteira num shopping, andando e olhando as vitrines. Um shopping muito chique, bonito e com coisas caras. Mais caras do que as mesmas coisas em outros shoppings. Mas eu não fui fazer compras, fui trabalhar. É, tô fazendo uma revista.
Foi um pouco sofrido olhar tantas coisas bonitas e não comprar nada. Lembro de um tempo atrás, quando eu não resistia a uma vitrine e pensava: "Ah, vou só ver e experimentar, não custa nada...". E acabava saindo da loja com várias sacolas cheias e a carteira vazia. Lembro também do professor de um curso que eu fiz, sobre marketing, que só se vestia de preto e com roupas sem marcas. Na verdade, ele era muito elegante e estiloso, devia usar roupas caras, mas dizia que por ter trabalhado tanto tempo vendendo produtos, tinha aprendido a não se render à propaganda. Contou até uma história sobre a ocasião em que presenciou uma criança chorando na fila do supermercado por querer um tipo de queijo só por causa da embalagem que tinha mudado e ficado mais bonita (e que ele havia desenhado), enquanto a mãe falava: "Mas você não gosta disso!". E ele ficou com peso na consciência.
Sorte minha que, depois de terminar a Viagem do Elefante, meti na bolsa o primeiro L&PM que achei na prateleira: Sêneca, Aprendendo a Viver. E ele me disse: "A comida deve acalmar a fome, o beber, a sede, as roupas devem proteger do frio, a casa, ser abrigo contra o mau tempo. Não importa se foi construída com taipa ou com mármore importado: saiba que um teto de palha abriga um homem tão bem quanto o de ouro. Despreza tudo o que um trabalho supérfluo estabelece como enfeite e requinte; pensa que nada é extraordinário a não ser a alma e que, para uma alma grande, nada é grande".
E vi que
, por volta das 16h, aquele shopping se enche de senhoras muito bem arrumadas e maquiadas, que se reunem para tomar o café da tarde, em cafeterias refinadas. Enquanto isso, nos bancos lá fora, duas amigas de uns 20 anos, também maquiadas e com roupas da moda, conversam, uma morena e uma loirinha com uma sacola de uma loja cara no colo. A morena diz: "Vamos até a Paulista comigo, é só pegar o metrô aqui do lado". E a outra responde: "Mas eu só tenho dinheiro pra voltar pra casa. Dois e quarenta pro metrô e dois e sessenta do ônibus". E, do outro lado das trinta e duas palmeiras enfeitadas com luzinhas de Natal, uma senhora senta ao lado de uma moça com uniforme de uma loja de óculos, que escuta música com fones de ouvido, e diz: "Moça, se eu fosse você chegava mais pra lá porque eu vou fumar". E ela diz: "Não tem problema". Aí, a velha começa a falar do feriado da próxima quinta e a moça desata a falar coisas como: "É uma droga esse feriado, eu vou trabalhar de qualquer jeito, das 10 às 10 e a única coisa que ganho a mais é 20 reais, pelo menos dá pro lanche, se bem que esse shopping é tão caro que nem pro lanche dá, e eles nem dão vale alimentação. Esses negros são preconceituosos contra eles mesmos, porque não tem dia da consciência branca? Se alguém me chama de branquela, pra quem eu vou reclamar? Foi a Marta que fez esse feriado pra ganhar voto, mas não adianta nada. Eu só trabalho nesse shopping pra pagar a faculdade, porque sou sozinha aqui em São Paulo. Mas esse é o último ano. Não suporto esses judeus mal educados que não olham nem pro lado e tratam a gente com grosseria. Na loja que eu trabalho todo mundo tem que ter tatuagem, piercing, por causa do estilo da marca, né? Mas aqui a gente não pode mostrar nada porque os judeus olham feio. E sábado então, que eles nem pegam em dinheiro! Mas eu tô em horário de almoço, deixa eu voltar pra loja. Passa lá depois pra comprar um óculos comigo". Ah, e teve também a gerente de uma loja suuuper chique de decoração que chamou a funcionária lá fora pra conversar: "A gente vai te efetivar, eu preenchi esse formulário com a sua avaliação. Coloquei excelente em tudo, menos em produtividade e interesse, porque você é nova e acho que pode fuçar mais no sistema pra aprender. Agora você assina e a gente manda pra eles. Você tá gostando? Vai querer ficar mesmo? Ótimo. Esse papel já tava aqui comigo há um tempão pra preencher e mandar, sabe? Mas é que nunca dá tempo. Assina aí e a gente manda logo." E a moça "Ficou bonita a decoração de Natal que a loja fez, né?". E a gerente: "É, vamos?".
Depois, a noite, fui assistir Uma pilha de pratos na cozinha, texto do Bortolotto, no Satyros 1. Enquanto esperava minha amiga Priscila tomando um café no bar do Parlapatões, vi passar um homem maltrapilho, provavelmente um morador de rua, que, por cima das roupas velhas e sujas, usava um chambre (que palavrinha!) com losangos azuis e vermelhos, limpo, quase brilhante, que chegava a dar um ar elegante a ele. E me fez sorrir.
Assisti o espetáculo, senti o estômago contraído e gelado nos minutos finais e vi gente chorando. Quando saí só senti vontade de falar uma coisa: "Vai se foder!". Por que você acha que tem o direito de jogar essas cosias assim na nossa cara? E por que você faz isso tão bem? E sem rodeios, sem vergonha, sem nem disfarçar...
Saí e lembrei de novo do que tinha lido de manhã: "Discordo daqueles que se jogam no meio das ondas e que, atraídos por uma vida tumultuosa, lutam, cotidianamente, com grande ânimo, contra as dificuldades das coisas. O sábio o suporta, não o escolhe, prefere a paz à luta; não é muito útil abandonar-se aos próprios vícios se é preciso lutar contra os alheios. (...) Alguns se vangloriam dos seus vícios; e tu pensas que busca remédio quem enumera os seus vícios como se fossem virtudes?"
E cheguei em casa antes da meia-noite, pensando e rindo sozinha...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sabe aqueles dias...

Em que o cabelo não obedece, nenhuma roupa do guarda-roupas fica boa, parece que todo mundo te olha de um jeito estranho, você não consegue ficar a vontade e não tem paciência com nada?

Tô assim hoje.

Tô carente.

Quero colo.

Buá!

:(

Carta a um jovem ator

O homem foi feito para sonhar e criar ilusões. Por isso os artistas são, em geral, mais felizes que os outros. Criam mais. Por isso tem tanta gente aqui querendo faze teatro. Em que grau de ilusão você prefere viver? Essa é a sua única escolha. e, a partir daí, tome toda a responsabilidade pelos seus atos. Você só faz o que quer. Senão faria outra coisa. Papai e mamãe foram dormir, estão, talvez, engendrando outro neném. Você está sozinho e isto não é mal. Nem Deus teve pai e mãe.
Abaixo, conselhos práticos para ser feliz. Sempre lembrando que o bom conselho é aquele que a gente não tem que seguir.
1. Viver cada dia como se fosse o último. Já fizeram um ótimo filme sobre esse assunto. Um filme de jovens, A Sociedade dos Poetas Mortos. Carpe Diem. Sim, porque cada dia pode ser o último. Por exemplo, cada filme que faço pode ser o último. As produtoras pdoem não querer mais botar dinheiro, eu posso não ter mais vontade de fazer filmes e posso, naturalmente, morrer antes das filmagens. Viver cada dia como se fosse o último é, na verdade, viver bem enquanto se pode. Tirar de cada momento o máximo que tiver para dar. Como eu estou fazendo com este momento aqui. Viver cada dia como se fosse o último não é ficar pensando na morte. É prezar a vida. Saber de todos os prazeres que ela pode dar e aproveitá-los. Avidamente.
2. Respeitar os seus desejos. a máquina de desejar do homem é muito frágil. Enguiça com muita facilidade. Se você me convida para tomar um sorvete e eu digo "Ah, não quero não", é capaz de você desistir de tomar o sorvete. E este será um sorvete a menos na sua vida. Porque desejar é viver. O desejo é a fonte de toda saúde, de toda produtividade. Ele tem que ser cuidado, respeitado. O menor desejo de um homem deve ser atendido o mais depressa possível. Se contrariamos muito alguém, por exemplo, obrigando-o a acordar todos os dias às 6h da manhã para ir trabalhar naquilo que não gosta, a máquina quebra. Depois de algum tempo, esse homem não deseja mais nada. E, não desejando, deseja o mal. Não deixe isso acontecer com você. Todo mundo tem que fazer o que gosta. Todo mundo tem que ganhar dinheiro no final do mês para pagar suas contas. O Herói Moderno, o sábio, o gênio moderno, é aquele que consegue unir essas duas coisas. Esse deveria ter as suas mãos beijadas nas ruas.
3. Mas seja humilde. Com o grau elevado de auto-estima, porém humildade. Humildade é sinônimo de inteligência. O homem que sabe, sabe que não sabe. Já o burro ignora sua burrice. Cuidado com os burros.
4. Melhor se arrepender de ter feito do que de não ter feito. Exemplo simples: garota ao seu lado. Você tem vontade de agarrá-la. O máximo que pode acontecer é ela te dar um tapa, se você agarrá-la. Se não, o mínimo que pode acontecer é você ficar batendo com sua cabeça na parede de arrependimento. Diante da dúvida, não fazer é uma atitude antiga, do século 20. Chama-se a cautela. Uma atitude careta, por assim dizer. Uma coisa boa para as crianças.
5. Você deve terminar tudo aquilo que começa. Um curso um namoro, nem de sair do filme no meio eu gosto. Terminar aquilo que se começa é o segredo, que ninguém nos ouça, da produtividade e, portanto, da riqueza. Somente terminando aquilo que você começou é que você vê se era um lixo ou uma maravilha. Começar sem acabar é depressão. Você deve ir até o fim. Até a vida.
6. Tudo é sexo. Gente, essa eu não preciso explicar. Sexo é a força da qual emana tudo. Talvez seja o sexo que une os átomos, tornando a matéria coesa. Até hoje acho que, quando um homem e uma mulher enfiam-se um dentro do outro, a Terra treme. Os jovens de hoje dão menos importância ao sexo do que os de minha geração. Não vamos analisar isso. Mas vamos acabar com isso. Sexo é uma forma de conhecimento absolutamente notável. Somente na cama as pessoas revelam como realmente são, é curiosíssimo, deslumbrante. Muito educativo. O amor é o efeito colateral do sexo. E também a paixão, embora esta tenha maior transcendência. Se existe algo na vida que desperta sentimentos modificadores, isto é o sexo.

Pelo cineasta Domingos de Oliveira, na Bravo! desse mês



Sabe o que eu fiz hoje?

Terminei de ler A viagem do elefante, o livro novo do Saramago. Engraçadíssimo.

Mas acho que eu estou precisando mesmo é fazer umas compras...

Só você mesmo...

pra conseguir me fazer rir nesse dia chuvoso.




Isso é muito ruim, né?

Mas eu adorei.

Nossa!

De repente me deu vontade de escrever uma história linda que passou inteirinha na minha cabeça em apenas um segundo.

domingo, 16 de novembro de 2008

sábado, 15 de novembro de 2008

Climas



Também assisti Climas, do cineasta turco Nuri Bilge Ceylan, que, ao contrário do passado em Barcelona, dá vontade de passar longe da Turquia, apesar das paisagens serem maravilhosas. O filme todo tem um clima tenso e melancólico. Mostra a dificuldade de comunicação entre as pessoas, contando a história do final do amor entre uma jovem e um homem mais velho e machista. É angustiante, porque ele e a mulher querem falar, conversar um com o outro, mas não conseguem expressar o que estão sentindo. Por não terem coragem ou por não terem palavras. Triste e real. A beleza do filme está na forma como a relação entre os dois é expressa mais por meio do silêncio do que por meio das palavras, dando peso à imagem, às expressões e, principalmente, aos olhares. Bela fotografia.

Eu não sei o que quero, mas sei o que eu não quero



Que vontade que me deu de ir pra Barcelona, depois de assistir o novo filme do Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, ontem! Ele mostra uma cidade onde a arte e a cultura borbulham, onde as pessoas são passionais e as paixões se concretizam, onde existe calor, música, as paisagens e a arquitetura são belíssimas, onde se almoça no jardim e se passeia no campo de bicicleta para apanhar amoras, os homens são sedutores, as mulheres sensuais e se embriagam com vinho, enquanto degustam pratos deliciosos...

Fora o cenário perfeito, imagine um personagem que é poeta, cria obras maravilhosas e nunca as publica por vontade própria. Mas por quê? Para vingar-se do mundo. Ele tem raiva das pessoas e por isso as priva do contato com a beleza de sua arte. Mas, de novo, por que tanta raiva? Porque, mesmo depois de séculos de civilização, as pessoas ainda não aprenderam a amar.

E esse homem, pai de Juan Antonio (Javier Bardem), é o contraponto do principal assunto do filme: a busca pelo amor como forma de atingir a completude. A busca pelo amor racional, identificável e inteligível, que nos faça sentir que não precisamos de mais nada. E esse ´não precisar de mais nada´ tem a ver com a sensação de certeza de que estamos no lugar certo e fizemos as melhores escolhas. Só aí encontraremos a paz. Mas, essa semana, ouvi uma frase ótima (e foi em uma novela da Globo que passa a tarde). A Suzana Vieira falou pro Tony Ramos: "Você procura a paz? Pois eu sei quem quer paz e tem muita paz. Os mortos."

Isso é muito engraçado. E rir foi o que eu mais fiz durante esse filme. A gente nunca vai encontrar durante a vida a plenitude, a satisfação completa. Porque, como acontece no filme com Cristina, sempre vai ter uma coisa fazendo nossas pernas tremerem e quererem mudar de direção. Ou, como acontece com Vicky, sempre vai haver uma pontinha de dúvida se aquela era a escolha certa a fazer. Só que isso acaba sendo um motivo de sofrimento pra todo mundo, enquanto que deveria ser uma razão pra dar risada mesmo, porque a gente está preso à condição humana e isso faz parte de nós. A eterna insatisfação e a eterna dúvida. Não é divertido, no final?

No filme, os personagens que encontraram a paz, a estabilidade, são mostrados como pessoas que levam uma vida monótona e tediosa. E o próprio amor só é visto como algo estimulante enquanto não se torna parte constante da vida das pessoas. Quando ele se concretiza e se estabiliza, perde a graça. É o caso do casal que hospeda as duas turistas. A mulher diz: "Preciso sair da situação em que me encontro. Eu o amo, mas não sou apaixonada por ele." São os desafios e as emoções que movem o ser humano. É aquele frio na barriga que nos faz sentir vivos.

Cristina, a personagem de Scarlett Johansson, é incrível. Não tem medo, quer viver, se encontrar e é motivada por aventuras. Se entrega e experimenta, para saber o que não quer e, quem sabe um dia, descobrir o que quer. E a Scarlett arrasa. A expressão dela quando o pintor faz a proposta de irem para Oviedo, enquanto a amiga está negando o convite é demais. Mas sensacional mesmo é Vicky (Rebecca Hall). Coitada! Essa não sabe mesmo o que quer. E sempre acha que sabe. Ela é a contradição em pessoa. Quer fazer o que é certo, de acordo com suas convicções, mas sempre hesita e acaba cedendo - ao tirar uma foto, aceitar um doce, uma bebida, um convite ou fazer amor. Escolhe uma coisa, mas fica desejando outra, seja qual for sua decisão. Conforme escreveu o João Gabriel, na matéria de capa da Bravo! desse mês, se o filme fosse rock, seria o refrão de Satisfaction, do Rolling Stones - "Eu não consigo ter prazer, mas tento, tento e tento".

O problema é que esse prazer que se tenta ter é um prazer supremo, ideal. Por isso, ele nunca é atingido. O único que parece ter essa consciência é Juan Antonio, que sabe o que quer, sabe o que fazer para conseguir o que quer, conhece e aceita suas limitações e as limitações impostas por cada situação. E vive. Intensamente, mas conscientemente...

O calor maior fica por conta de Maria Elena, interpretada por Penelope Cruz, completamente sem limites, intensa e passional, segue todos os seus instintos sem pensar duas vezes. O oposto de Vicky. É o sangue latino fervente mostrado em seu extremo, beirando a irracionalidade (quase insanidade).

No final, a resposta para tudo parece estar na fala de Juan Antonio, que diz: "Eu e Maria Elena fomos feitos um para o outro, mas ao mesmo tempo, não fomos feitos um para o outro. É uma contradição". Mas, a vida é uma contradição, e nem Woody Allen, nem ninguém, tem uma solução definitiva pra isso.

Oh, pobres humanos!

E vai ser assim: a menina que já tinha tudo planejado, e sabia exatamente o que ia acontecer, vai ser surpreendida e suas certezas vão se transformar em dúvidas. E a outra, a louquinha e impulsiva, que procurava uma certeza, vai encontrar o que buscava, mas, de repente, vai ver que não era nada daquilo que queria e vai voltar atrás. Só que essa mudança vai afetar a estabilidade que outras pessoas procuravam e conseguiram encontrar nela. E aí tudo volta pra onde começou. Oh, pobres humanos! Sempre insatisfeitos, sempre incompletos, sempre indecisos, sempre buscando alguma coisa que nunca vão encontrar...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Não dá pra negar...

Inteligência, cultura e experiência me atraem.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

E é nessas horas...

que a gente vê quem gosta mesmo da gente...

Essa veio em boa hora

Sorte de hoje no Orkut: O pessimista vê a dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê a oportunidade em cada dificuldade.

É, Gabriel, você tem razão...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Alguém me explica

O que significa quando uma pessoa que nunca acreditou no mal e nunca teve o azar de levar nem uma picada de pernilongo ao longo de quase toda a vida começa a sofrer uma série de acidentes seguidos em menos de um mês?
Eu nunca caí (pelo menos não depois que completei 10 anos de idade), nunca quebrei nenhum osso, nunca fui atropelada, nunca fui assaltada, nenhum passarinho nunca fez cocô na minha cabeça, nunca sujei minha roupa de macarrão na hora do almoço antes de uma reunião de trabalho, nunca fui atacada por cachorro, nem gato, nunca ganhei presente que não gostei, nunca tropecei na rua, nunca uma manicure tirou bife do meu dedo, e quase nem fico doente, nem gripe costuma passar perto de mim.
Mas tudo começou depois de um dos posts que escrevi há um tempo, no qual dizia que era uma pessoa de muita sorte, porque nada dava errado pra mim nunca. Eu estava trabalhando em uma editora que ficava em um lugar muito bonito e com pessoas muito bacanas. Um tempo depois disso, os caras chamaram a equipe e disseram que não tinham dinheiro pra pagar ninguém, que era pra gente aguentar trabalhando enquanto pudesse, pois nem dinheiro para pagar o nosso deslocamento até lá eles teriam. Resultado, tudo mundo abandonou a revista. E até agora nem o cheiro do pagamento pelos meus dois meses de trabalho. Depois, o dono da editora ainda nos chamou para conversar e insinuou algumas ameaças para que ninguém pensasse em processar a empresa.
Na mesma época, ainda tomei um perdido de um cara por quem estava apaixonada...
Mas o mais grave começou há umas três semanas e meia. Primeiro foi meu computador, meu Macbook novinho, que queimou, porque eu fiz a idiotice de derramar líquido em cima dele. Perdi tudo, minha vida...
Depois, foram dois tombos feios na sala de casa (um deles hoje), em uma semana e meia, uma garrafa de chapagne estilhaçada no chão e um acidente de carro. Um capotamento a 30 km por hora às 8h da manhã, na frente do meu prédio, cuja rua é uma subida. Poucos conseguiriam essa proeza.
Dois galos na cabeça, torcicolo, ombro ferrado, um corte no cotovelo, um corte na canela, alguns hematomas...
E eu juro que nunca desejei mal pra ninguém, pelo contrário, quem me conhece sabe que o que eu mais quero é ver todo mundo bem e feliz.
Acho que vou me benzer, tomar um banho de sal grosso, tomar um passe, acender uma vela, um incenso, sei lá... Tô até com medo de sair na rua - apesar de que nem minha casa parece mais segura...
Parece brincadeira, mas não é...