terça-feira, 12 de agosto de 2008

É isso...

Hoje quero escrever só para registrar que eu sou uma pessoa de muita sorte. Trabalho em um lugar lindo. Venho de carona com duas pessoas muito bacanas, que conheci recentemente. Aliás, também tenho a sorte de sempre conhecer pessoas bacanas e, ultimamente isso tem acontecido muito. A gente vem ouvindo rádio no carro e eles têm muito bom gosto musical. No caminho, ouvindo aquelas músicas na estrada e conversando, me dá vontade de viajar e me imagino naqueles road movies em que as pessoas pegam uma estrada sem destino. Se eu fizesse isso, me desculpem os preconceituosos, mas uma das músicas que eu iria ouvir é Someday I´ll be saturday night, do Bom Jovi. Essa música me lembra minha adolescência e dá aquela sensação animante, apesar da letra ser meio triste, mas esperançosa.
Quando a gente chega no trabalho, pega um café e fica na varanda conversando um pouco antes de começar o dia. É uma casa com um jardim enorme, no meio do verde, com uma piscina e muitos passarinhos cantando. E aquele friozinho, mas com o sol da manhã esquentando e a luz no ar ainda meio branco da neblina da noite.
O meu trabalho também é uma delícia. Eu ajudo a editar uma revista feminina e também escrevo algumas matérias e faço entrevistas. Os assuntos são leves e gostosos de falar. Adoro pesquisar, descobrir coisas novas e conversar com as pessoas.
E a noite, depois que saio da editora, geralmente vou encontrar com meus amigos e amigas. Minhas amigas queridas que conheci na primeira assessoria de imprensa em que trabalhei em São Paulo. Outro lugar muito bacana, um ambiente agradável e descontraído, um lugar para fazer amigos mesmo. E eu adorava meus clientes. Esse é outro ponto em que tenho muita sorte, sempre trabalhei com pessoas legais, com quem aprendi bastante coisa. Nunca fiquei em luares que não me dessem prazer em trabalhar. Porque eu sou assim, preciso me sentir produtiva e aprendendo sempre, gosto de estar perto de pessoas que possam acrescentar alguma coisa na minha vida. E isso eu tenho conseguido. Já saí de lugares que não me proporcionavam tudo isso e, por sorte de novo, nunca fiquei mais de duas semanas sem trabalho.
Voltando aos amigos, como já disse, tenho a sorte de sempre conhecer gente muito bacana. Minhas amigas, por mais diferentes que sejam de mim, tentam entender minhas loucuras momentâneas e nunca me deixam de lado. Elas me agüentam quando, nas mesas dos bares, começo a ler os trechos de livros e poesias e até algumas coisas que eu mesma escrevi. E dão risada quando eu falo que eu vou fazer saraus na minha casa, para as pessoas lerem seus trechos preferidos de livros e poesias. E elas às vezes até me acompanham nos meus programas culturais. E também me chamam para ir ao samba, ao samba-rock e em lugares que eu nem gosto muito, com pessoas que não fazem meu estilo, mas eu vou e adoro, porque estou com as minhas amigas lindas, por isso me divirto.
Também tem as pessoas que conheci há pouco tempo, mas que têm me proporcionado momentos únicos, com conversas que me renovam. E eu já amo essas pessoas. Elas falam às vezes sobre coisas que eu não sei, que eu não entendo, que não fazem parte da minha vida, e eu fico viajando na conversa, mas adoro, porque depois quero descobrir o que é tudo aquilo que elas falam e leio, e ouço músicas, e vejo filmes, e aprendo...
Alguns outros amigos eu não vejo e não converso com muita freqüência, mas só de saber que eles estão lá, e às vezes falam um oi no msn, ou mandam um e-mail, ou aparecem na fotinho do orkut, e me fazem lembrar das coisas boas que já fizemos juntos, me fazem um bem danado.
Acho que amor não tem distância nem tempo, e os maiores amores, os verdadeiros, são tão óbvios que nem precisam de palavras ou de explicações. Não têm obrigação, eles simplesmente existem e a gente sabe que eles estão lá. E só de saber que eles existem a gente se sente seguro e profundamente feliz. Isso é amor de amigo, amor de querer bem, amor de irmão, amor de família. É aquele amor que faz você saber que pode ligar a qualquer hora do dia e da noite só pra falar oi ou pra pedir socorro, e pode não ligar, mas nem por isso ele deixa de existir. Mas isso é só o que eu acho, cada um ama a sua maneira.
Tá bom, acho que esse clima bucólico me deu uma síndrome de Pollyanna. Já que é assim, aproveito para agradecer ao vinho que eu tomo às vezes sozinha em casa, num momento só meu, que me dá um prazer solitário e único. Ao primeiro gole de cerveja e aos amigos que me acompanham nesse ritual. Ao frio na barriga que dá quando as luzes do cinema se apagam. E ao pensamento vazio cheio de vozes antes das luzes do palco se acenderem no teatro. Aos começos de manhãs brancas alegres e aos finais de tarde ansiosos e alaranjados. Ao Reginaldo Pujol Filho, que escreveu o livro que eu estou lendo e adorando. E ao cheiro dos livros que são abertos pela primeira vez. A Sade, a Schopenhauer, a Rilke, a Kerouac, a José de Alencar, a Garcia Marques, a Borges. Ao João Gabriel, que foi quem fez o maior elogio que já recebi na vida. Ao cara que na sexta-feira passou a mão no meu cabelo na hora que eu estava indo ao banheiro e falou sorrindo “Olha a Vivian aí”.
E às pessoas que tentam ver o lado bom das coisas, não ficam justificando e dando explicações. Porque a vida é assim e pronto.
Como disse Niemeyer, a data não é importante. A idade não é importante. O tempo não é importante. A arquitetura não é importante. O que nós criamos não é importante. Somos muito insignificantes. O que é importante é ser tranqüilo e otimista.
É isso...

5 comentários:

Isis disse...

Que lindo!

Ainda não te conheço muito, mas esse post me parece ser um retrato muito fiel seu!

Nossas vibrações atraem semelhantes. Você é assim!

.raphael. disse...

Que belo texto Vivian! Quando vc fizer um sarau na sua casa vc me chama!? heeheh Eu levo cerveja! :)

Bjos

Velho Santiago disse...

Olha a Vívian ai!!!

Natália disse...

Hahahahaha! Vi, me senti um poquinho parte do seu texto de hoje.

Que delícia!
Um beijo, linda.

Carlos Takeda disse...

Vivian, não é a toa que é Jornalista. O texto está belíssimo e me tocou, pois tem o gostinho da memória que a gente teima em começar a esquecer, e o sabor da vida com todas suas idiossincrasias...