sábado, 28 de junho de 2008

quinta-feira, 19 de junho de 2008

é nóis na SPFW...

O Journal é distribuído na Bienal e encartado no Estadão que é vendido nas bancas (assinante não recebe).
Hoje, uma matéria minha foi publicada no site, para ver, clique aqui.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

E a Nina responde...

Pra mim essa Laila não passa de uma vagabunda mal amada. Mas eu tenho pena, porque ela ainda não deve ter encontrado o amor de verdade. Essa história de Vanguarda dos Sentimentos é coisa de gente que tem medo de se envolver e de se comprometer. De entrar de cabeça em uma relação e assumir a responsabilidade disso. Afinal, nada é perfeito e quando você está com alguém, compra o pacote. Na minha opinião, amor é uma questão de respeito e admiração. Se você admira muito o outro não vai ter necessidade alguma de olhar pro lado, de procurar outras pessoas. E é isso que ajuda a criar e a manter a sensação de companheirismo, de querer estar junto, de querer melhorar e ajudar o outro a melhorar, a vontade de construir alguma coisa junto. Não é sentimento de posse, mas uma satisfação, uma saciedade, uma sensação de que tudo o que se precisa está ali e nada mais importa. Enquanto isso existir, a vontade de ficar junto vai ajudar a superar qualquer problema e o "ser feliz para sempre" vai acontecer, nem que esse pra sempre dure só até a semana que vem. Espero que a Laila consiga encontrar isso um dia, só assim essa busca louca vai terminar e ela vai saber o que é realmente amar, ser amada e ser feliz. Essa insatisfação eterna não leva a lugar nenhum e só causa desgaste e sofrimento pra ela mesma e para os outros.

Laila fala sobre amor na data mais romântica do ano

Eu acho ridículo esse negócio de te que ter alguém do lado pra se sentir completo. Que coisa mais possessiva! Pra mim esse amor romântico que espalham por aí não existe, é só uma invenção pra fazer os fracos e inseguros se sentirem melhor. Não suporto essa coisa de dependência, de ter que dar satisfação. Eu sou mais eu. Se quiser ficar comigo é assim, se não quiser, tem quem queira. Acho que essa é a maior fidelidade que se pode oferecer. A sinceridade, jogar limpo. Eu não engano ninguém, sou fiel a mim e aos meus desejos e vontades. Não quero e nem vou ficar me reprimindo. A vida é aqui e agora. A atração física e o desejo são sensações inerentes ao ser humano e eu sei que eu não sou a única pessoa interessante no mundo. Existem milhares por aí. Então, quem sou eu pra exigir que a pessoa que está comigo só tenha olhos para mim? Quer beijar? Vai lá e beija... não fica passando vontade. Só não me troque por ninguém. Odeio ser preterida e ficar em segundo plano. Exijo disponibilidade imediata na hora em que eu precisar. Preciso me sentir o centro das atenções, o centro da vida de alguém. Mas gosto de liberdade. Não quero ficar fazendo coisas só pra agradar, programinhas chatos no final de semana, tardes entediantes assistindo televisão. Não! Eu preciso respirar, me alimentar com idéias novas de pessoas diferentes. Preciso saber o que acontece na rua. Não quero ter a sensação de que todo mundo está se divertindo numa festa para a qual eu não fui convidada. Mas isso não quer dizer que eu não amo. Talvez eu ame muito mais do que quem se sente obrigado a ficar com alguém por alguma forma de compromisso. É um sentimento muito maior, muito mais puro, muito mais sincero, muito mais autêntico. Não preciso fingir nada, não vai haver desconfiança, joguinhos e incertezas. Assim não é muito melhor?

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Texto bonito

"As pessoas ainda não foram terminadas..."

Porque nosso DNA é incompleto, inventamos poesia, culinária...

 

Rubem Alves


terça-feira, 10 de junho de 2008

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Mais sobre gatos

O gato não oferece serviços. Ele se oferece. Claro que ele quer carinho e abrigo. O amor não é de graça. Como todas as criaturas puras, os gatos são pragmáticos. (...)


(...) Lobos e coiotes em estado selvagem são aceitáveis. O que deu tão errado com o cachorro doméstico? O homem moldou o cachorro doméstico à sua pior imagem... Virtuoso aos seus próprios olhos como uma multidão em um linchamento, servil e maldoso, cheio das piores perversões croprofágicas... e que outro animal tenta transar com a nossa perna? A pretensão canina à nossa afeição fede a sentimentalidade fraudulenta e fingida.


Não sou uma pessoa que odeia cães. Odeio aquilo em que o homem transformou o seu melhor amigo. O rosnado de uma pantera, sem dúvida é mais perigoso do que o rosnado de um cão, mas não é feio. A fúria de um gato é bela, incandescente com a pura chama felina, todo o seu pêlo eriçado lançando fagulhas azuladas, os olhos crepitantes. Mas o rosnado de um cão é feio, o rosnado de uma multidão de brancos racistas no linchamento de um paquistanês... o rosnado de alguém que usa um adesivo "Mate uma bicha por Jesus", um rosnado hipócrita e nervoso. Quando você vê esse rosnado, está olhando para algo que não tem rosto próprio. A fúria de um cão não é dele. É ditada por seu treinador. E a fúria de uma multidão em um linchamento é ditada pelo condicionamento.


Willian Burroughs - O gato por dentro

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Encontros Bravo! Fnac

Finalmente chegou a notícia mais esperada do meu mês: a divulgação da data e do tema dos Encontros Bravo! Fnac.

Dessa vez vai ser sobre Hamlet, que está na capa da revista, por causa da peça que estreia dia 20, com o Wagner Moura. Infelizmente o fofo não vai participar do debate, mas Marco Ricca vai representar os atores que já passaram pelo desafio de estar na pele do personagem.

Tem gente que já está cansada dos meus convites para os Encontros, mas eu não canso de avisar quando vai ter. Acho uma oportunidade muito bacana de participar de discussões com gente que entende do assunto, por isso, acho que quanto mais gente for, melhor!

Vai ser dia 11 de junho, às 20h na Fnac Pinheiros. Quem puder ir, com certeza vai me encontrar lá. Se alguém chegar antes, guarda um lugar pra mim! :)
 

terça-feira, 3 de junho de 2008

Trabalhar é amargo mas os frutos são doces...

Uma das qualidades que eu mais admiro nas pessoas é a capacidade de sentir paixão e de se deixar dominar por ela. Pode ser por outra pessoa, por uma causa, por uma idéia, por um trabalho. Quero falar aqui de trabalho. Alguém apaixonado se dedica de corpo e alma ao que faz e, por mais que adversidades apareçam, não perde a esperança, procura soluções e tenta fazer sempre melhor. Para ele, cada dia é uma descoberta, um motivo de alegria para viver.
Sei que é difícil encontrar pessoas assim, que realmente trabalhem por prazer. Na época em que prestei vestibular, ouvia as pessoas falando: “O mais importante é escolher uma profissão que você goste, porque se você trabalhar com amor o retorno vem depois”. E são as pessoas que têm a coragem de fazer escolhas pensando assim que eu admiro. Na verdade, a recompensa que vem depois nem sempre é financeira. O maior retorno pra quem faz o que ama é o próprio ato de poder fazer o que ama todos os dias
Pra essas pessoas não existe domingo deprimente e nem segunda-feira chata. Elas não começam a contar os dias pra chegada da sexta-feira logo na segunda. Não contam os minutos que faltam pra hora de almoço e nem pra hora de ir embora. Simplesmente porque estão sentindo prazer no que fazem. O trabalho que fazem as satisfaz e não é feito com esforço, nem por obrigação.
Tudo bem que é ótimo ver o saldo da conta com vários zeros no final do mês e nem todas as profissões rendem salários polpudos. Mas será que o tédio e a raiva que se passa todos os dias, pelo menos por oito horas, valem isso?
Durante a minha vida, que nem é tão longa assim, conheci algumas pessoas apaixonadas pelo trabalho. Lembro muito dos professores (já que até agora mais de 80% da minha vida foram passadas em salas de aula). Os que transmitiam esse amor pelo que estavam falando tinham muito mais credibilidade e foram os que mais conseguiram me ensinar, os que conseguiram deixar um pouquinho do que queriam dizer em mim e dos quais não esqueço até hoje.
Depois, no trabalho, vi que as pessoas apaixonadas pelo que faziam eram as que mais conseguiam incentivar suas equipes e fazê-las acreditar em um objetivo. Alguém que não acredita do fundo do coração no que está dizendo, fala, fala, fala, mas não consegue contagiar ninguém com nenhuma idéia. Ao contrário, por mais que tente, acaba deixando transparecer sua indiferença, má vontade ou até raiva por ter que fazer ou falar aquilo.
Todo mundo tem alguma paixão na vida. Algo que queira muito fazer e que proporcione um grande prazer. E com certeza é isso que a pessoa vai fazer melhor; melhor do que tudo o que já fez e melhor do que outros que fazem aquilo sem tanto amor. Pode ser apertar parafuso, arar a terra, concertar computador, fazer discurso, calcular, cuidar de criança ou pintar quadros. Mas a maioria das pessoas não acredita nelas próprias, prefere achar mais importante o que o outro pensa ou fala e tem medo de se arriscar. Afinal, o ser humano tende a buscar a segurança. Principalmente hoje, nessa “selva capitalista”, onde a vida não é fácil pra ninguém. Mas acredito que acaba valendo a pena e a recompensa vem.
Hoje, li na edição de junho da TPM uma entrevista muito bacana com a Nina Becker, estilista, cantora e vocalista da Orquestra Imperial, em que ela fala sobre isso:
“Descobri que podia ter um trabalho que só me desse prazer. Ainda fico passada quando penso , ´cara, vivo de tocar´”. (...) A maior novidade na vida dela é ter começado a compor. “Eu tinha a maior travação com isso. Achava que era só para pessoas geniais. Mas uma hora pensei: também posso fazer, foda-se”.
Tudo bem que ela tinha a casa da mãe para morar e não passou fome. Mas, como define o dicionário Huaiss, paixão é “o sentimento, gosto ou amor intensos a ponto de ofuscar a razão; grande entusiasmo por alguma coisa; atividade, hábito ou vício dominador”. Maior que a razão, ela nos impulsiona a encarar e ultrapassar qualquer desafio e perto dela as maiores dificuldades parecem pequenas.Bom, acho que cada um faz suas escolhas. Tem gente que prefere passar a vida fazendo algo que não suporta enquanto conta os dias pra chegada das férias e as moedas para gastar depois da aposentadoria. Eu prefiro os que não vêem os dias passarem e sofrem por pensar na possibilidade de não poderem fazer o que amam até o último dia de suas vidas. Espero que consiga ser um deles e que um dia alguém olhe pra mim e diga: “essa aí ama o que faz”.

domingo, 1 de junho de 2008

A Laila é uma gata?

É, a Laila é uma gata...
O que ela mais ama é sentir a liberdade de estar na rua e poder tragar,  junto com o ar frio e denso da madrugada, todos os desejos ocultos que as pessoas que dormem só conseguem realizar em seus sonhos.
E perceber que, por cima dos telhados, ela pode ir pra onde quiser, e conversar com quem ela quiser, e falar o que ela quiser, porque amanhã ela não precisa estar no mesmo lugar com as mesmas pessoas.

Ode aos gatos

Artur da Távola


Nada é mais incômodo para a arrogância humana que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece. O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias de amor. Só as saudáveis.


Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Só aceita relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de traiçoeiro, egoísta, safado, espertalhão ou falso.


“Falso”, porque não aceita a nossa falsidade e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e o dá se quiser.

 

O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é esperto. O gato é zen. O gato é Tao. Conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem o ama, mas só depois de muito se certificar. Não pede amor, mas se lhe dá, então o exige.

 

O gato não pede amor. Nem dele depende. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém, sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano, mas se comporta como um lorde inglês.

 

Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa a relação sempre precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Vê além, por dentro e avesso. Relaciona-se com a essência.

 

Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende ao afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando esboça um gesto de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é muito verdadeiro, impulso que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe; significa um julgamento.

 

O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós).

 

Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, eles se afastam. Nada dizem, não reclamam. Afastam-se. Quem não os sabe “ler” pensa que “eles não estão ali”, “saíram” ou “sei lá onde o gato se meteu”. Não é isso! É preciso compreender porque o gato não está ali. Presente ou ausente, ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.

 

O gato vê mais, vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente ao nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério.

 

Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.

 

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precisa de promoção ou explicação os assusta. Ingratos os desgostam. Falastrões os entediam. O gato não quer explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda a natureza, aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato.

 

Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração e yoga. Ensina a dormir com entrega total e diluição no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase quinze minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, ao qual ama e preserva como a um templo.

 

Lições de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, o escuro e a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.


Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gesto e senso de oportunidade. Lição de vida e elegância, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências ou exageros e incontinências.

O gato é um monge portátil sempre à disposição de quem o saiba perceber.

Bizarrice

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Sobre um filme que vi há algum tempo

Santiago, documentário de João Moreira Salles, é um dos filmes mais bonitos que já assisti. Tudo que li sobre ele depois de ter assistido, fala sobre como João mostra no filme a maneira como se constrói um documentário e de como ele mudou sua visão sobre isso desde quando captou as imagens do filme, há treze anos, até hoje. Apesar de isso estar bem claro na tela, não foi o que mais me chamou a atenção.


Bom, pra quem ainda não ouviu falar no filme, Santiago é sobre o mordomo argentino de mesmo nome, que trabalhou por trinta anos na mansão da família de João Moreira Salles, na Gávea. Um homem extremamente culto, que falava seis línguas e rezava em latim. Fascinado pela história da aristocracia, da nobreza e das dinastias que passaram pelo mundo, ele costumava ir a bibliotecas e fazer anotações, mas sem jamais deixar de fazer seus próprios comentários, conseguindo reunir trinta mil páginas com a história das famílias tiveram por séculos o poder nas mãos. Tudo belamente organizado em blocos de folhas idênticas, amarradas com um fitas vermelhas que ele mandava vir de Paris. Cada bloco trazia referências de quanto tempo ele levou para reunir as informações (algumas famílias foram estudadas por quase 50 anos), sobre as cidades onde estava quando fez a pesquisa e até comentários históricos sobre o que acontecia na época.


Apesar de João deixar claro que durante as filmagens manipulou o que Santiago diria, seus gestos e ações, mostrando-o como um personagem criado pelo diretor, a essência do mordomo permanece e pode ser percebida.


Apaixonado pelas artes e pela música, demonstrava extremo respeito pelos grandes artistas, a ponto de usar um fraque para tocar Beethoven ao piano enquanto todos estavam dormindo e não havia ninguém por perto para observar.


Mas o ponto mais profundo abordado, e que mais me emocionou, é a questão da memória. Santiago diz que tem uma ótima memória, não esquece as línguas que aprendeu na infância, mesmo não tendo com quem praticá-las. Recita poemas de cabeça e parece lembrar de cada um dos personagens sobre os quais escreveu e de cada momento vivido, desde sua infância com a avó ate às grandes recepções na mansão dos Moreira Salles.


Uma pessoa extremamente interessante que, no entanto, seria esquecida se não houvesse se transformado no tema do documentário, assim como todos os outros sobre os quais escreveu. Mesmo parte de famílias que determinaram os rumos do mundo, muitas daquelas pessoas foram perdidas no tempo e suas histórias de amor, guerra, traição, conquistas e desonras ficaram para trás.


O que fazer, então, para ser lembrado? Santiago pode ser um exemplo. Viveu com paixão, sentiu o mundo ao seu redor, tocou castanholas ao som de música clássica e suas mãos dançaram em um ritmo que parecia ser determinado por sensações que nasciam em sua alma.


Por outro lado, o diretor fala da sabedoria de saber ouvir o que o outro tem a dizer (trata da relação entre diretor e personagem em um documentário e da imposição da visão e das idéias do diretor). Ele próprio assume, envergonhado, que não teve essa habilidade ao fazer as filmagens e acabou tentando fazer com que Santiago incorporasse uma imagem que era a que Joãozinho tinha dele na infância, um personagem pré-construído. Perdeu a oportunidade de se aproximar da verdadeira pessoa por trás do mordomo.


É o que acontece quando deixamos de receber as idéias do outro com a mente e o coração abertos, presos à conceitos só nossos, que, orgulhosos, não temos coragem de deixar de lado.

Reply

... até hoje ninguém encontrou essas respostas. Nossa vida é assim, uma dúvida infinita. Se não fosse, não existiria busca, e sem a busca o que seria de nossos anseios, quais seriam nossas motivações?
Talvez as perguntas sejam o melhor refúgio, por mais que nos atormentem.

Jazz no parque



Domingo acontece a segunda edição do Telefônica Open Jazz, no Parque Villa-Lobos, com apresentação dos ganhadores do Grammy Macy Gray e Herbie Hancock. Uma ótima oportunidade para quem quer ouvir boa música, sem pagar nada, em um ambiente bucólico e rodeado por pessoas bonitas.
Digo isso pela minha experiência na primeira edição do evento, em novembro do ano passado, com show da Diana Krall. Foi uma manhã de domingo muito agradável, apesar do sol escaldante e da falta de sombras. Mas tudo bem, era verão, provavelmente neste final de semana o calor estará um pouco mais ameno.
O início dos shows está marcado para às 15h. Só para constar, os dois se apresentaram separadamente esta semana em São Paulo, com ingressos que chegavam a R$400,00.

Para saber mais, clique aqui. 
Para ouvir Herbie Hancock e Macy Gray

Telefônica Open Jazz 
Quando: domingo (1º de junho), a partir das 15h 
Onde: Parque Villa Lobos, Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1655, Pinheiros , São Paulo 
Quanto: grátis 


quarta-feira, 28 de maio de 2008

21h

Só para variar, esse é mais um post escrito na solidão da espera de uma amiga.
Mas hoje~não consigo escrever nada. Não porque me falte assunto ou porque me faltem idéias. Pelo contrário. Minha mente está fervilhando a ponto do meu corpo se sentir incapaz de suportar o peso dos pensamentos.
O que me falta neste momento é a capacidade para organizá-los. E nessa desorganização as idéias passam na minha frente, pairam leves como beija-flores e, velozs como eles, voam para longe antes que eu possa agarrá-las.
Eu podia escrever sobre como o romance Senhora, de José de Alencar, que li aos 15 anos, influenciou a minha concepção de amor e minha vivência do sentimento.
Poderia escrever sobre quais foram os maiores elogios que já recebi na vida, por mais que não parecessem elogios. Poderia escrever sobre como me emocionei ao ver o álbum montado por uma amiga, que relata sua vida e a formação de sua personalidade, influenciada pela religião, mas com conceitos próprios sobre tolerância e aceitação da individualidade, cheia de idéias próprias e independente, mas coerente com sua educação.
Ou sobre como outra amiga que está tão longe permanece presente a cada dia, mas mesmo assim me faz uma falta enorme, que chega a me levar às lágrimas. Ou ainda sobre um livro de cartas de Rilke, que estou lendo e reforçou minhas idéias polianicas de como a solidão, a tristeza e o sofrimento devem ser encarados comalegria, pois são os momentos que nos proporcionam maior oportunidade de crescimento e nos engrandecem.
Mas talvez nada disso seja tão relevante. Ou talvez o ambiente tumultuado em que estou e o pequeno espaço destas páginas de papel não sejam os mais adequados para desenvolver estas idéias.
Por isso, paro por aqui e espero...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Eu tenho a força!

Eu odeio ser obrigada a perceber que o meu corpo me domina e é mais forte do que eu. Quando ele está saudável e de bom humor, tudo bem. Mas parece que às vezes quer mostrar essa força e eu me sinto impotente.

É o que está acontecendo agora... dor de garganta, um peso no ombro e uma moleza incomum. Vontade de melhorar e nada a fazer. Parece uma vingança do corpo por eu ter tentado provar que poderia conseguir dominá-lo. 

O maior desentendimento entre mim e meu corpo é a respeito do sono, de ter que dormir. Eu acho isso um desperdício de tempo. Poderia aproveitar para fazer tantas coisas... ler, ver um filme, escrever, sair, conversar com as pessoas... mas ele insiste em querer descansar. E ontem resolvi mostrar pra ele que poderia agir de acordo com as minhas convicções. Consegui vencer o sono, que geralmente me vence com facilidade e fui dormir bem tarde. Ele começou me punindo com um soluço insuportável. E hoje isso... 

Só me resta agora obedecê-lo e ir dormir cedo. Droga...

O que seria de mim sem meu moleskine?

Censurado...

Laila faz um apelo (ou um alerta) a todos

...menos a quem ela ama...


Por favor, não se apaixone por mim. E se me amar, não espere nada em troca. Eu não vou te corresponder. Eu posso até gostar da sua companhia. Gostar de conversar com você, te chamar para ir ao cinema, para ir ao teatro, para tomar uma cerveja ou um café. Mas não confunda as situações. Eu só estou interessada nas suas idéias, nos seus pensamentos, no alimento intelectual que você pode me proporcionar. Você me estimula intelectualmente e é só isso que eu quero, só isso que eu espero e só isso que posso oferecer.

Você não imagina o risco que corre se deixar transparecer que tem algum interesse por mim. Eu sou manipuladora e vou começar a usar isso a meu favor. Não, não tenho a intenção de machucar ninguém, mas isso é um instinto mais forte do que a minha razão. Eu sinto prazer em conquistar, em saber que sou admirada. Mas sentir o desejo por mim é a única coisa que quero. É uma via de mão única. Posso até dar a entender em algum momento que é reciproco, mas não é. Eu sou independente, individualista, não quero me envolver com ninguém, mas para alimentar essa minha segurança, preciso de pessoas como você, que vão me fazer sentir bem e especial. E não pense que só com você é assim, existem outros, já existiram outros... os que ficam, os que vem, os que vão, mas depois voltam.

Não quero que fique com uma má impressão de mim. Se estou te falando isso, é porque te quero bem. É um alerta, pois a situação foge ao meu controle, então é você que precisa se defender sozinho. Para isso, estou te dando as armas.

Eu não quero amor, não quero me sentir dependente e impotente diante de algo que vai ser mais forte que eu e me controlar. Eu gosto e preciso ter o controle da situação. Então, se você aceita essas condições, melhor para nós dois. 

Mas não tenha esperança de que pode me fazer mudar de opinião. Já tentaram fazer isso... É como na música Toxic Girl, do Kings of Convenience: "You're waiting in the shadows for a chance, because you believe at heart, that if you can, show to her what love is all about she'll change. She'll talk to you with no one else around, but only if you're able to entertain her, the moment conversation stops she's gone again".

Agora você já sabe, espero que entenda.


Laila